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Sete dezenas marcham por mais nas políticas para quem vive com deficiência

Tiago Mendes Dias
Diversidade & Inclusão \ segunda-feira, maio 06, 2024
© Direitos reservados
Sob a mensagem “Nada sobre nós, sem nós”, coletivo Vida Independente em Marcha critica “lentidão inexplicável” do país na inclusão desde que ratificou convenção para pessoas com deficiência, em 2009.

À semelhança de Lisboa, Porto, Braga, Coimbra, Vila Real, Faro e ilha de São Miguel, nos Açores, Guimarães fez ouvir a sua voz e os seus passos na reivindicação de direitos iguais para as pessoas com deficiência: a marcha convocada pelo coletivo Vida Independente em Marcha (VIM) reuniu, neste domingo à tarde, cerca de 70 pessoas para um trajeto polvilhado de cartazes – “O mundo é melhor quando acessível” ou “Acessibilidade é um direito, não privilégio” –, que incluiu Toural, rua de Santo António, rua Gil Vicente, rua Paio Galvão, nova passagem pelo Toural e chegada ao coreto da Alameda de São Dâmaso, com leitura do manifesto para o Dia Europeu da Vida Independente.

“Duplicámos o número de pessoas do ano passado. Tivemos cerca de 70 pessoas em marcha. No ano passado, foi a primeira vez e estivemos em modo de concentração no Parque da Cidade. Decidimos que tínhamos condições para a marcha”, adianta ao Jornal de Guimarães o coordenador do VIM para o Vale do Ave, Marco Ribeiro.

Nesse manifesto, o coletivo enalteceu a liberdade dada pelo 25 de Abril para se manifestar, “reivindicar mais e melhores condições de vida” e “exigir uma vida digna e autodeterminada”, tendo, em simultâneo, lamentado a “lentidão inexplicável na implementação de políticas que tenham real impacto” para a inclusão desde que Portugal ratificou, em 2009, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento que reconhece o seu direito “a viver de forma independente e na comunidade”.

“A atual situação política em Portugal é preocupante, uma vez que não há sinais claros de se inverter o paradigma assistencialista no sentido da desinstitucionalização e de aposta na vida independente, políticas totalmente ausentes do Programa do Governo, recentemente aprovado”, indica o manifesto.

 

Não aceitamos estar aprisionados”

As pessoas envolvidas na iniciativa rejeitam veementemente as medidas assistencialistas, no sentido de institucionalizar as pessoas com deficiência, criticando a “alegada insuficiência” do Orçamento do Estado e a contínua delegação às famílias da responsabilidade pela sobrevivência das pessoas com deficiência, negando‐lhes a possibilidade de uma vida própria.

“Não aceitamos estar aprisionados por força das barreiras atitudinais, linguísticas e físicas que a sociedade nos impõe e insiste em ignorar. Não aceitamos continuar invisíveis e impedidos de participar ativamente na vida em comunidade”, prossegue o documento.

A marcha reuniu algumas associações e coletivos, como o Núcleo de Inclusão, Comunicação e Média, a Associação Salvador, o coletivo 8M, utentes da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães e da Cercigui, bem como apoio logístico da Câmara Municipal de Guimarães.

Vocacionado para reunir pessoas com vários tipos de deficiência – cegueira, surdez, pessoas surdocegas, mobilidade reduzida, deficiência intelectual e cognitiva, neurodivergência e multideficiência –, o coletivo promete continuar a “existir e resistir” enquanto o mundo não estiver preparado para “uma vida livre, digna e autodeterminadas”, em que as pessoas com deficiência possam “escolher onde, como e com quem viver”. “As associações decidiram formar o coletivo Vida Independente em Marcha. Queremos abranger todas as pessoas com deficiência em Portugal. Os direitos são os mesmos”, diz Marco Ribeiro.

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