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Vitória SC acorda tarde para corrida inglória contra o cronómetro

Redação
Desporto \ domingo, setembro 06, 2026
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A equipa preta e branca só começou a despertar para o jogo a partir da meia hora, para dominar uma segunda parte onde desperdiçou ocasiões clamorosas, mas também abusou do chuveirinho.

No rescaldo da derrota no dérbi com o Sporting de Braga, o treinador do Vitória SC, Tiago Margarido, prometeu uma resposta neste domingo, na receção ao lanterna-vermelha Casa Pia, em que se previa um maior ascendente ofensivo da turma preta e branca. Ora, essa resposta ficou pela metade: a equipa de Guimarães dispôs de oportunidades flagrantes para marcar o golo que poder-lhe-ia valer o triunfo, mas desperdiçou-as.

Esse desperdício conta uma boa parte da história do Vitória – Casa Pia, que terminou com um nulo no marcador, mas não toda. Os homens que ostentam a imagem de D. Afonso Henriques ao peito foram superiores na maior parte do tempo, mas não nos 90 minutos. Esse tempo perdido obrigou o Vitória a acelerar à medida que o apito final se aproximava, com a habitual pressa que nem sempre é boa conselheira.

Essa supremacia só começou a vislumbrar-se a partir do minuto 15 e só se tornou definitiva a partir dos 35 minutos. Por essa altura, já os gansos, sem qualquer golo marcado no campeonato, tinham acertado no poste, num cabeceamento de David Silva.

Na verdade, a entrada do Vitória SC esteve muito longe do ritmo, do acerto e da criatividade necessários para deixar a retaguarda dos gansos em sobressalto e para o golo na baliza contrária se tornar iminente.

A troca de Gonçalo Nogueira por Beni Mukendi, com Doucet a subir para o lugar do médio felgueirense, não funcionou. Apesar de não terem feito más exibições a nível individual, os dois jogadores pisaram várias vezes os mesmos terrenos, o que emperrou a manobra ofensiva vitoriana. Pior do que isso, o outro vértice do miolo, Samu, protagonizou uma exibição desinspirada, com várias ações desastradas, papel reduzido na construção da equipa e ainda duas oportunidades desperdiçadas quando se isolou.

Face à escassez de criatividade no setor intermédio, o Vitória recorreu sobretudo às combinações entre laterais e extremos para chegar à área casapiana, mas esses desenhos culminavam quase sempre em cruzamentos afastados pela defesa adversária, alta de estatura.

Foi preciso um remate de ressaca de Lohann Doucet embater com estrondo no poste para a larga maioria dos 16.628 espetadores no Estádio D. Afonso Henriques soltar um “Aiiii”, em uníssono, já em cima do intervalo.

O Vitória apareceu no mesmo figurino para a segunda parte e continuou a mandar no jogo, com os mesmos defeitos e virtudes do primeiro tempo, embora diante de um Casa Pia cada vez menos pressionante, que se remetia cada vez mais à defesa para segurar o primeiro ponto no campeonato.

Com os gansos concentrados em frente à sua baliza, os comandados de Tiago Margarido instalaram-se junto à área contrária, mas nem sempre com discernimento para criar espaços.

Gustavo acertou na trave e viu Mandic negar-lhe um golo quando seguia isolado, enquanto Samu desperdiçou outra situação em posição privilegiada, mas, na maior parte do tempo, o Vitória limitou-se a cruzar para a área, à espera de um cabeceamento ou de uma emenda certeira, entre o mar de negro que se erguia diante da baliza.

As substituições tardaram, e o Vitória pouco melhorou com as trocas, apesar de manter a pressão sobre a baliza adversária até ao último lance, no qual Ouotro tentou o desvio decisivo de calcanhar, para David Sousa negar o golo em cima da linha de baliza.

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