Guimarães pode ser centro para a produção têxtil sustentável – Planetiers
A ideia de que Portugal pode ser o centro europeu e um dos centros mundiais para a produção têxtil sustentável – e, por inerência, Guimarães, enquanto município luso mais exportador no setor – sobressaiu na conferência “Acelerar a transformação da moda e dos têxteis: o papel das empresas e dos ecossistemas regionais”, integrada no Planetiers World Gathering, encontro realizado na cidade berço entre quarta e sexta-feira.
Na sessão vespertina, decorrida no Teatro Jordão, Isabelle Lefort, cofundadora e diretora executiva do Paris Good Fashion, organização que procura reunir os agentes económicos do setor da moda em torno de soluções sustentáveis e circulares, considerou que Portugal pode ser o centro europeu da produção têxtil sustentável de houver cooperação a nível europeu. Essa perspetiva abarca naturalmente Guimarães e região envolvente, pelas empresas têxteis de dimensão ainda suficiente para testar inovação, numa fase em que a França, por exemplo, já não tem “grandes indústrias”, restando-lhe “autores de alta costura”.
“Vejo margem para uma cooperação a nível europeu. No próximo plano quinquenal, a China tem um capítulo onde sobressai a moda sustentável. Quer ser um líder mundial nesse capítulo. Ser um centro sustentável de têxteis é uma questão de sobrevivência económica para a Europa”, avisou.
A responsável vincou que o financiamento é essencial para concretizar esta visão. “Portugal é um pequeno e grande país, ao mesmo tempo. Precisamos de ajuda de outros. Precisamos de desenvolver e escalar as indústrias”, disse.
A ideia de que é preciso investimento e também uma aposta no marketing para criar um maior desejo na parte do cliente dos têxteis portugueses sobressaiu, por seu turno, na intervenção de Thorsten Harstall, conselheiro de inovação e sustentabilidade, com uma carreira que inclui passagens por algumas das principais marcas têxteis desportivas – Nike ou Reebok.
“Há poucos lugares no mundo onde se encontra tamanha concentração de qualidade na manufatura e no design, como aqui na região em torno de Guimarães. É possível criar maior desirability [desejo] para os clientes quererem comprar, ou seja uma aposta no marketing, e melhorar a parte financeira”, disse.
Em representação da Associação Empresarial de Guimarães, Rui Dias realçou que “a colaboração entre as várias empresas” do ecossistema têxtil não é mais “uma opção”, mas uma obrigação. “Grandes projetos de colaboração entre diferentes setores significa que os empreendedores têm a mente aberta. Se ficarem fechados na bolha, ficam fechados ao mundo e ao mercado”, disse.
Antes, Dora Caria, do Landbell Group, empresa a cargo dos sistemas que gerem os produtos têxteis em fim do ciclo de vida para serem reutilizados, Andreia Barbosa, do departamento de economia circular da Humana, uma plataforma que vende roupa em segunda mão, e Carolina Veiga Simão, da Decathlon, falaram sobre a crescente obrigação dos produtores com o ciclo de vida do produto, do início ao seu fim, e também sobre o crescimento da venda de produtos em segunda mão, na conferência “Potenciar a circularidade através de soluções da Responsabilidade Alargada do Produtor”.