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Vai-m’à Banda: quando as tascas têm banda sonora e os amigos bebem juntos

Tiago Mendes Dias
Cultura \ domingo, agosto 27, 2023
© Direitos reservados
Algumas centenas de pessoas distribuíram-se pela Tasca Expresso, pela Penha e pelo Trovador para ouvirem música e conviverem. A promotora do festival realça a ligação afetiva entre pessoas e espaços.

Das escadas que ligam a Alameda de São Dâmaso e o Largo de São Francisco, vislumbravam-se centenas de cabeças de olhos no palco, dispostas em semicírculo, no anfiteatro invertido que é o Largo do Trovador. O relógio assinalava meia-noite, o dia 26 dava lugar ao 27, e os Club Makumba prosseguiam ligados à corrente, no seu desfile de rock instrumental evocativo das culturas mediterrânica e africana. Uns 20 minutos depois, a multidão brindava o quarteto com uma salva de palmas antes de se voltar para as bancas dos finos ou de se desdobrar em vários círculos de amigos para dois dedos de conversa.

A seguir à atuação de Tó Trips, João Doce, Gonçalo Prazeres e Gonçalo Leonardo, ainda houve tempo para o DJ set de Tiago na sexta edição do Vai-m’à Banda, um festival em que se procura entrelaçar o rock, o convívio e a arte de comer e beber à moda de uma tasca. “As pessoas estão ligadas ao evento pela génese, pelos motivos que as levam a esses espaços, não só pelos nomes. As pessoas querem estar juntas, querem beber juntas, querem estar com amigos. No fundo, este é um festival de amigos, no verão, aqui em Guimarães”, resume Miguel de Oliveira, da Revolve, a promotora deste festival iniciado em 2017.

A síntese entre o ambiente de tasca e o palco para nomes emergentes do pop/rock nacional viu-se logo no primeiro recanto onde o Vai-m’à Banda assentou arraial: a partir das 15h00, João Peixoto e Manuel Fernandes da Silva, clientes habituais da Tasca Expresso, de malga de tinto na mão, partilharam o espaço com dezenas de pessoas em fila ordenada, de rostos quase sempre mais jovens: atrás do balcão, Clemente servia-lhes o néctar e os acompanhamentos, se assim quisessem: fatias de pão de milho ou um prato com enchidos. No exterior, a voz de Catarina Branco fazia-se acompanhar do órgão, entoando temas onde sobressaíam as tribulações das relações humanas.

A caravana do Vai-m’à Banda ascendeu à Penha de teleférico para assistir de pronto à descarga de energia dos Algumacena, enquanto o público usufruía dos bolos com carne ou sardinha da Adega do Ermitão. Esse foi o primeiro capítulo da passagem pela Penha; o segundo deu-se nos Amigos da Penha, com Branco toca Marco Paulo – o artista reinterpretou temas do reconhecido cantor num formato jazz, tendo a companhia de João Sousa na bateria e de Carlos Barretto no contrabaixo.

O festival respirou fundo ao entardecer e ganhou fôlego para voltar à ação à noite. O público demorou a reunir-se no Largo do Trovador, mas a plateia estava já bem composta pelas 22h30 quando Femme Falafel – nome artístico de Femme Falafel - subiu ao palco para uma atuação em que envolveu os presentes com as suas canções pop, ornadas com sonoridades disco e hip hop. Pelo meio, havia quem fosse encher o copo ou dar uma espreitadela ao Tio Júlio. “Continuamos a dar uma banda sonora à cidade. Damos um contexto dos espaços que consideramos fulcrais e enigmáticos na cidade em termos de tascas, algo tão português. A adesão é enorme. As pessoas querem ver esses espaços, querem viver esses espaços”, considera Miguel de Oliveira.

 

 

“Temos ideias para expandir o festival”

Consolidado como o evento que assinala o último sábado de agosto em Guimarães, o Vai-m’à Banda “tem muito por onde crescer”, afirma o promotor da Revolve. “Temos ideias para expandir o festival, mas isso depende muito do financiamento, que é municipal”, resume. Para Miguel de Oliveira, “a cidade tem ainda mais oferecer” no que respeita a espaços típicos, a antítese daquele turismo que “generaliza tudo e torna tudo igual”. O responsável salienta até o orgulho por parte do público vimaranense em poder mostrar esses locais.

“Já se vê um orgulho pelas pessoas virem aos espaços de que tanto gostam e nas pessoas de fora por conhecerem um aspeto novo deste Minho. Aqui encontramos a diferença e as pessoas adoram isso”, considera.

 

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