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Uma rede para mostrar que há mais formas de ver e ouvir o teatro ou a dança

Tiago Mendes Dias
Cultura \ terça-feira, outubro 19, 2021
© Direitos reservados
Apresentada esta terça-feira em Guimarães, a Rede de Teatros com Programação Acessível quer proporcionar um acesso pleno à fruição cultural por quem tem “deficiência visual” ou “surdez”.

Enquanto anftriã, Fátima Alçada iniciou a apresentação da Rede de Teatros com Programação Acessível com uma breve descrição pessoal: “Sou a Fátima Alçada, trabalho como diretora artística da Oficina, tenho óculos, cabelo curto e ruivo, embora falso”. Algo trivial para a maioria das pessoas, esta descrição é uma ajuda para os amblíopes ou os cegos perceberem quem é o seu interlocutor. “As pessoas que não veem têm enorme dificuldade em associar o rosto à voz”, explicou, na sessão decorrida no Centro Cultural Vila Flor (CCVF).

A missão da recém-criada rede, constituída pelo Cine-teatro Louletano, pelo Teatro do Noroeste (Viana do Castelo), pelo Teatro Municipal Baltazar Dias e pelo Teatro Municipal da Guarda, é precisamente disponibilizar o acesso de quem tem deficiência visual ou surdez a uma peça de teatro ou a um espetáculo de dança.

Além de visar o pleno “acesso físico, social e intelectual” à participação cultural, este projeto é uma resposta à falta de programação para os cidadãos com “dificuldades funcionais”, à exceção de Lisboa e do Porto. “Há talvez uns quatro anos começámos a pensar na necessidade da criação de uma rede como esta. A programação em Lisboa tornava-se mais sólida e no Porto aparecia a uma escala mais pequena, mas não havia mais nada no país”, esclareceu Maria Vlachou, diretora executiva da Acesso Cultura, associação que coordena a rede.

Responsável pela entidade que tem como missão colocar a “questão do acesso” no “centro da reflexão e prática do setor cultural”, Maria Vlachou explicou ainda que os espetáculos incluídos na programação da rede vão ter “língua gestual portuguesa”, uma das três línguas oficiais do país, para o público surdo, e audiodescrição, com um profissional a falar nas “pausas das falas” dos intérpretes para quem é amblíope ou cego.

O primeiro espetáculo no âmbito da rede, "Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa", de Sara Barros Leitão, realiza-se a 18 de novembro, em Viana do Castelo. O espetáculo encenado e interpretado pela atriz marcado para Guimarães, a 10 e 11 de dezembro, também vai ter audiodescrição e língua gestual portuguesa. Uma semana antes, a 04 de dezembro, o CCVF vai acolher pela primeira vez um espetáculo "acessível" - é a peça de teatro "Orlando", criação de Albano Jerónimo.

A diretora executiva da Acesso Cultura vincou ainda que o projeto pode abrir caminho à formação de mais audiodescritores em vários pontos do páis, uma necessidade “cada vez mais urgente”. “A Acesso Cultura está a captar fundos para formar mais audiodescritores, tendo recolhido apoio da Câmara Municipal do Funchal, da Direção Regional de Cultura do Algarve e da Direção Regional da Cultura do Norte. Falta-nos seis mil euros para fazermos a formação”, disse.

Traduzida para linguagem gestual portuguesa, a sessão contou ainda com Sandra Nóbrega, do Teatro Municipal Baltazar Dias, Paulo Silva, do Cine-teatro Louletano, Ana Reguengo, do Teatro do Noroeste, Vítor Afonso, do Teatro Municipal da Guarda, e ainda Ana Feijó, representante da fundação La Caixa, mecenas da iniciativa.

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