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Câmara aprova apoios a projetos culturais… entre debate e Mimo

Tiago Mendes Dias
Política \ segunda-feira, maio 25, 2026
© Direitos reservados
Aprovado apoio de 257 mil euros a 12 projetos, como a Contextile ou o Rock no Rio Febras, PS comparou investimento em projetos endógenos ao do festival Mimo. Araújo aponta incoerência aos socialistas.

A atribuição de subsídios a 12 projetos culturais de interesse municipal, no valor total de 257.250 euros, motivou uma declaração de voto por parte de Ricardo Costa, vereador do PS, que, por sua vez, desencadeou uma troca de argumentos sobre a política cultural para o território em declarações aos jornalistas.

Na reunião quinzenal desta segunda-feira, a Câmara Municipal de Guimarães aprovou, por unanimidade, um apoio de 60 mil euros à Contextile, a bienal de arte têxtil que se realiza desde 2012 e que regressa neste ano à cidade-berço, uma verba de 45 mil euros, ao Mucho Flow, festival de música alternativa que se realiza em espaços indoor no outono, uma quantia de 44 mil euros ao Rock no Rio Febras, festival de verão que se realiza em Briteiros, ao ar livre, no final de julho, e distribuiu os restantes 108 mil euros por outros nove projetos – os eventos de música L’Agosto (30 mil), Vai-m’À Banda (20 mil), Sonus Art Fest (10 mil), Fest in Folk (10 mil), Encontro Ibero-americano de Tunas Académicas (10 mil), Rock in Barco (seis mil) e ainda as iniciativas Museu à Noite (6.500), Feira da Terra (14 mil) e Comemorações do 1.º de Dezembro (1.750).

Na sua declaração de voto, Ricardo Costa defendeu que a Câmara Municipal deve “promover mais a cultura”, “elemento indutor de desenvolvimento”, e “valorizar muito mais os projetos culturais endógenos, que identificam o concelho”, estabelecendo uma comparação entre os 600 mil euros investidos no reconhecido festival Mimo, que se vai realizar pela primeira vez em Guimarães entre 27 de junho e 5 de julho, e os 800 mil euros que supostamente a cooperativa municipal A Oficina dispõe para programar o seu calendário cultural, entre os cinco milhões de euros disponibilizados no contrato-programa com a autarquia.

"Não estamos contra o festival Mimo, mas temos de promover mais a cultura em Guimarães. Não podemos comprar um serviço como o Mimo, que custa cerca de 600 mil euros, e atribuir à cooperativa A Oficina cerca de 800 mil para promover a nossa cultura em Guimarães. Estamos a equiparar coisas diferentes e não estamos a promover a cultura em Guimarães, elemento fundamental para atrair pessoas e diferenciador do nosso território e da nossa identidade", defendeu.

No final da reunião, o vereador considerou que o legado de Guimarães como Capital Europeia da Cultura se deve “a um forte investimento que houve nas associações culturais do concelho” e considerou que, por exemplo, o Rock no Rio Febras poderia ter um apoio superior para ganhar escala e ser potenciado como “um grande festival de verão em Guimarães, à semelhança de Paredes de Coura”. “Só teremos um território mais competitivo e criador valorizando a nossa identidade, as nossas associações como elemento indutor de desenvolvimento. A cultura é crucial para a atratividade de um território, mas também para a atratividade de programadores”, acrescentou.

Também Gabriela Nunes interveio sobre o tema antes do período da ordem do dia, esclarecendo que o PS vai entregar um requerimento a solicitar esclarecimentos e documentação necessária associados ao festival Mimo, nomeadamente “caderno de encargos e demais peças do procedimento contratual, identificação detalhada de custos de apoios não financeiros, relatórios e documentos técnicos que avaliem, de forma exata, o impacto económico e também a identificação das fontes de financiamento deste festival”. Em resposta, o presidente da Câmara Municipal disse ter “tudo o gosto em disponibilizar a informação necessária” na sequência do requerimento.

 

Ricardo Araújo: “Não tentem atirar areia. Estamos a investir mais na cultura”

Confrontado com os argumentos do PS, Ricardo Araújo mostrou-se satisfeito por atrair para Guimarães o Mimo, festival fundado em Olinda, no nordeste brasileiro, em 2004, e salientou que nem os socialistas conseguem criticar essa opção, preferindo fazer comparações com possíveis investimentos noutras dimensões culturais. A seu ver, a posição do PS quanto a este tema revela “um ziguezague completo”, porque o seu executivo decidiu aumentar o orçamento para a área cultural em 2026. “Não retirámos verba de nenhuma outra atividade cultural de Guimarães para a transferir para este festival Mimo. Estamos a reforçar os apoios no âmbito do IMPACTA e a reforçar a programação cultural. Este investimento no festival Mimo é adicional", defende.

Convencido de que o festival que, em Portugal, já passou por Amarante e Porto irá contribuir para os objetivos de “reforçar a programação cultural e criativa” do território, para atrair mais visitantes em Guimarães e, assim, dinamizar a economia local, ao mesmo tempo que Guimarães se volta a afirmar “como um concelho de cultura", o presidente de Câmara mostrou dúvidas se o PS apoia ou não mais investimento na cultura.

"Há uma ausência de coerência política. Não tentem atirar areia para os olhos dos vimaranenses. Estamos a investir mais na cultura. O PS concorda ou discorda? Não estamos a reduzir os apoios que já vinham de trás. O PS está a fazer um ato de contrição a dizer que apoiava pouco a cultura em Guimarães? Nos últimos anos, toda a gente percebe que, com o PS, a cultura deixou de ter a importância que já teve no passado", reiterou.

Disponível para reforçar apoios no âmbito do IMPACTA e na programação anual, dentro da “boa gestão dos recursos públicos e do orçamento disponível”, o autarca referiu ainda que a Noite Branca vai voltar às ruas da cidade neste ano, por considerar o evento relevante para “a lógica de afirmação de Guimarães”, e reconheceu que a Câmara submeteu uma candidatura ao Turismo de Portugal para obter um financiamento correspondente a 50% do investimento no Mimo.

"É uma candidatura que fizemos. Estamos mais confiantes de que vamos ter essa comparticipação do Governo. Este festival, pela dimensão que tem e pelos créditos que já granjeou no país e a nível internacional, tem essa possibilidade de obter um apoio do Turismo de Portugal. É um festival com uma dimensão que o próprio Turismo de Portugal vai reconhecer", adiantou.

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