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“Só mudamos o território se mudarmos as pessoas”. E este livro pode ajudar

Pedro C. Esteves
Ambiente \ sexta-feira, junho 18, 2021
© Direitos reservados
Foi apresentado o livro "O Ave para Todos", fruto do trabalho de muitos "eco-alunos" e escolas. É preciso consolidar a ligação “entre homem e rio” – algo que começa “nos mais jovens”.

O rio Ave pode não ter “tantos problemas de poluição”, mas ainda há muito trabalho a fazer – e, para além disso, há espécies “não indígenas” que têm um impacto negativo na biodiversidade. A mensagem foi transmitida por pequenos embaixadores de diferentes escolas que, ao abrigo do projeto Ave para Todos – iniciativa da Câmara Municipal de Guimarães e desenvolvida pelo Laboratório da Paisagem –, ficaram a saber mais acerca deste curso de água que atravessa o concelho.

Este conhecimento é produto do trabalho que vem sendo feito pelo Ave para Todos, um projeto de literacia ambiental que calcorreou 14 freguesias esquartejadas pelo Ave e alcançou cerca de 700 alunos. E é também graças ao contributo destes “eco-alunos” que, esta sexta-feira, no Instituto de Design de Guimarães da Universidade do Minho, foi apresentado o livro “O Ave para Todos”. Que, de acordo com a vereadora do ambiente,” traça um caminho” a ser continuado.

“Para valorizar o Ave, realizamos o “Ave para Todos”. Pensado e estruturado com todos. Só assim conseguimos a mudança”, referiu Sofia Ferreira. No livro está patente a simbiose entre a investigação realizada pelo Laboratório da Paisagem – e programa PEGADAS –, aliada ao trabalho realizado nas escolas (a vertente educativa) e a comunicação - só assim a informação chega às pessoas.

E o objetivo devolver o rio Ave à comunidade encontra nas escolas um dínamo fundamental na criação de “eco-cidadãos”. “Não se vão esquecer de escrever e de ler, porque aprenderam na escola. Se a escola vos ensinar, vos conseguir mostrar que o rio, o Ave, precisa de ser preservado, precisa de ser cuidado, estudado, nunca mais se vão esquecer”, vincou Adelina Paula Pinto.Por isso”, continuou a vereadora do ambiente, “não vão deixar que ninguém viole, suje e trate mal” este curso de água que nasce na Serra da Cabreira

Adelina Paula Pinto aproveitou para agradecer às escolas, professores e comunidade estudantil o trabalho que têm realizado ao longo do último ano. Com o livro, Guimarães também mostra “que cuida das margens, que ama o rio. “E tudo o que amamos, cuidamos”, frisou. “Devem estar tão orgulhosos. Cada um de vocês contribuiu um bocadinho para o tanto trabalho que foi feito e há ainda muito trabalho a fazer”, reforçou.

O livro também mostra isso. E a ideia de trabalho contínuo foi reforçada pelo diretor-executivo do Laboratório da Paisagem, Carlos Ribeiro: “Mais do que nosso, é fruto de trabalho dos alunos e professores. É o primeiro capítulo de uma história para continuar e fica um compromisso de que esta história não termina aqui”. “Não se consegue transformar território sem transformar os cidadãos, são um fator determinante”. Para isso, é necessário “criar identidade” e consolidar a ligação “entre homem e rio” – algo que começa “nos mais jovens”.

 

Replicar, replicar

Nesta tarefa de valorização do Ave “todos contamos”, disse o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança. Entre elogios ao trabalho feito, o autarca reiterou o desígnio de tornar o concelho numa referência ao nível do cuidado com a bacia hidrográfica do Ave. O cariz metodológico da obra apresentada permite que muitas ações sejam “replicadas” noutros município. Podem, inclusive, ser melhoradas “com dinâmicas distintas”, disse Carlos Ribeiro.

Os elogios também chegaram da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). José Pimenta Machado, vice-presidente da agência salientou a “importância da literacia ambiental”. O livro diz-lhe “muito”. “Comecei a trabalhar no Rio Ave, na tarefa de despoluição. O tempo de impunidade passou, somos mais exigentes”, assegurou.

O vice-presidente deixou ainda um desafio ao município: o de replicar uma iniciativa desenvolvida em algumas escolas do Algarve. O objetivo passa por tentar medir “o consumo de água por dia ou por mês” da comunidade escolar. “Uma avaliação interna, perceber a eficiência no uso de água", disse.

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