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A coleção integral do CIAJG estará à vista a partir de outubro

Tiago Mendes Dias
Cultura \ quarta-feira, julho 13, 2022
© Direitos reservados
Só algumas das peças das coleções têm estado expostas em 10 anos. No próximo ciclo expositivo, a inaugurar a 08 de outubro, as reservas serão esvaziadas e ver-se-ão os 1.128 objetos que as compõem.

No piso mais acima do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), abre-se uma sala com 38 máscaras que encaram o visitante; elas provêm de diferentes culturas africanas, maioritariamente subsarianas, e foram adquiridas por José de Guimarães na década de 80. “É o ex-libris do museu”, reconhece ao Jornal de Guimarães a coordenadora artística, Marta Mestre.

A partir de outubro, porém, os cavaletes que as suportam serão virados para a parede, obrigando o público a deslocar-se até ao fundo da sala para as ver. “Será feito assim para obrigar as pessoas a uma nova perceção do espaço. São experiências que fazemos ao longo do tempo para não mantermos o museu imóvel. Ele não pode imobilizar-se”, acrescenta.

Essa é uma das novidades alinhavadas para o próximo ciclo expositivo, a inaugurar a 08 de outubro. A outra é o esvaziamento das reservas: o que se vê das coleções de arte africana, arte antiga chinesa e arte pré-colombiana é apenas uma parte do que o centro de arte contemporânea alberga. O acervo de 1.128 objetos vai-se espalhar pelo museu, segundo intervenção arquitetónica de André Tavares e de Ivo Poças Martins.

A acompanhar o assalto às reservas, o CIAJG vai apresentar uma exposição de Sara Ramo, artista hispano-brasileira que, entre 2019 e 2020, apresentou no Museu Reina Sofia, de Madrid, lindalocaviejabruja, um trabalho em que reformula o significado de objetos com cada vez menos espaço no quotidiano das pessoas.

Estas são marcas de um ciclo que se vai designar Heteróclitos, revela Marta Mestre: “Tem precisamente a ver com esse caráter polifónico. É uma espécie de continuação da ideia de Voz Multiplicada. Os heteróclitos têm a ver com aquilo que é estranho, distinto entre si”.

Em associação à dimensão expositiva, o dia inaugural terá ainda música e cinema, num programa com atividades das 11h00 às 23h59, “se tudo correr bem”, adianta Marta Mestre. A programação musical estará a cargo da Revolve, editora e promotora vimaranense, responsável pelo festival Mucho Flow, por exemplo. Já a sessão de cinema, reservada para a black box, assinala o encerramento da quarta edição do Terra; na véspera, o mesmo espaço acolhe o quarto e último concerto desse ciclo de músicas e cinema do mundo.

Exemplares da coleção de arte antiga chinesa, no CIAJG

Exemplares da coleção de arte antiga chinesa, no CIAJG

 

Museu tem de mudar. Na coleção de arte antiga chinesa, fá-lo-á em definitivo

Ainda no piso superior, são dezenas as peças que se acumulam ao longo de uma sala escura e esguia: figuras humanas, animais, recipientes para vinho ou alimentos, bacias ou modelos de fogão em jade, bronze ou terracota.

A configuração da coleção de arte antiga chinesa, com artefactos referentes a períodos como o da cultura Hongshan (3400 – 2300 a.C.), o dos Estados Combatentes (475 – 221 a.C.) ou à dinastia Han (202 a.C. – 220 d.C.), está prestes a mudar… definitivamente.

“A arquitetura não nos convida a descobrir as peças. Temos o lado A e o lado B. É uma estrutura demasiado volumétrica para a leveza que queremos dar. Vamos ter uma nova expografia. A sala será intervencionada de forma permanente”, revela Marta Mestre.

Para a coordenadora artística, essa é uma atitude em consonância com a de um museu “sempre em mudança”, como, a seu ver, deve ser o CIAJG. “Nada está igual ao que estava na inauguração. Por vezes, as pessoas dizem que já foram ver uma vez e não precisam de ver mais. Mas temos sempre exposições renovadas”, conclui.

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