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José Alexandre Meireles ambiciona chegar ao top do padel nacional

Redação
Desporto \ sexta-feira, dezembro 08, 2023
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ENTREVISTA | Jogador de padel que integra o circuito nacional, José Alexandre Meireles é 11.º do ranking português da modalidade. Quer dedicar-se exclusivamente à modalidade e chegar ao top.

Começou a carreira no ténis, mas enveredou pelo padel e é atualmente o vimaranense mais cotado do ranking da Federação Portuguesa de Padel. Aos 24 anos, José Alexandre Meireles traça, em entrevista ao Jornal de Guimarães, o balanço de 2023, que terminou com a vitória em quatro torneios, e perspetiva o próximo ano.

A ambição de José Alexandre Meireles passa por chegar ao top nacional no próximo ano, dedicando-se a 100% ao padel.

 

Como é que se deu o seu primeiro contacto com o padel?

Comecei por jogar ténis de alta competição, mas o meu desejo na altura era deixar o ténis. Ainda assim, sentia que o bichinho da competição continuava em mim e tive oportunidade de experimentar o padel. Senti que podia ser, não um refúgio, porque saí de forma consciente do ténis, mas sim uma oportunidade de me realizar noutro desporto. Na altura o meu primo convidou-me, depois estive no Porto na faculdade em que continuei a jogar num registo de brincadeira, e as pessoas foram desafiando por causa do meu potencial. Fui arrastando, jogando num registo social, até que já o ano passado senti que podia fazer uma coisa porreira. Acabei por não o fazer, estive fora a viver meio ano e senti que este ano poderia ser o ano para me dedicar à modalidade. Se bem que ainda não foi este ano, fui submetido a uma cirurgia logo em fevereiro e acabei por começar a época com três meses de atraso.

 

Não sentiu resistência, ao início? O ténis olhou para o padel de forma desconfiada, por assim dizer, quando a modalidade começou a aparecer. Teve esse sentimento, vindo do ténis?

Não posso dizer que não senti isso. As pessoas de início diziam que o padel era para os fracassados do ténis, e olhávamos para o top do padel e todos vinham do ténis. Não vejo dessa forma, vejo uma transição normal. O ténis é um desporto individual que diria que em termos mentais e físicos deve ser um dos mais exigentes. Saí de consciência tranquila, não gostava assim tanto para sujeitar a determinadas coisas e, portanto, nunca senti como um fracasso. Desisti um pouco cedo de mais, toda a gente me diz isso, sim – tinha 16 anos – se calhar foi precoce, mas não estava feliz e quando é assim deve procurar-se outro caminho. No padel deu para manter o registo de competição, de vertente desportiva, que me dava gosto. Ainda passei uns bons anos a jogar por jogar, com divertimento e sem esta pressão. Jogo padel há alguns anos, mas sempre nesse registo. O meu nível sempre foi relativamente bom, mas estava satisfeito com aquele registo e não pensava em ir mais além.

 

Após esse registo mais social foi crescendo; quando é que percebeu que podia ter aqui uma oportunidade a nível competitivo?

Já percebi há algum tempo, mas no final de 2021 pensei que poderia fazer esse ano a 100% no calendário competitivo e tentar treinar, mas fui meio ano viver para fora. Este ano foi o que competi mais, sem dúvida. Sentir já sentia há algum tempo, tentei passar à prática este ano, foi o ano em que me dediquei mais, mas não joguei a 100%. Joguei cerca de seis meses, foi o meu melhor ano, mas não estive a 100%.

Para se optar por esse registo de dedicação ao padel já é necessária uma dedicação quase que de alto rendimento, com várias horas de treino…

Após a intervenção cirúrgica comecei a treinar, estou consciente do meu potencial, mas também sei as minhas debilidades. Trabalhei a parte física, que preciso bastante, até fiz menos padel, inicialmente fazia só duas a três vezes por semana e complementava com a vertente física. O que pretendo é estar em campo três ou quatro vezes por semana no próximo ano, mais a competição. A par disso dou aulas, tiro dois dias para isso e para me dedicar a outras coisas, os outros dias tenho de competir ou treinar.

