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Torneio de retórica formalizado: “Impacto social exige continuidade”

Tiago Mendes Dias
Educação \ terça-feira, março 21, 2023
© Direitos reservados
Após um 2022 que culminou na final do Teatro Jordão, em outubro, o torneio está agora institucionalizado nas escolas. O objetivo é perpetuar iniciativa com “impacto psicológico e cívico” nos alunos.

A afirmação do torneio de retórica, com a participação das quatro escolas secundárias do concelho de Guimarães nas várias sessões, lançou a institucionalização do projeto, confirmada nesta terça-feira, através da assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Guimarães, a Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense (ASMAV) e os quatro estabelecimentos de ensino.

Professor de filosofia da Escola Secundária Francisco de Holanda e presidente da ASMAV, Francisco Teixeira agradeceu aos alunos que participaram no torneio de 2022, com o seu “empenho” e a “surpreendente alegria” que exprimiram, aos professores das quatro escolas, nomeadamente os dos departamentos de filosofia e aos diretores, por levarem a iniciativa para a frente num “processo entrópico”, que “abala a rotina”, e aos colaboradores da ASMAV, tendo realçado os estímulos à argumentação suscitados pelo projeto.

“A iniciativa gera impacto psicológico e cívico nas suas vidas, mas só terá impacto social e na escola se tiver continuidade. É importante que os hoje alunos do 9.º ano saibam que podem disputar este torneio quando chegarem ao ensino secundário”, frisou, defendendo que a retórica ajuda a “estruturar uma vida cívica mais democrática”. “Não é brincadeira exporem-se perante centenas de colegas, defendendo, muitas vezes, opiniões que nem eram as suas. A democracia exige força, determinação, mas também abertura ao outro”, completou.

A assinatura desse protocolo contou com os testemunhos de quatro dos participantes na edição do ano passado, um de cada escola. Bruno Baião, da Escola Secundária Francisco de Holanda, realçou que a discussão de temas para lá das “metas curriculares das disciplinas”, entre os quais legalização de drogas, criação das forças armadas europeias, produção de energia nuclear ou tributação dos lucros das empresas lhe deu “novas competências ao nível do improviso e da argumentação” e também nas relações interpessoais, face ao “trabalho em grupo”.

Já Edna Leitão, da Escola Secundária de Caldas das Taipas, agradeceu a “oportunidade” de participar num torneio que lhe permitiu “trabalhar em equipa” e “evoluir o pensamento” de uma forma que é impossível na sala de aula e a “respeitar as opiniões do outro”. “Num mundo com tantas cores e opiniões, percebemos que nada é a preto e branco. (…) Mais do que nunca, é importante ensinarmos aos jovens desde tenra idade a formularem as suas opiniões, mas a respeitarem as do outro”, realçou.

O representante da Escola Básica e Secundária Santos Simões, Francisco Novais, disse que, enquanto aluno de Ciências e Tecnologias, a iniciativa o estimulou a “estudar outras áreas” – geografia, economia ou história -, enquanto Catarina Mesquita, da Escola Secundária Martins Sarmento, vincou a abertura de horizontes suscitada por uma iniciativa perante a qual se mostrou “reticente” ao início.

“Ficamos um bocadinho reticentes, porque é uma coisa nova, que não estamos habituados a ter na escola. Seria uma péssima decisão não participar”, constatou. “O torneio trouxe-nos muitas competências que não aprendemos na sala: aprender a aprender a ver o outro lado, não fechando os nossos horizontes. Defendíamos as posições que não eram as nossas posições pessoais. Deu para perceber que toda a gente estava envolvida no torneio, desde alunos a público”.

 

Vereadora “feliz” com projeto que leva os alunos a “calçarem os sapatos do outro”

Consumada a assinatura do protocolo, a vereadora municipal para a educação afirmou “um orgulho imenso” por estar numa cidade com jovens cuja “capacidade de argumentação” a deixaram “deliciada”. “Estas competências são basilares para o século XXI, repleta de meios digitais, mas que não pode tirar a importância de argumentar perante o outro”, resumiu Adelina Paula Pinto.

A responsável política afirmou-se mesmo “feliz” com a institucionalização de um torneio que permite aos alunos desenvolverem “competências interpessoais”, como a de ouvirem os outros e a de “calçarem os sapatos do outro”, cabendo à autarquia o papel de “facilitadora”. “O papel da Câmara Municipal é de acrescentar valor e não de se substituir às escolas. Tem equipamentos e pode ser facilitador”, referiu.

Destinado aos alunos do 11.º ano, o torneio de retórica de 2023 está em curso, perspetivando-se a sua conclusão para junho.

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