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Também se lê "Os Lusíadas” no português de hoje, com ilustração no feminino

Tiago Mendes Dias
Cultura \ segunda-feira, outubro 11, 2021
© Direitos reservados
Com lançamento previsto para 21 de outubro, a versão do poema épico criada no âmbito da Bienal de Ilustração de Guimarães tem ilustrações de 10 autoras e o texto adaptado à contemporaneidade.

Obra que “não só faz parte do cânone português, como mundial”, Os Lusíadas vão aparecer em breve nas livrarias com uma roupagem diferente da norma, concebida a partir da Bienal de Ilustração de Guimarães (BIG), já na terceira edição. Em parceria com a Câmara Municipal de Guimarães, com a Universidade do Minho e com a editora Kalandraka, a BIG apresentou nesta segunda-feira de manhã uma versão da obra de Luís Vaz de Camões com um texto adaptado ao “português corrente” e um trabalho gráfico integralmente feminino, algo inédito no que se refere à literatura.

“Posso dizer com orgulho que Portugal, um país de que gosto e no qual trabalho, é o primeiro a fazer um trabalho ilustrado inteiramente concertado por mulheres, para uma obra que não só faz parte do cânone português, como mundial. Na ilustração, Portugal é dos países com mais representação. Temos artistas a trabalhar para o mundo inteiro”, realçou um dos diretores artísticos da BIG, Tiago Manuel, durante a sessão decorrida no Palácio Vila Flor.

Com ilustrações das artistas Carolina Celas, Joana Rego, Joana Estrela, Madalena Matoso, Amanda Baeza, Inês Machado, Mariana Rio, Catarina Gomes, Marta Madureira e Marta Monteiro e um ‘design’ elaborado por Joana Pires, a obra vai estar nas livrarias a partir de 21 de outubro.

A opção pelo feminino não foi um acaso; é uma tentativa de ir além da “igualdade” prevista “na lei e na Constituição” e da “retórica” que lhe está associada”, contendo a “força simbólica” de ser o primeiro trabalho de ilustração de uma “obra canónica” integralmente elaborado por mulheres, frisou o responsável.

O elenco, escolhido pelo júri dos vários prémios da BIG a partir de uma lista de ilustradoras mais vasta, dá uma “visão muito diferente” da epopeia face àquela que seria dada pelos homens.

Além das ilustrações, a edição apresenta ainda um texto adaptado à contemporaneidade, graças ao trabalho da professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, conhecedora da obra camoniana, Rita Marnoto.

“Uma obra destas implica cuidados e subtilezas. A pessoa mais indicada para adaptar o texto era a professora Rita Marnoto, com uma obra extensíssima em Camões”, explicou Tiago Manuel.

Lançada pela Kalandraka, editora especializada na publicação de obras ilustradas, a versão ilustrada de “Os Lusíadas” vai ter 1.200 exemplares, com 600 disponíveis no mercado livreiro, a um preço unitário de 35 euros.

A responsável Margarida Noronha disse sentir um “orgulho imenso” por ter no catálogo da editora uma obra com uma “modernidade gráfica” que pode levar o poema épico de Luís Vaz de Camões a “públicos-alvo” diferentes dos habituais.

 

200 exemplares para as escolas vimaranenses

Já Adelina Paula Pinto, vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal, entidade que vai distribuir 200 exemplares pelas escolas do concelho, realçou que o trabalho das 10 ilustradoras convocam os leitores a “reinterpretarem” o trabalho de Camões e a “olharem o mundo com novas janelas”.

Outros 300 vão ser distribuídos pela Universidade do Minho. Para o reitor, Rui Vieira de Castro, esta é uma forma das instituições de ensino superior são mais do que os lugares onde se providencia “educação superior às pessoas” e se procura o “alargamento das fronteiras do conhecimento”.

“[A Universidade do Minho] também quer ser uma instituição que intervém no desenvolvimento cultural, social e económico. (…) A partir da própria reitoria da universidade, já temos editado obras fundamentais da literatura portuguesa, como Os Lusíadas por comemoração dos 30 anos da Universidade do Minho [em 2003]”, recorda.

Rui Vieira de Castro vincou ainda que a adaptação do texto de Camões para o “português corrente” visa “permitir um acesso mais generalizado a uma obra que nem sempre os jovens e a população em geral alcançam”.

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