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Portugal, um país que o é 15 anos mais cedo do que o oficial

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Política \ sexta-feira, junho 24, 2022
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Porque é que a data da nossa independência tem que condizer com a da validação de Leão (inevitável), de 05 de outubro de 1143, e não com a data realmente acontecida e legítima nossa?

É historicamente irrefutável que o nascimento de Portugal teve lugar na Batalha de São Mamede, em Guimarães, a 24 de Junho de 1128. Perfazendo por isso Portugal, em 2022, 894 anos de existência. 

Subentende-se desconexa e enigmática a secular conivência da sociedade historiográfica portuguesa (uma ciência que deve primar pela razão factual), no seu alinhamento pela "convenção" do Tratado de Zamora de 5 de Outubro de 1143 (data em que o reino de Leão reconhece a independência portuguesa), como sendo esta a data "inaugural" da nacionalidade portuguesa. Quando Zamora foi tão-somente a admissão leonesa (capitulação, literalmente obrigada a aceitar), por via da força da independência portuguesa, consistente desde 1128. E por conseguinte, com a "aprovação" papal através da Bula Manifestis Probatum de 23 de Maio de 1179 (documento em que o Papa Alexandre III "confirma" Portugal um país independente).

Porque é que a data da nossa independência tem que condizer com a da validação de Leão (inevitável) e não com a data realmente acontecida e legítima nossa?

No momento em que Afonso Henriques leva de vencida Leão, estabelece aí a independência portuguesa. Somos imediatamente, ainda que em Berço, uma Nação. Se o território não mais sofreu a ingerência leonesa e a sua administração é totalmente autónoma a partir de então, esse é o dia do dealbar português e não quinze anos depois.

Portugal faz portanto, no dia 24 de Junho de 2022, 894 anos, a caminho de um país milenar. Ditam os factos e não as parciais vontades alheias, daquele e ainda do nosso tempo.

Afinal, a contagem da idade é feita a partir do nascimento ou do batismo? 

Nasce-se, logo existe-se, ou só quando se entra no "registo civil" é que o alguém se materializa (à época, o mesmo que a entidade papal para os países católicos, uma autoridade placebo/psicológica, já que na prática não funda, refunda ou origina quaisquer nacionalidades, para além da hipotética sua)?

Lógicas e sentimentos apartados, a mácula realidade é que não se vislumbra resposta mais clara e castradora e compendiadora do caráter dos nossos governantes locais e nacionais para estas questões, que não subserviência!

Se os países fossem fundados consoante a vontade de estrangeiros, se para o efeito fossem necessários os pagamentos avultados de outrora ao papado, então não haveria nações, mas um punhado só de autocracias. A palavra democracia não existiria sequer e a humanidade sobreviveria em imutável idade das trevas.

Foi em Guimarães! Foi há 894 anos! Foi por vontade de Afonso Henriques e seu povo! Segundo a vontade de Deus (todas as batalhas decisivas da história de Portugal terão sido, quase sempre, acompanhadas da presença e milagres de Cristo, por isso a presença das Cinco Chagas na bandeira). E homem algum se sobrepõe aos desígnios divinos e à verdade em si e por si fundada.    

A evolução da humanidade é impulsionada pela consciência e admissão da realidade de facto. Se tempos houve em que estes acontecimentos foram ajustados e toldados por interesses extra-Portucale, já há muito é tempo de os mesmos serem repostos conforme o sucedimento e respetiva cronologia.

Portugal nasceu a 24 de Junho de 1128, em Guimarães, sendo pleno soberano do seu destino desde essa data.

 

A voz do leitor: Filipe Santos

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