Mais V Sports na SAD prevê entrada de 3,8 milhões e restruturação da dívida
A operação de venda de 17% do capital social da SAD do Vitória ao V Sports, fundo que já detém 29% das ações, a ser discutida e votada na assembleia geral (AG) extraordinária de 30 de outubro, contempla a entrada de 3,8 milhões de euros no universo vitoriano, esclarecem os documentos de suporte às sessões de esclarecimento que se iniciam nesta sexta-feira, publicados no site oficial preto e branco.
O acordo original entre o clube e o fundo proprietário do Aston Villa, aprovado pelos sócios vitorianos na AG extraordinária de 3 de março de 2023, previa a aquisição de 46% da SAD por 5,5 milhões de euros e uma verba adicional de dois milhões de euros para investimento em infraestruturas. O facto de a UEFA entender que esse modelo não cumpria as regras de multipropriedade de clubes ditou a redução da participação da V Sports de 46% para 29% em junho de 2023, com a consequente saída de Nassef Sawiris e Wes Edens do conselho de administração. O investimento de dois milhões de euros foi revertido.
Com o acordo que se prepara para ser votado, a V Sports devolve esses dois milhões ao Vitória SC, que, por seu turno, vai aplicá-los na capitalização da SAD, e investe 1,8 milhões de euros adicionais para acompanhar esse aumento de capital, enquanto detentor de 46% das ações.
O acordo original também contemplou um empréstimo de 11,4 milhões de euros à SAD do Vitória, com uma entrada de cinco milhões, enquanto o acordo que será votado em 30 de outubro prevê o compromisso de desenvolver, em 60 dias úteis, “um plano de restruturação da dívida, incluindo propostas concretas de financiamento”.
A aquisição de mais 17% da SAD pela V Sports contempla ainda a criação de um blind trust, que torna recíproco, entre as duas entidades com mais peso na sociedade, o direito de preferência na venda dessas ações. A figura jurídica do blind trust prevê que esse capital da SAD seja gerido por uma entidade independente, que exerce o direito de voto sem receber instruções do proprietário, por forma a evitar possíveis conflitos de interesse entre o Vitória e a V Sports e a garantir o cumprimento da regra de multipropriedade de clubes da UEFA.
Assim, a V Sports passará a ser proprietária desse capital, mas sem controlar as decisões associadas a esse respetivo capital. O acordo dita que, quando “deixarem de existir as restrições regulamentares que justificaram a criação do blind trust”, os 17% regressem à titularidade direta do fundo, no prazo máximo de 30 dias.
Caso os sócios aprovem a operação de venda de capital em 30 de outubro, o Vitória manterá 50,84% das ações, bem como a maioria do conselho de administração da SAD, ao indicar três dos cinco administradores.
Verba destina-se a reduzir endividamento
Na publicação realizada nesta quinta-feira à noite, o Vitória formula ainda questões que podem vir a ser expressas nas sessões de esclarecimento, deixando respostas de antemão.
Ao manter a maioria no conselho de administração da SAD, o Vitória mantém o controlo total sobre as decisões correntes, que exigem apenas maioria simples para aprovação, e partilha com a V Sports as decisões estratégicas, que exigem, pelo menos, quatro dos cinco votos para serem aprovadas. A V Sports, por seu turno, não pode tomar decisões sozinha em nenhum caso.
O clube esclarece ainda que os 3,8 milhões de euros destinam-se à redução do endividamento existente, antes da elaboração do plano de restruturação da dívida, e que a solução do blind trust já foi utilizada por outros clubes europeus para garantir o cumprimento da regra da multipropriedade de clubes da UEFA.