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Segundo este espetáculo no CCVF, a ópera não tem de ser “conservadora”

Tiago Mendes Dias
Cultura \ quinta-feira, novembro 25, 2021
© Direitos reservados
Com sons clássicos, pop e eletrónicos a acompanhar, “O anel do unicórnio” é uma ópera infantojuvenil com quatro sessões para escolas e uma para o público em geral até sábado.

A partir desta quinta-feira, o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) é o cenário para as peripécias de Pedro Patê, um “rapaz enfadado” pela condição de filho de dois cantores de ópera – Bellini del Canto (inspirado em O Barbeiro de Sevilha, ópera de Rossini estreada em 1816) e Faustina Balão (baseada em Faustina Bordoni, cantora de ópera do século XVIII).

Forçado a “ouvir ininterruptamente árias, cavatinas, intermezzos e afins”, com uma orquestra a interpretar cada gesto seu – pode ser o de folhear um livro ou o de tomar banho -, o protagonista sonha ser ilusionista e fazer desaparecer a ópera até que o roubo do gato da família, Don Giovanni al Latte, precipita a narrativa, refere a nota de apresentação de “O anel do unicórnio”, espetáculo de 60 minutos para maiores de seis anos, com quatro sessões para as escolas até sexta-feira e uma sessão para o público em geral, às 16h00 de sábado.

Com música original de Martim Sousa Tavares, libreto de Ana Lázaro e encenação de Ricardo Neves-Neves, esta criação estreada no Cineteatro Louletano procura desmistificar a ideia de que a ópera é um género artístico “parado no tempo”. “Isto surge da vontade de trabalharmos um género que parece ter parado no tempo ou caído em desuso", adianta o encenador ao Jornal de Guimarães. "A ópera é considerada um género muito conservador, mas não é essa a nossa opinião. É um género artístico possante, vibrante, que pode ainda chegar a muita gente”.

Como a ópera não é o “espetáculo mais comum” entre os mostrados às crianças, Ricardo Neves-Neves crê que “O anel dos unicórnios” vai “provavelmente” ser a primeira ópera vista por muitas das crianças presentes no Grande Auditório do CCVF; essa eventualidade é um “privilégio”, reitera. “Não é um trabalho inovador, porque há outros artistas a trabalhar ópera para o público infantojuvenil, mas temos a consciência de que estaremos a mostrar-lhes a primeira ópera que vão ver. E isso é um desafio muito grande”, admite.

A ópera protagonizada por Pedro Patê reúne o ator André Magalhães, os cantores André Henriques, Cátia Moreso e Sílvia Filipe e ainda uma orquestra com sete instrumentistas, reunindo os sons da flauta e do violino com os do piano elétrico e do sintetizador. E a cenografia do “teatro e ópera clássicas”, feita de “telões dos séculos XVII e XVIII”, com “cenários a subir e a descer”, assume uma linguagem contemporânea, com um painel em que três robots desenham “o ambiente onde as personagens estão” à medida que o espetáculo se desenrola, acrescenta o encenador.

Depois de outra criação infantojuvenil por si encenada ter estado em Guimarães em 2019 – A menina do mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen, a propósito dos 100 anos do nascimento da poetisa -, Ricardo Neves-Neves espera sentir de novo a “alegria” de receber muita gente no CCVF, nomeadamente no sábado.

“Apesar de direcionado para um público infantojuvenil, este é um espetáculo para todas as idades. Deixa-nos muito felizes saber que estamos a fazer um espetáculo para toda a gente, porque esta é uma comédia muito divertida, com música, ópera, teatro e sentido de humor. Esperamos transmitir esse prazer aos espetadores”, disse, a propósito da sessão de sábado, com um custo unitário por bilhete de dois euros.

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