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As cores do ambiente

José Cunha
Ambiente \ sábado, agosto 14, 2021
© Direitos reservados
Apesar de todas estas manifestações da natureza, e de todo o conhecimento disponível, por terras da cidade berço não se nota qualquer intenção de mudança de paradigma.

O Painel Intergovernamental sobre as alterações climáticas (na sigla em inglês IPCC) divulgou esta semana um relatório que foi apelidado pelo Secretário-geral das Nações Unidas como um “código vermelho para a humanidade”.

O relatório, que descreve cinco cenários futuros diferentes, alerta para a inevitabilidade e irreversibilidade dos fenómenos climatéricos extremos, que serão mais intensos e frequentes e chegarão a novas latitudes.

Nas palavras de um coautor do documento, “o relatório deveria causar arrepios na espinha a quem o lesse”. Mas será certamente pela confirmação da gravidade das alterações climáticas que vários líderes mundiais apelam para que sejam consideradas na COP de Glasgow medidas mais contundentes para acabar com os combustíveis fósseis.

As cheias ocorridas na Europa central, a par das temperaturas recordes no Canadá e dos incêndios na Sibéria, são evidências dos inúmeros e antigos alertas que agora, neste relatório, são confirmados como um perigo eminente para a humanidade.

Apesar de todas estas manifestações da natureza, e de todo o conhecimento disponível, por terras da cidade berço não se nota qualquer intenção de mudança de paradigma, e da direita à esquerda, do poder ou da oposição, as propostas ou declarações públicas dos seus dirigentes vão no sentido do crescimento económico baseado no consumo de recursos. A competitividade e atratividade do município são conseguidas à custa da sustentabilidade e resiliência do território que vai sendo esquartejado e usado ao bel-prazer dos interesses imobiliários e económicos. Em toda a classe política do município não se destaca ninguém com coragem de propor ou procurar novas estratégias de organização social e económica que rompam com o status quo.

Neste enquadramento, as cores com que pinto o ambiente neste verão são:

o vermelho do alerta de perigo para a humanidade;

o preto pelo futuro que se perspetiva;

e o verde esperança esbatido pela pouca fé que tenho nos dirigentes políticos.

Termino citando de novo o relatório do IPCC numa expressão que ilustra na perfeição o comportamento do Homem: “caminhamos para um buraco que continuamos a cavar”.

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