skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
15 junho 2021
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

ACES em 2020: mais trabalho para menos consultas

Tiago Mendes Dias
Saúde \ sexta-feira, maio 14, 2021
© Direitos reservados
Limitando a análise às 22 Unidades de Saúde Familiar (USF), a de Ronfe apresenta os melhores resultados em 2019 e em 2020, ainda que com uma quebra.

A taxa de consultas realizadas com marcação no próprio dia até subiu, mas a cobertura presencial do Agrupamento de Centros de Saúde do Alto Ave (ACES Alto Ave) caiu a pique. Estas conclusões extraem-se do diagnóstico à atividade do ACES em 2020, ao qual o Jornal de Guimarães teve acesso.

Nesse documento, verifica-se que, num índice de zero a 100, o desempenho no indicador “Consulta no próprio dia” aumentou de 65,3, em 2019, para 86,1 no ano passado. Pelo contrário, a dimensão “Cobertura ou Utilização” baixou de um resultado de 83,7 para 49,7. A causa do sucedido é a covid-19, afirma o diretor executivo do ACES. “Foi a pandemia, naturalmente. De 19 para 20, houve uma adaptação; diminuíram as consultas presenciais, aumentaram as consultas pelo telefone”, resume Novais de Carvalho, explicando que o índice só conta o trabalho presencial.

Em Guimarães, por exemplo, o documento mostra que a área dedicada à covid-19 fez mais de 100 atendimentos semanais entre 04 de setembro de 2020 e 11 de fevereiro de 2021, atingindo um pico de 491 entre 30 de outubro e 05 de novembro, a fase mais crítica da pandemia no território.

As unidades reorganizaram-se, com os médicos de família a terem de “acompanhar os doentes positivos” e a limitarem as “restantes consultas presenciais ao prioritário”, admite o responsável. “Era preciso acompanhar a saúde materna, a saúde infantil, os diabéticos, os hipertensos, os idosos”, diz. Mas as equipas de saúde nem sempre se mantiveram estáveis, pois houve profissionais infetados ou com familiares nessa situação quando havia “muito mais tarefas” por cumprir do que o habitual, explica Novais de Carvalho.

Tais limitações contribuíram para a queda do Índice de Desempenho Global (IDG) do ACES Alto Ave face a 2019. Se há dois anos o desempenho foi de 79,40, o sexto melhor entre os 24 agrupamentos da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, no ano transato o valor caiu para 67,7, sendo o nono na ARS. Nos dois anos, o ACES Póvoa de Varzim / Vila do Conde teve o melhor resultado, embora com uma descida de 84 para 73.

O documento do ACES também exibe o IDG das 29 unidades que o compõem. Limitando a análise às 22 Unidades de Saúde Familiar (USF), a de Ronfe apresenta os melhores resultados em 2019 e em 2020, ainda que com uma quebra – de 91,4 para 80. A posição no ano passado explica-se pela decisão de retomar as consultas presenciais em junho de 2020, sugere a coordenadora Carina Antunes. “Outras unidades começaram muito depois a consulta presencial”, diz a médica.

A decisão foi um “risco”, assume. Obrigou cada médico a desinfetar o seu consultório e a sala de espera a receber utentes de apenas “um grupo de risco” de cada vez. Além disso, os médicos tinham de dar as “consultas não presenciais” aos doentes que “não podiam ir ou tinham receio de ir” à USF, de fazerem telefonemas para rastrear a covid-19 e ainda “muito trabalho burocrático”. “Em 2020, trabalhámos o dobro de 2019”, estima Carina Antunes. “Houve dias em que tivemos dez horas de horário assistencial e fins de semana em que com cinco e seis horas ao sábado e ao domingo”.

Os 28 profissionais da USF tiveram assim de se “superar”, até porque, entre novembro e dezembro, metade da equipa esteve infetada com o novo coronavírus. “Mesmo nessa altura, a unidade não fechou. Isso exigiu um esforço muito grande de todos”, lembra a médica responsável pela USF que sere mais de 10 mil utentes em Ronfe, Brito, Airão, Vermil e até Pedome, no concelho de Famalicão.

A quebra de desempenho foi porém evidente em alguns setores, mesmo em Ronfe. Na USF, o desempenho relativo à diabetes baixou de 90,9 para 54,2 e o dos doentes respiratórios de 100 para 50. No caso da diabetes, essa variação deve-se ao facto de os pacientes terem feito uma em vez das habituais duas consultas por ano, enquanto, nos doentes respiratórios, o atendimento presencial diminuiu face ao “receio de saírem de casa”, diz Carina Antunes.

Confrontado com as diferenças entre setores, Novais de Carvalho realçou que a prioridade do ACES desde março de 2020 foi dar “um acesso rápido aos suspeitos de terem a doença”, o que levou à sobrecarga dos profissionais e à consequente “quebra do atendimento em algumas áreas”.

Pub

Artigos relacionados

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: O Que Faltava #04