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Voleibol: Play-off e final four são ambições do Vitória de Eduardo Faustino

Tiago Mendes Dias
Desporto \ quinta-feira, fevereiro 12, 2026
© Direitos reservados
Vitória recebe Académica de São Mamede no domingo, para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Play-off do campeonato está próximo. Crescimento da equipa sobressai na estreia como técnico principal.

Em Guimarães, Eduardo Faustino encontrou a porta que tanto desejava ver aberta para o regresso a Portugal, depois de quatro épocas a trabalhar na equipa feminina do Volleyball Franches-Montagnes, na Suíça. Nascido em Espinho, cidade onde o voleibol corre nas veias de quem a habita, aceitou, no início da presente época, o convite do Vitória SC para se estrear como treinador principal de uma equipa sénior masculina.

E o balanço intermédio da primeira temporada na elite do voleibol luso é, para já, positivo. Com objetivos de garantir o play-off do título na Liga Una Seguros e a presença na final four da Taça de Portugal, o Vitória está agora a “retirar o fruto de um trabalho” de crescimento, após “algumas peças no sete base” terem mudado em relação ao ano passado.

A evolução transparece nos resultados. Após a derrota em Lisboa, perante o Benfica (3-0), na primeira volta, o Vitória ocupava o 10.º lugar, com seis pontos, e estava de fora dos lugares de acesso ao play-off. No passado sábado, a equipa preta e branca voltou a perder com as águias, em casa, por 3-1, mas ocupa o sexto posto, com 28 pontos, com nove de vantagem face ao Atlântico da Madalena, nono classificado e primeiro emblema fora da zona de play-off. Ainda assim, Eduardo Faustino realça que os seus jogadores já mostravam capacidade para serem competitivos durante a primeira volta.

“Não conseguimos os mesmos resultados na primeira volta do que na segunda volta, mas, se compararmos a mesma altura da primeira fase com agora, todos os jogos que tínhamos perdido tinham sido sempre renhidos. Já sentíamos que podíamos ser competitivos. (…) Estamos a retirar o fruto deste trabalho, das pequenas adaptações que temos de fazer às características individuais dos atletas. São coisas que vêm com a experiência de jogo”, descreve ao Jornal de Guimarães.

 

Eduardo Faustino com o treinador adjunto, Miguel Macedo © Vitória SC

Eduardo Faustino com o treinador adjunto, Miguel Macedo © Vitória SC

 

“Temos dois jogos muito importantes” no fim de semana

O técnico dá o exemplo da primeira jornada do campeonato, em que o Vitória triunfou por 3-1 sobre o Clube K, nos Açores, mas com sets todos ganhos nas vantagens, para argumentar que a Liga Una Seguros é um “campeonato muito especial, no qual “é muito difícil encontrar a definição das melhores equipas, das do meio da tabela e das do fundo”.

Ainda assim, o Vitória quer garantir o play-off o “quanto antes”, após uma época 2024/25 em que só garantiu esse objetivo na última jornada da fase regular. Na presente temporada, garantir pelo menos o oitavo lugar exige apenas mais um triunfo, quando restam quatro jogos: os adversários são o lanterna-vermelha Ginásio de Santo Tirso, no próximo sábado, fora, e o Castêlo da Maia, a Académica de São Mamede e o Ala Nun’Álvares, todos em casa. Eduardo Faustino vinca, porém, que a equipa vai tentar a melhor classificação possível assim que garantir o play-off, até para evitar Sporting e Benfica, principais candidatos ao título, na primeira ronda. “Estamos muito perto dos lugares entre o terceiro e o quinto. Vamos tentar o melhor resultado possível”, assume.

Quanto à Taça de Portugal, avizinha-se um jogo decisivo. Após eliminar o Ginásio de Santo Tirso nos oitavos de final, o Vitória recebe a Académica de São Mamede no domingo, a partir das 18h00, para os quartos-de-final. O embate com o terceiro classificado da Liga Una Seguros, que a equipa de Eduardo Faustino já derrotou na primeira volta, em Infesta (3-1), garante uma das vagas na final four, etapa em que os vimaranenses competiram pela última vez em 2021/22, em Viana do Castelo. Eduardo Faustino recusa, porém, que o jogo esteja a merecer preparação especial.

 “Não tem de ser preparado com especial foco. É um jogo da Taça, com uma equipa do nosso campeonato, que vamos voltar a defrontar daqui a duas semanas. Já a defrontámos há mês e meio. A preparação acaba por não ser muito diferente. Temos jogo no sábado, contra o Santo Tirso, para o campeonato, que também é importante. Temos dois jogos muito importantes. A final four é certamente um objetivo para nós. (…) Jogamos em casa e queremos que o jogo caia para o nosso lado", esclarece.

 

Eduardo Faustino abraça Paul Nicole, um dos reforços para 2025/26 © Vitória SC

Eduardo Faustino abraça Paul Nicole, um dos reforços para 2025/26 © Vitória SC

 

“Vinha de comboio de Espinho para ter essa sensação de pavilhão cheio”

Eduardo Faustino formou-se como jogador na Académica de Espinho e trabalhou durante nove anos no Sporting de Espinho como técnico, antes de rumar à Suíça. No regresso ao país natal, consegue traçar as diferenças entre o voleibol dos dois países. “Cá o campeonato e as estruturas dos clubes são mais profissionais do que na Suíça, mas o campeonato tem qualidade e tem orçamentos financeiros para contratar melhores jogadores. Esta mudança, a nível pessoal, da Suíça para Portugal, foi muito importante para mim e para a minha família”, compara o técnico de 34 anos.

O regresso a solo luso tinha, porém, de garantir “um projeto com pés e cabeça”, algo que diz ter encontrado no Vitória, um clube com uma “estrutura excelente” à volta do treino, a nível de fisioterapia, de condições de trabalho e de preparação física. “Foi muito fácil a adaptação”, resume.

Eduardo Faustino reconhece ainda que tinha o objetivo de treinar o Vitória pelos ambientes intensos que presenciou há cerca de 20 anos no pavilhão, quando viajava de Espinho para ver os jogos entre os tigres da Costa Verde e a equipa que ostentava a imagem de D. Afonso Henriques, os dois principais candidatos ao título nacional na altura.

“Não há ninguém em Portugal que não conheça o adepto do Vitória e a forma como vive o clube e como vive o seu dia a dia perante o clube. É muito importante começarmos a ter mais gente nas bancadas. Há 20 anos, o Vitória estava no seu auge ou quase. Cheguei a vir ver de comboio de Espinho para ver jogos e ter essa sensação de ter um pavilhão cheio, com gente a apoiar”, lembra.

Apesar de não ter ainda vivido essa sensação a 100%, o técnico espinhense realça que atrair mais adeptos ao Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense é um trabalho que compete à equipa. “Se formos mais competitivos e trouxermos melhores resultados, as pessoas começam a apoiar-nos e a seguir mais o nosso percurso. Não temos a bancada como gostaríamos, mas faz parte do nosso trabalho atrair os adeptos para virem ver os jogos e para se identificarem com a equipa”, reitera.

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