Olhando para este ano, em que acabou por vencer os quatro torneios que participou, que balanço é que faz?

Sim, venci quatro torneios 5 mil. Foi bom este fim de ano, houve uma transição de parceiro que foi fundamental. Não que o meu ex-parceiro fosse mau, pelo contrário. Mas a nossa sintonia ao longo do ano penso que nunca chegou a ser a esperada, e a mudança veio dar um pouco o que procurava. Não é pelo parceiro, mas, reforço, pela sintonia que a dupla criou e pelo estilo de jogo que mais me identifico, que é fundamental num desporto de dupla. Ainda estamos numa fase precoce, no início costuma-se dizer que é tudo perfeito, vamos ver, penso que a conexão criada até ao momento tem ajudado bastante a elevar o meu nível. A equipa que estava formada nem eu nem ele conseguimos o que era pretendido e hoje em dia penso que ainda temos uma melhor relação que anteriormente.

E a nível de balanço, como olhar para 2023?

Não posso dizer que é negativo, porque comecei a época com três meses de atraso devido a uma cirurgia, mas não posso dizer que é positivo porque sinto que sou capaz de mais. Acho que foi uma época de transição, que me permitiu crescer em temos pessoais e dar passos a nível desportivo, o que me vai dar frutos no futuro. Penso que cresci bastante a nível pessoal, vou encarar as coisas com mais profissionalismo, com mais segurança. Considero que 2023 foi um ano de transição.

 

Nesse registo é o vimaranense melhor classificado no ranking nacional da Federação Portuguesa de Padel, estando no 11.º lugar. Dá mais responsabilidade?

É motivo de orgulho ser o melhor da minha cidade, faço questão de dizer de onde sou, claro; mas não é algo que me realiza. Estar perto do top-10 a nível nacional e sentir me mais crescido como pessoa dá motivação para encarar o próximo ano.

Como é que olha para o próximo ano? O top faz parte dos objetivos?

Sim, é certo. No próximo ano vou tentar fazer algo que não fiz até agora, que é ser o mais profissional possível. Vejo o próximo ano com ambição de o fazer de início ao fim, encarando o ano com a maior vontade, porque sei que consigo ir mais além. Encaro o próximo ano para o dedicar 100% a este desporto, porque vai ser dedicado ou a treinar ou a dar aulas. A parte das aulas é fundamental, porque me dá um budget interessante ao final do mês. Pretendo dedicar-me 100% ao padel e também a um projeto pessoal que tenho, conjugando os dois.

 

Como é que se gere a carreira de um jogador de padel nestas circunstâncias, já sabe que torneios poderá atacar e qual será o caminho?

Neste momento ainda não há decisão, até nisso o parceiro é importante. Sobretudo lá fora é difícil manter o mesmo parceiro. Temos de estar no mesmo barco a nível de pontos e disponibilidade financeira. Vou tentar fechar a época a nível nacional sempre com o mesmo parceiro, e lá fora tentar ver as oportunidades que surgem. Ainda não saiu o calendário, por isso, é difícil fazer previsões.

Mais a longo prazo, não olhando só para 2024, que metas tem na modalidade?

Tenho de ser realista, e humilde. Não dá para fazer grandes projeções, não tendo tantos anos assim de circuito. Tenho de ir passo a passo, sei que sou capaz de fazer coisas boas, mas acho que tem de ser cada coisa a seu tempo. Quero evoluir e evoluindo surgirão oportunidades, quer a nível nacional quer também internacional.

 

Como é que olha para a modalidade atualmente?

Teve um boom, sem dúvida, cresceu bastante e penso que vai continuar a crescer. Não em termos de infraestruturas, que já começa a ficar lotado, mas penso que vai atrair mais empresas, mais marcas, mais gente disponível a investir. Mais cedo ou mais tarde teremos transmissões televisivas, que já têm acontecido, por isso acho que vai crescer.

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