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Tempo Livre completa 25 anos: “Mudou o paradigma do desporto”

Bruno José Ferreira
Desporto \ quarta-feira, janeiro 24, 2024
© Direitos reservados
Na prática de atividade física vimaranense “há um antes e um depois” da Tempo Livre, a cooperativa que nasceu precisamente para incentivar à prática de desporto numa vertente mais informal.

“Laboratório” de modalidades, cérebro da Guimarães Cidade Europeia do Desporto e gestora das principais infraestruturas desportivas da cidade, prepara-se para novos desafios.

Em janeiro de 1999 António Cardoso esgueirava-se pela Rua de Santa Maria, no Centro Histórico de Guimarães, após trocar o emprego numa multinacional para abraçar “um projeto apaixonante”. Num “gabinete muito fechado, quase sem janelas e sem computador” ganhava corpo, há 25 anos, a régie-cooperativa Tempo Livre. António Cardoso, natural de Campelos, foi, na altura, o primeiro funcionário; aposentou-se recentemente, mas continua a colaborar com o projeto cujo crescimento era, à partida, “difícil de perspetivar” quando hoje se olha para trás. “Comecei a trabalhar em frente à Câmara, por cima da tesouraria”, recorda. Apesar da dificuldade em antever o futuro de enorme crescimento que se veio a verificar, com as reuniões preparatórias que foram sendo realizadas, o funcionário administrativo admite que o projeto “foi pensado para criar algo novo” e para “dinamizar o desporto em Guimarães”.

Amadeu Portilha é um dos rostos da criação da Tempo Livre, com data oficial de 22 de janeiro. Foi incumbido por António Magalhães, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, de dar corpo a este desafio: “Sensibilizar a população para a prática de exercício físico”. Um propósito que se mantém 25 anos depois, salienta Amadeu Portilha. “A Tempo Livre ajudou a mudar o paradigma do desporto em Guimarães; há um antes e um depois da Tempo Livre. Se repararmos, em 1999 tínhamos poucas modalidades – apenas as mais convencionais – poucos clubes e muito poucas instalações desportivas”, aponta.

Foi neste cenário que se alicerçou o trabalho da Tempo Livre, atualmente com 73 funcionários, assumindo António Cardoso que “se inovou em muitos aspetos que hoje são replicados de forma natural em todo o país”. Amadeu Portilha complementa: “Começámos precisamente com um projeto pioneiro, a que chamámos PID – Projeto de Iniciação Desportiva, que hoje está banalizado por todo o país, as AEC -Atividades de Enriquecimento Curricular”. Na altura, este projeto iniciou-se com o recurso a jogadores reconhecidos de equipas vimaranenses a darem aulas nas escolas, como é o caso de Dimitar Nikolov, jogador de andebol do Francisco de Holanda.

 

Instalações desportivas, a “circunstância feliz” que catapultou a Tempo Livre

Num “laboratório que fez nascer várias modalidades”, a missão inicial mantém-se e agrega “projetos que preenchem o ciclo de vida de uma pessoa”, desde as barrigas das mães, com o ‘Barriguinhas Desportivas’ até à idade sénior, complementando-se com presença nas escolas, creches e jardins de infância. Também serve os adultos em contexto laboral.

À vertente desportiva, a Tempo Livre aliou, logo nos primeiros anos, outra atividade à sua atuação: a gestão de instalações desportivas, “uma circunstância feliz”, segundo Portilha, que transformou a cooperativa no que é hoje. “É impossível pensar numa dinâmica de promoção de desporto e atividade física sem ter condições infraestruturais. Na altura, a Câmara decidiu fazer um investimento que ainda hoje é dos mais marcantes e estratégicos da nossa cidade: a construção do Multiusos, da Pista de Atletismo e do Complexo de Piscinas. Conflui para a massificação do desporto em Guimarães”, destaca. Foi, por isso, necessário adaptar a Tempo Livre para essa função de gerir as instalações e grandes eventos, na ótica do Pavilhão Multiusos de Guimarães. “Fizemos tudo desde a base, com seleção criteriosa de colaboradores, que aportaram muito ao projeto ao longo dos anos”, valoriza.

Foi precisamente com os projetos desportivos, com as instalações e com o know how que na Tempo Livre se cozinhou aquele que é um marco para Guimarães. “A ideia da Cidade Europeia do Desporto nasce na Tempo Livre. Foi sugerida por um colaborador, investigámos, percebemos que nenhuma cidade portuguesa se tinha candidatado, falámos com a ACES Europe”, relembra o presidente da Tempo Livre. “Ainda hoje no ACES Europe nos dizem que a Guimarães Cidade Europeia do Desporto 2013 foi, talvez, a melhor que se fez”. Para isso, acredita, contribuiu o facto de se criar tudo de raiz: “Não copiámos nada, criámos eventos e projetos de raiz que ainda hoje, alguns deles, perduram no tempo”, vaticina.  

 

Hora de reflexão num lugar com “potencial de crescimento”

O assinalar dos 25 anos da Tempo Livre faz-se no limbo entre a perspetiva sobre esse quarto de século e os olhos no futuro. “Decidimos parar para refletir”, aponta o líder máximo da instituição, anunciando a contratação de um plano estratégico 24/27 a uma grande consultora internacional. “Já temos as nossas balizas muito bem orientadas para os próximos três anos”, define, apontando dois grandes pilares estratégicos: modernizar instalações, e aqui insere-se a preparação do Multiusos para um período de transição, e continuar aquele que é o desígnio da Tempo Livre, porque “a principal missão continua a ser incentivar a prática de desporto e de atividade física”.

“Apesar de Guimarães estar um pouco acima da média nacional no que à prática regular de exercício físico diz respeito – 33%, estamos quase na média europeia – a realidade é que temos ainda sete em cada dez pessoas que não praticam desporto. Que área de negócio tem 70% de potencial de crescimento?”, questiona Amadeu Portilha, apontando desde logo o que é necessário: “Temos de ser permanentemente criativos, inovadores, audazes e ousados”. “Trabalhamos com a felicidade das pessoas, tudo o que proporcionamos são momentos de felicidade, por isso ao ter este privilégio de trabalhar a felicidade das pessoas temos que ter também felicidade em tudo o que fazemos”, remata.

A outro nível, o grande desafio da Tempo Livre passa também por “requalificar as instalações”. “São quase 25 anos de instalações” que fazem com que a cooperativa esteja numa “grande fase de investimento”. No ano passado, investiu sensivelmente 600 mil euros na digitalização das infraestruturas, no “grande desafio de requalificar e modernizar as instalações de forma a não perder qualidade”. O Multiusos, “o maior ativo estratégico de Guimarães”, segundo Amadeu Portilha, está numa “fase de transição”, a preparar-se para o “corporate”, com eventos cada vez mais diversificados.

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