Vitória guardava no banco os segredos para contornar Moreirense organizado
O dérbi entre Vitória e Moreirense teve um pouco de tudo: futebol rendilhado e jogo direto, velocidade pelas alas e futebol pachorrento pelo centro, domínio dos cónegos na primeira parte e dos vitorianos na segunda, um árbitro de critério apertado que privilegiou o apito para sancionar faltas… e até uma falha na iluminação que deixou o Estádio D. Afonso Henriques às escuras por 15 minutos, quando restava apenas jogar dois minutos e meio. No final de contas, porém, o resultado foi o do costume, sempre que os dois representantes do concelho de Guimarães na Liga Portugal Betclic se encontram no centro da cidade: pela terceira época consecutiva, o Vitória triunfou por 1-0.
Os protagonistas do golo decisivo na abertura da 20.ª jornada saíram do banco de suplentes: Samu rendeu Oumar Camara ao intervalo e Alioune Ndoye substituiu Nélson Oliveira aos 63 minutos, numa fase em que o domínio vitoriano começava a ser notório. Dois minutos depois, o senegalês esgueirou-se entre Stjepanovic e Dinis Pinto, quase de surpresa, para ganhar posição e ser derrubado pelo sérvio já no interior da área. Na hora de converter, Samu atirou para o meio e enganou André Ferreira.
O golo decidiu um embate de vizinhos com superioridade repartida. O Vitória até entrou em campo com uma frente de ataque composta por quatro elementos – Oumar Camara, Noah Saviolo, Gustavo Silva e Nélson Oliveira -, numa aposta clara num futebol mais direto para ameaçar a defesa remodelada dos cónegos, com Stjepanovic a recuar do meio-campo para o eixo e Afonso Assis a ocupar o seu lugar no miolo.
Os primeiros 10 minutos pareciam indicar um Vitória dominador, mas o Moreirense adaptou-se rapidamente a essa tática, com todos os elementos da linha defensiva a trocarem a bola com segurança e a vislumbrarem os espaços para servirem os endiabrados Alanzinho e Diogo Travassos, encostado à esquerda.
Os ataques cónegos bem delineados atrás passaram quase sempre por esses dois elementos e culminaram em várias situações de eventual perigo, nas quais o último passe falhou quase sempre. A principal exceção foi Alanzinho que rematou para grande defesa de Charles, aos 29 minutos.
Com apenas Beni Mukendi e Diogo Sousa para equilibrarem o miolo na primeira metade, o Vitória reentrou na segunda parte com outra cara e outro sistema tático – passou do 4x4x2 para o habitual 4x2x3x1. Apesar de a primeira ameaça da etapa complementar ter pertencido aos cónegos, por Diogo Travassos, a corrente do jogo passara a fluir no sentido da outra baliza. O cabeceamento de Gustavo Silva e o remate de Samu para defesa vistosa de André Ferreira prenunciaram um golo que apareceria da marca de grande penalidade.
O golo nada mudou na toada da partida. O Vitória continuou mais à vontade, com Saviolo irrequieto na esquerda, e desperdiçou pelo menos um trio de situações para dilatar a vantagem, frente a um Moreirense incapaz de se reencontrar com o nível exibido na primeira metade, mesmo com uma abnegação inquestionável que se manteve até ao último segundo.
Feitas as contas, a formação preta e branca sobe provisoriamente um lugar - é oitava, com 28 pontos -, enquanto o Moreirense é sexto, com 30.