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Já há plano para jovens se firmarem na comunidade. Oposição acha “tarde”

Tiago Mendes Dias
Sociedade \ sábado, julho 03, 2021
© Direitos reservados
Apresentado na quinta-feira, o Plano Municipal da Juventude visa detetar e solucionar os problemas mais prementes dos jovens. Coligação lamenta que o documento seja publicado no fim do mandato.

Educação, emancipação jovem através do emprego e da habitação, coesão territorial através da mobilidade, da cultura, do lazer e do desporto, cidadania e associativismo, saúde, ambiente e acesso à informação: estes são os sete eixos estratégicos a partir dos quais Guimarães quer valorizar os seus jovens, vertidos no Plano Municipal para a Juventude de Guimarães, já em discussão pública.

Apresentado na quinta-feira, em reunião do executivo municipal, o documento, de 80 páginas, faz uma radiografia do envolvimento dos jovens para com as instituições vocacionadas para a sua faixa etária, evidenciando desde logo que 53,5% dos 353 inquiridos não conhece uma instituição ou associação do concelho para apoio aos jovens.

Os outros dados apresentados por Filipa Pereira, coordenadora do plano, vão ao encontro dessa ausência de envolvimento: 62,3% dos inquiridos assumiram nunca ter pertencido a uma organização juvenil e 70% afirmou desconhecer qualquer espaço de apoio para os jovens. Apesar de 38,5% da amostra ter considerado que a oferta de serviços aos jovens em Guimarães é “boa” e 25,2% “razoável”, os inquiridos consideram que a informação sobre apoios e equipamentos para jovens escasseia: 40,2% considera que há “alguma”, enquanto 28% refere que há “pouca”.

Além dos dados recolhidos, o documento refere ainda que o plano se ergueu a partir da criação do Gabinete da Juventude, em 2018, da criação de uma Comissão de Desenvolvimento do Plano, que envolve, por exemplo, o Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), e que teve a primeira reunião presencial a 05 de dezembro de 2019, e a abertura de uma Bolsa de Facilitadores; a iniciativa encarregou dez cidadãos entre os 17 e os 23 anos das tarefas de promoverem a “educação não formal” na juventude do território.

O principal esforço de auscultação foi, contudo, promovido pelas 11 Comissões Sociais Interfreguesias (CSIF) do território. A partir da designada rede social, ouviram-se 407 cidadãos do sexo masculino e 445 do sexo feminino, quase todos entre os três e os 18 anos: 774. Auscultou-se ainda 48 pessoas entre os 19 e os 24 anos, nove dos 25 aos 30, e ainda 21 acima dos 30 anos.

Parte dessas auscultações, refere o documento, realizou-se em “dois bairros sociais da cidade, geridos pela cooperativa municipal CASFIG”; foram ouvidos jovens de diferentes etnias, desempregados de longa duração, jovens que nem estudam nem trabalham e também pessoas com necessidades educativas especiais.

 

Questões sobretudo urbanas. E uma tendência feminina entre quem as discute

Os problemas identificados entre os jovens de Guimarães são semelhantes aos que poderiam ter sido detetados nos jovens de Braga, do Porto ou de Lisboa, disse a vereadora para a Cultura e para Educação, à margem da reunião de Câmara; são mencionadas “questões gerais” como o acesso à habitação, a oferta de residências para jovens universitários e a moderação das rendas, bem como o acesso ao emprego, a mobilidade e a exigência de mais voz na sociedade. Problemas, no fundo, urbanos. “Os jovens são urbanos, não é? Há esta urbanidade que tem de ser reposta”, disse Adelina Paula Pinto.

Ciente de que há um défice de projetos municipais para jovens dos 15 anos para cima, a responsável vincou que o plano, com entrada em vigor prevista para o próximo mandato, não pode ser um “documento fechado”. “Este projeto tem de ser monitorizado. E temos de continuar a dar voz aos jovens; não podemos fazer um processo destes, recolher um documento e depois fechar a porta, dizendo que o documento é nosso e temos de o implementar”, frisou.

Tal como noutras iniciativas já em curso – a Democracia do Bem Comum, em parceria com a associação Coolpolitics e a Fundação Calouste Gulbenkian, a Ideias para Mudar o Mundo e o Orçamento Participativo das Escolas -, houve uma maior participação feminina neste processo. “Na Democracia do Bem Comum, 80% dos jovens participantes eram raparigas”, detalhou Adelina Paula Pinto.

A vereadora explicou a tendência com a questão, até fisiológica, de as “raparigas crescerem mais rapidamente e terem uma maturidade maior” mais cedo. A presença crescente das mulheres noutras esferas da vida pública é reflexo de “uma mudança geracional muito evidente”, acrescentou; nesse sentido, realçou que é necessário um esforço para ter uma maior participação masculina nestas questões, algo que já foi feito através do Conselho Municipal da Juventude, que “até tem mais homens do que mulheres”.

 

Data de apresentação leva oposição a perguntar o quão prioritária é a juventude

No final da reunião do executivo municipal, o vereador da coligação PSD/CDS-PP e candidato às próximas Autárquicas criticou não o conteúdo do plano, mas o timing em que foi apresentado; no entender de Bruno Fernandes, o Plano Municipal da Juventude não deveria ter sido apresentado a “três meses do final do mandato”. “Revela a prioridade que deram à questão da juventude. Se tivesse prioridade, teria sido concretizado nos primeiros seis a 12 meses do mandato”, disse.

O social-democrata disse, aliás, não acreditar que a juventude seja uma prioridade do executivo municipal liderado por Domingos Bragança, já que não existe sequer um pelouro para a Juventude. Quanto ao conteúdo, Bruno Fernandes disse que está “ferido” por não poder estar sujeito a avaliação ainda neste mandato. Por outro lado, enalteceu a inclusão da habitação com um dos eixos estratégicos.

Confrontada com a crítica, Adelina Paula Pinto realçou que, mesmo havendo mudança de liderança política nas próximas Autárquicas, o documento “só não é executado se as pessoas acharem que não deve ser exectuado”. “O plano não tem nenhuma questão partidária. Foi um plano que nasceu com os jovens, com a bolsa de facilitadores. Ninguém perguntou a nenhum jovem qual o seu segmento político”, adiantou.

Caso o PS se mantenha no poder, o plano vai ser implementado “de certeza absoluta”, frisou. Se assim não acontecer, “compete a quem vier a seguir” decidir o que vai ser feito com aquele “documento pronto na mão”. Mesmo que a ideia não avance, serviu pelo menos para o “empoderamento” dos jovens, referiu.

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