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PS acusa PSD de “falta de coerência” no PDM. Araújo salienta rapidez

Tiago Mendes Dias
Política \ terça-feira, setembro 15, 2026
© Direitos reservados
Ricardo Costa critica presidente da Câmara por apresentar PDM assente na revisão anterior, que considerara “manta de retalhos”. Araújo diz que executivo fez em 11 meses o que PS não fez em sete anos.

Mais do que a discussão do aumento de solo urbano em 1.148 hectares e do aumento de solo para atividades económicas em 161 hectares – área equivalente a 225 campos de futebol -, Ricardo Costa, vereador do PS na Câmara Municipal, frisou que a versão do PDM apresentada na sexta-feira, à comunicação social, e na segunda-feira, em reunião do executivo municipal, exige uma discussão sobre a coerência política do presidente da Câmara, Ricardo Araújo.

O socialista lembrou que, em setembro de 2025, ainda como vereador da oposição, pela coligação Juntos por Guimarães, votou contra a revisão do PDM proposta pela então maioria socialista, liderada por Domingos Bragança, classificando-a como “uma má proposta”, que “procurava compor uma manta de retalhos” sem “visão de futuro”. Ao apresentar uma nova versão do documento assente nessa proposta, Ricardo Araújo demonstra falta de coerência política, considerou o vereador.

"Chegamos assim a uma situação politicamente extraordinária: o processo que, antes das eleições, era uma manta de retalhos passou, depois das eleições, a ser a base da solução. O PDM, que não apresentava uma visão de futuro, passou a suportar a visão de futuro do atual executivo. O que antes era apresentado como um problema estrutural passou a poder ser resolvido através da alteração de parâmetros de aumento do solo urbano e da reapreciação das participações”, vincou Ricardo Costa, na intervenção proferida durante a reunião de Câmara.

Para o antigo vereador do desenvolvimento económico, entre 2013 e 2021, e candidato do PS às Autárquicas de 2025, nem o PDM anterior, nem o PDM apresentado pela coligação Juntos por Guimarães (JpG) correspondem à “visão de futuro” que defende para Guimarães.

"Apesar do modelo de solo urbano, o modelo e os objetivos estratégicos permanecem, no essencial, semelhantes à proposta anterior. Na mobilidade, alteram-se traçados, pontos de partida e chegada, mas continua implícita uma lógica fortemente centrada no automóvel. Na habitação acessível e social, não se identifica uma prioridade estruturante. Na atividade económica, continua por demonstrar onde está o solo efetivo imediatamente disponível para grandes investimentos e unidades produtivas estruturantes”, justificou.

Como entende que o PDM após a revisão dos últimos 11 meses é melhor do que a versão apresentada em setembro de 2025, o PS absteve-se na votação da proposta, aprovada pela JpG e pelo Chega. “Foram acolhidas mais participações dos cidadãos, foram introduzidas alterações que consideramos positivas e há melhorias que não temos qualquer dificuldade em reconhecer. E é precisamente por sermos coerentes que não votaremos contra aquilo que reconhecemos ter melhorado”, acrescentou.

Ricardo Costa defendeu, ainda assim, que o PDM deve pensar “simultaneamente habitação e mobilidade, desenvolvimento económico e coesão territorial, sustentabilidade e competitividade, novas centralidades e qualidade de vida”, aproximando freguesias, reduzindo assimetrias dentro do concelho, articulando os grandes eixos de mobilidade e preparando Guimarães para as transformações económicas, tecnológicas, ambientais e demográficas que já estão em curso. “É essa visão integrada que continuamos a não encontrar suficientemente refletida nesta proposta”, disse.

O vereador criticou ainda o facto de a nova versão do documento incluir 311 artigos, bem acima dos 108 da versão anterior, numa altura em que “o mundo caminha no sentido da desmaterialização” e de menor burocracia.

 

Ricardo Araújo: “Não deitamos o trabalho técnico fora. Seria uma irresponsabilidade”

Grato pelo trabalho de Constantino Veiga, vereador com o pelouro do urbanismo, dos arquitetos Pedro Sousa, diretor do Departamento de Desenvolvimento do Território, e Ivo Costa, chefe da Divisão de Planeamento e Ordenamento do Território, bem como dos técnicos envolvidos na revisão do PDM, Ricardo Araújo lembrou que o PS, enquanto partido do poder durante 36 anos, é o responsável pelo PDM em vigor e pela revisão votada em setembro de 2025, pelo que rejeitou lições de coerência.

"Quando deseja falar de coerência política, olhe-se primeiro ao espelho e olhe primeiro para a sua casa. Aquilo que devia começar por fazer era começar por pedir desculpa aos vimaranenses por o PS ter implementado um PDM que classifica como mau e por demorado sete anos a apresentar uma revisão que o senhor classifica como má. Não estou aqui para dar lições de coerência, mas não as recebo", reiterou, durante a reunião do executivo municipal.

Ricardo Araújo mostrou-se agradado com o facto de o executivo que lidera concluir em 11 meses uma proposta de revisão alinhada com os compromissos estabelecidos com os vimaranenses - aumentar a habitação, aumentar as condições para o crescimento económico e a mobilidade -, vincando que a mudança de orientação política foi o elemento crucial para se mudar a dinâmica de um trabalho desenvolvido pelos mesmos técnicos e dirigentes.

"Não deitamos o trabalho técnico fora. Seria uma irresponsabilidade fazê-lo, por muito que divergisse do resultado apresentado na última revisão apresentada pelo PS. É um resultado muito positivo quando temos os mesmos dirigentes e os mesmos técnicos a conseguirem apresentar um resultado significativamente diferente do de há um ano. O que mudou? Foi a orientação política. Essa orientação é resolver os problemas dos vimaranenses. Estou aqui para assumi-la. Seremos avaliados por isso no tempo certo", defendeu.

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