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Isabél Zuaa cancela peça nos Festivais Gil Vicente. A Oficina vai averiguar

Redação
Sociedade \ sexta-feira, junho 12, 2026
© Direitos reservados
Atriz e encenadora subiu ao palco nesta quinta-feira para anunciar que cancelara “Afro.Saloyà”, ao alegar uma situação de assédio laboral e violência por parte da equipa técnica d’A Oficina.

A segunda semana dos Festivais Gil Vicente começou com um espetáculo cancelado no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). O espaço iria acolher a estreia absoluta de “Afro.Saloyà”, a mais recente criação de Isabél Zuaa, mas a atriz e encenadora com trabalho em palco e no cinema, anunciou a decisão de suspender o espetáculo, justificando-a com um episódio de tensão com o diretor técnico d’A Oficina, horas antes da estreia.

Segundo o Público, o episódio, diz, deixou a equipa sem condições “físicas e emocionais” para apresentar a obra. Isabél Zuaa explicou que tudo começou com uma chamada de atenção de uma técnica d’A Oficina no último ensaio, três horas antes da estreia, que fez baixar um microfone. De acordo com o mesmo diário, presente no espetáculo desta quinta-feira, elementos da equipa de Zuaa, que estavam a assistir ao ensaio, terão protestado, alertando que o microfone ia batendo na cabeça da actriz.

Isabél Zuaa afirma que a técnica terá acabado por deixar a sala acompanhada por um colega, mesmo que tal não fosse suposto, com o ensaio a prosseguir, antes de o diretor técnico abrir a porta de uma forma abrupta, perguntar quem é a Isabél, entrar no palco, e apontar o dedo à cara da atriz, exigindo um pedido de desculpas à técnica, sob ameaça de não haver técnicos à noite e inviabilizar o espetáculo.  

Ainda de acordo com o Público, a artista não reagiu, mas dois elementos da sua equipa se aproximaram do responsável, gerando-se “uma gritaria”. Embora não tenha havido agressões verbais nem palavras racistas, Isabél Zuaa lamenta a conduta violenta, que, segundo a sua interpretação, pode ser catalogada de racista. “Mesmo não tendo dito palavras racistas, é racista na sua conduta. Sentimos que, se eu fosse uma pessoa branca, não iam interromper o ensaio geral e fazer ameaças com o dedo apontado na minha cara. Esperavam, falavam com a produção e havia uma reunião, é assim que os profissionais fazem. Como era eu, artista, negra, sentiram-se legitimados”, disse.

 

A Oficina diz não tolerar racismo ou assédio e instaura averiguação interna

A cooperativa A Oficina pronunciou-se na manhã desta sexta-feira sobre o sucedido. “A Oficina lamenta os acontecimentos que levaram ao cancelamento do espetáculo “Afro Saloyà”, da artista Isabél Zuaa, na noite de 11 de junho, no âmbito dos Festivais Gil Vicente. A Oficina não tolera qualquer forma de racismo, sexismo ou assédio e leva muito a sério todas as alegações dessa natureza”, lê-se no comunicado assinado pelo presidente da cooperativa municipal, Esser Jorge Silva.

O responsável afirma que, “face à denúncia apresentada” pela atriz e encenadora, A Oficina “instaurou de imediato um processo de averiguação interno” e, “apesar de não ter sido identificada qualquer atitude, ato ou insinuação de natureza racial”, “decidiu enviar uma participação ao Ministério Público para que toda a situação possa ser cabalmente investigada, pedindo a maior celeridade possível”.

“A Oficina expressa total empatia e compreensão para com todos aqueles que se sentiram afetados por esta situação, reafirmando o seu compromisso com os valores da igualdade, da inclusão, do respeito mútuo e da dignidade de todas as pessoas”, lê-se na conclusão da nota.

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