Sociedade Martins Sarmento apresenta exposição sobre a figura de Viriato
Os avanços dos romanos pela Península Ibérica durante o século II a. C. desencadearam conflitos com os povos indígenas, entre os quais os lusitanos, cujo líder, Viriato, é ainda hoje recordado, através de uma “imagem simbólica” de força, coragem e resistência perante a adversidade que é alvo de várias narrativas em exposição na Sociedade Martins Sarmento, a partir desta segunda-feira até 19 de abril. Intitulada “Viriato, o líder lusitano na memória coletiva do Ocidente”, a mostra propõe um olhar sobre as narrativas que contribuíram para a vitalidade e permanência da memória dessa “figura histórico-mítica”.
As referências a Viriato, que se presume ter vivido entre 190 a.C. e 139 a.C., remontam aos escritos de Posidónio e Diodoro no século I a.C.. Com a passagem dos séculos, vários trabalhos literários e históricos foram produzidos em Portugal e Espanha, com os investigadores a reconhecerem “a importância de alguns elementos caracterizadores da personalidade de Viriato”, mas a alertarem também para a “observação acrítica dos escritos”, que refletem, com frequência, os posicionamentos ideológicos dos autores e o ambiente cultural e político em que foram elaborados, refere a sinopse da exposição.
No domínio da arqueologia, o nome Viriato - aquele que usa a viria no braço, adorno que assinala a relevância hierárquica do guerreiro que enverga tais ornamentos – liga-se aos estudos que contribuem para a compreensão do período da expansão romana e para o conhecimento sobre a constituição e organização das comunidades indígenas.
Em Portugal, a obra literária de Luís de Camões, Fernando Pessoa, Teófilo Braga ou Miguel Torga evoca os feitos e o caráter do guerreiro lusitano, cujo destino trágico, o seu assassinato executado por companheiros de combate, subornados pelo responsável da campanha romana, Cipião, enfraqueceu a oposição guerreira dos lusitanos.