Paulo Portas vai liderar comissão dos 900 anos da Batalha de São Mamede
O programa ainda está por conhecer, mas o líder da Comissão Comemorativa dos 900 anos da Batalha de São Mamede já se conhece. Trata-se de Paulo Portas, ministro da Defesa entre 2002 e 2005, no Governo de Durão Barroso, e ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2011 e 2013, no Governo de Pedro Passos Coelho. Líder do CDS-PP entre 1998 e 2005 e entre 2007 e 2016, Paulo Portas notabilizou-se também como jornalista, no extinto semanário O Independente, entre 1988 e 1995.
“É uma personalidade consensual que reúne características de intervenção cívica e política, como jornalista, como pensador, como jurista, como político que foi Ministro da Defesa Nacional, Ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro. Acompanhará de forma permanente a elaboração do programa e a sua implementação”, disse o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, esta sexta-feira, após a reunião do Conselho de Ministros decorrido no Paço dos Duques de Bragança.
O chefe de Governo referiu ainda que o programa tenciona “aprofundar o conhecimento” associado ao período da fundação da nacionalidade “pela raiz histórica, pela identidade, pela cultura, pelo sentimento de se ser português e parte de uma das mais antigas nações do mundo”.
Montenegro assinalou também que a Comissão de Honra vai ser liderada pelo Presidente da República, António José Seguro, e contar com os anteriores chefes de Estado que estão vivos – Ramalho Eanes, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa -, representantes de várias entidades e deputados dos três partidos com maior representação parlamentar na Assembleia da República.
PCP: “Tentativa de aproveitamento por parte do Governo”
A escolha de Paulo Portas para coordenar a comissão para as comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal mereceu críticas por porte do PCP. Do ponto de vista dos comunistas, o antigo ministro representa a execução de políticas que puseram em causa “a soberania e a independência nacionais”.
“A evocação deste importante acontecimento no percurso para a constituição de Portugal não deve ser objeto, como esta nomeação indicia, de uma tentativa de aproveitamento por parte do Governo e dos partidos que constituem a AD, de manipulação histórica e de cobertura para ocultar o posicionamento de quem executa uma política que põe em causa a soberania e independência nacionais”, refere o comunicado emitido pelo partido.
Segundo o partido que tem Paulo Raimundo como secretário-geral, a defesa e afirmação da soberania e independência nacionais, no quadro da cooperação e amizade com os outros povos e países, é uma questão de particular importância para o presente e o futuro de Portugal, que deve basear-se numa orientação coerente com esse objectivo e não com a sua delapidação”.