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Impasse em futura creche em Souto gera discussão entre Ricardos

Tiago Mendes Dias
Política \ terça-feira, julho 07, 2026
© Direitos reservados
Ricardo Costa, do PS, acusa presidente da Câmara de “partidarite aguda” por impasse com centro social que almeja 40 vagas em creche. Ricardo Araújo diz que é preciso “aferir condições da instituição”.

Um dos quatro vereadores do Partido Socialista no executivo municipal, Ricardo Costa, acusou o presidente da Câmara Municipal de ser incapaz de “despir o fato” de presidente do PSD no concelho de Guimarães, a propósito do impasse com a reconversão da antiga Escola Básica de Souto São Salvador numa creche com 40 vagas.

Criado em 2008, o Centro Social de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar candidatou, em 2024, um projeto para 40 lugares em creche ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e obteve um financiamento de 160 mil euros para uma obra cujo valor total ascende aos 900 mil.

Ricardo Costa lembrou que o projeto tem um financiamento bancário aprovado de 400 mil euros, um “estudo de viabilidade económico-financeira que demonstra a sustentabilidade da instituição para fazer face ao serviço de dívida e responder a um investimento tão necessário no concelho de Guimarães e no país”, projeto de arquitetura e especialidades aprovados e apoios da Câmara Municipal de Guimarães para responder às necessidades da população com 40 lugares em creche e 10 postos de trabalho.

Presidida por Fernando Cardoso, anterior presidente da União de Freguesias de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar, eleito pelo PS para o mandato entre 2021 e 2025, a instituição precisa apenas que a Câmara altere o contrato de comodato para um contrato de direito de superfície para que a obra possa ser concluída, alega Ricardo Costa. O vereador socialista frisa, contudo, que os pedidos da instituição não têm tido resposta municipal.

"Desde dezembro do ano passado, a instituição pediu a primeira reunião. Foi recebida pela primeira vez em março deste ano. Foram transmitidas as necessidades da IPSS. Três meses depois, nenhuma resposta foi dada. A instituição volta a reunir-se com o vereador da ação social, Eduardo Leite. Seis meses, 1 de junho de 2026, há uma nova missiva ao presidente da Câmara, colocando as mesmas perguntas. Não há qualquer resposta quanto a um contexto que todos conhecem", salientou.

Ricardo Costa considera que tal postura pode ditar a perda de fundos comunitários de 160 mil euros e hipotecar um financiamento bancário, acusando Ricardo Araújo de “partidarite”.

“O presidente da Câmara vive muito mal com a democracia. Perante perguntas concretas, objetivas e com uma cronologia que fiz questão de evidenciar na reunião de Câmara, o senhor presidente de Câmara nada diz. Ainda não despiu a capa da AD. Achamos que ele é o presidente de Câmara de todos os vimaranenses, mas ele ainda se vê como presidente da AD no concelho de Guimarães”, realçou, classificando a postura de Ricardo Araújo como exemplo de “partidarite aguda”.

 

Ricardo Araújo: “O PS usava muito estas instituições para se afirmar no território”

Perante as críticas do vereador do PS, o presidente de Câmara realçou que terá sempre “preocupação e cuidado” com o investimento municipal na área social, lembrando a criação de 224 novas vagas em creche, 60 das quais em berçário, que estão previstas para setembro, em quatro instituições do concelho.

"O que mais me importa é investir os recursos públicos por forma a que apresentem resultados o mais rapidamente possível. Foi o que fizemos recentemente, com a assinatura de vários protocolos, com diversas instituições do concelho que têm capacidade de, rapidamente, aumentarem a oferta de lugares em creche e em berçário", disse, após a reunião de Câmara.

No entender do autarca, é preciso “avaliar caso a caso” o apoio a instituições sociais, lembrando que a intenção de se criarem lugares em creche e berçário não é suficiente para se facilitar. “Tem de ser com todo o rigor", avisa.

Quanto ao Centro Social de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar, Ricardo Araújo vincou que é preciso “aferir a real capacidade da instituição realizar o investimento”, não bastando estar a alterar o comodato para o direito de superfície, e lembrou que a instituição é um exemplo do que o PS costumava fazer para difundir a sua influência pelo território vimaranense.

"O PS fazia muito isso. Percebo que o vereador Ricardo Costa esteja preocupado. Nem sei bem a quem preside a essa instituição. O PS usava muito estas instituições para se poder afirmar no território. Estamos é verdadeiramente preocupados em dar resposta à população. Temos de aferir as reais condições que estas instituições têm para realizar o investimento e dar essa resposta", salientou.

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