Tiago Margarido: “A receita passa por jogarmos o nosso futebol ofensivo”
Embora o empate com o Moreirense, a derrota com o Benfica e o triunfo sobre o Lamelas no fim de semana anterior, para a Taça de Portugal, sejam três desafios a ter em conta no sentido de melhorar os índices exibicionais do Vitória SC, o jogo para o qual Tiago Margarido mais olha no sentido de não o repetir é mesmo o dérbi com o vizinho de Moreira de Cónegos.
O técnico, de 37 anos, reconhece que os seus pupilos “não estiveram nada bem” nesse jogo e pretende ver uma equipa mais parecida com aquela que derrotou o Nacional, na terceira jornada, e empatou com o Casa Pia, num festival de desperdício, à quinta ronda, quando subir ao relvado do Estádio D. Afonso Henriques esta sexta-feira, pelas 20h45, para defrontar o Marítimo, na abertura da nona jornada da Liga Portugal Betclic.
“A receita passa muito por jogarmos o nosso futebol ofensivo. O Marítimo é uma equipa bem organizada, com experiência, que sabe ‘ler os momentos do jogo’. Temos de ser fortes. Temos de ter um jogo ofensivo e envolvente, com os laterais a criarem inúmeros desequilíbrios para vencermos. (…) O Marítimo tem a sua valia, mas se formos fiéis à nossa forma de jogar venceremos”, afirmou, na conferência de antevisão ao desafio.
Líder de um grupo que ocupa o 15.º posto da tabela, com cinco pontos após oito jornadas, o timoneiro rejeitou que o Vitória parta mais pressionado para o encontro com as madeirenses, tendo lembrado que o clube tem a pressão de “ganhar todos os jogos”.
“A pressão está bem presente desde o primeiro jogo do campeonato. Os jogadores estão preparados para isso. Precisamos muito dos três pontos. A equipa está tranquila e confiante e quer muito ganhar”, salientou.
Com Thiago Balieiro em dúvida e Alioune Ndoye de volta, após três jogos de suspensão, Tiago Margarido admitiu que a continuidade do brasileiro Lucas Furtado na baliza, após estrear-se pela equipa principal frente ao Lamelas, é “uma possibilidade, mas não uma garantia”, tendo recordado as várias trocas operadas nas várias equipas titulares que apresentou desde a jornada inaugural.
O técnico também pede o apoio dos vitorianos presentes no estádio para o desafio com os verde-rubros: “Os nossos adeptos percebem que precisamos muito deles e que vão criar um ambiente ‘infernal’ para o nosso adversário. Nos momentos em que estivermos menos bem, vão catapultar-nos para irmos para cima. Vão criar um ambiente de apoio à equipa nos 90 minutos. Depois, farão o seu juízo de valor em função do que fizermos”, disse.
Treinadores habituaram-se a “ser saco de pancada”
Questionado sobre as saídas de treinadores que se sucedem na Liga Portugal Betclic, com Carlos Carvalhal a deixar o Famalicão, Carlos Vicens a dizer adeus ao Sporting de Braga e Alexandre Santos a terminar o curto trajeto no Nacional nesta semana, Tiago Margarido vincou que “há uma cultura instalada em Portugal na qual os treinadores são sempre responsáveis pelo sucesso ou pelo insucesso dos projetos”. Embora nuns casos, o treinador possa ser o principal responsável, o técnico crê que há outros casos em que as “estruturas do futebol” escondem os seus erros ao despedirem treinadores.
“Ao longo do tempo, habituámo-nos a ser o ‘saco de pancada’, mas, num projeto global, há muitos responsáveis. Não podemos ser os únicos responsáveis pelo sucesso ou pelo insucesso desportivo. É algo instalado e com que temos de saber lidar. Quando as coisas não correm tão bem, nem sempre é culpa dos treinadores. Muitas vezes, as estruturas ‘escondem-se’ nos treinadores quando as coisas não correm tão bem”, frisou.