skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
07 setembro 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

O planeta e a humanidade “por um fio” na maior Contextile de sempre

Redação
Cultura \ domingo, setembro 06, 2026
© Direitos reservados
À oitava edição, a bienal de arte têxtil apresenta 53 obras concebidas por 50 artistas de 27 nacionalidades. As três obras de Ai Weiwei, reconhecido artista e ativista chinês, sobressaem no programa.

Criada em 2012, a Contextile é um dos legados mais duradouros da Capital Europeia da Cultura (CEC) e apresenta-se, em 2026, com a maior edição de sempre, não só pelas 53 obras de 50 artistas de 27 países na exposição internacional, mas também pelas três criações do artista chinês Ai Weiwei, pensadas para Guimarães.

Artista reconhecido a nível mundial, pela conceção do “Ninho de Pássaro”, o estádio dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, e por obras como “Sementes de Girassol”, inaugurada em 2010, na galeria Tate Modern, em Londres, e ativista, crítico do regime que vigora na China, Ai Weiwei mudou-se para Berlim, em 2015, rumou ao Reino Unido, em 2019, para viver e trabalhar em Cambridge, antes de se fixar em Portugal em 2023, na cidade de Montemor-o-Novo, no Alentejo.

Criadas em parceria com empresas e entidades do território, as obras “Fabrication”, no interior do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), “Camouflage”, na Plataforma das Artes e Criatividade, e “Net”, nos tanques de Couros, abordam a vigilância, a proteção do património, a memória coletiva e a vulnerabilidade, num tempo em que o planeta está exposto a desafios que o deixam “por um fio”.

Já a exposição internacional, patente no Palácio Vila Flor, resultou de uma convocatória aberta que reuniu 1.604 artistas e 2.036 obras a concurso, o maior número de sempre. A partir do conceito da oitava edição – “By a Thread” / “Por um Fio”, o júri, composto por Lala de Dios, Lewis Biggs, Magali Junet, Magda Sobón, Susana Pires e Cláudia Melo, a diretora artística da Contextile, selecionou 53 obras, da autoria de 50 artistas, representantes de 27 países.

Já a exposição “A change in the weather?”, com curadoria de Janis Jeffries e obras de Jakkai Siributr (Tailândia), Movana Chen (Hong Kong), Simon Callery (Inglaterra), Taloi Havini (Papua-Nova Guiné) e Teresa Lanceta (Espanha), patente no Palacete de São Tiago, na Sociedade Martins Sarmento e na galeria da Garagem Avenida, reflete sobre “o contexto social atual, marcado por governos, grandes empresas petrolíferas e um setor financeiro que relega os compromissos climáticos”, desafiando os artistas a pensar a renovação e a adaptação para reimaginar o futuro, lê-se na nota de apresentação da Contextile.

Outro dos projetos que sobressai nesta Contextile é o “Growing House”, um projeto que aborda a ideia “casa” não apenas como lugar habitado pelo corpo, mas também como indício psicológico de segurança e abrigo. O Curtir Ciência está, assim, ocupado por andaimes, caixas, fios e tecido, que formam uma casa a partir de tecelagem, tricô, nós e colagem, com curadoria de Assadour Markarov e seis alunos da Academia de Arte da China, localizada em Hangzhou. “É uma casa labiríntica que se altera e traz para o imaginário um estado de transformação, jogo e caos, mas também de contemplação e perspetiva”, refere o texto de apresentação do festival.

O programa, que se estende até 29 de novembro, inclui ainda uma série de intervenções de arte pública a partir de residências artísticas, intitulada “Tecer o verde”, o programa “Emergências”, com curadoria de Mónica Faria, que liga a Contextile e as escolas superiores de artes que incluem o têxtil na aprendizagem, as Textile Talks, entre este domingo e segunda-feira, e cinco workshops até 19 de setembro.

Gratuita no dia de abertura, o acesso ao conjunto das exposições em espaço fechado passa a fazer-se através do Contextile Pass, ao preço de 10 euros por pessoa, nos restantes dias da bienal.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: #131 - O BRT e três projetos interrompidos pelo executivo de Ricardo Araújo