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Ricardo Araújo vê na "ligação dentro do concelho” o mais importante do BRT

Tiago Mendes Dias
Política \ quarta-feira, julho 22, 2026
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Presidente da Câmara frisa que 80 milhões para a linha entre cidade e Taipas vão garantir transporte público de “qualidade e fiável” e disse que requalificar Nacional 101 não é só “atirar alcatrão”.

Confrontado com a oposição do PS ao metrobus – ou BRT –, na sequência dos 80 milhões de euros aprovados pelo Governo para a primeira fase da linha de transporte público, entre Guimarães e Caldas das Taipas, o presidente da Câmara Municipal disse estar focado “na execução dos compromissos com os vimaranenses”, após um Conselho de Ministros “digno de registo” – foi a primeira reunião formal do órgão na cidade-berço, tendo havido uma reunião informal em 2006 – e vincou que o BRT é um projeto que serve efetivamente a população de Fermentões, Pencelo, Ponte e Caldas das Taipas ao longo do percurso.

"O mais importante é a ligação intraconcelhia, dentro do concelho. É isso que estou focado em implementar. Quero ligar Guimarães às diferentes vilas. Nesta primeira fase, quero ligar a cidade de Guimarães e a vila das Taipas para servir todo aquele corredor e as pessoas que utilizam esta ligação. As fases seguintes serão a seguir", vincou, rejeitando qualquer preocupação com o facto de o autarca de Braga ter secundarizado o BRT na hierarquia de prioridades para aquele território.

Araújo lembra que é “mais difícil justificar financiamento nacional ou europeu” sem um projeto de dimensão interconcelhia – está prevista uma ligação entre Guimarães e à estação de alta velocidade de Braga -, mas lembra que o BRT não vai apenas ligar os centros das cidades, até porque já há soluções de transporte coletivo para isso – ligações de autocarro via A11.

O autarca crê ainda que o PS está apenas “empenhado em atirar areia para os olhos” quando fala da impossibilidade de o BRT circular exclusivamente em via dedicada entre a cidade e a vila termal, fruto dos constrangimentos associados à Estrada Nacional 101, até porque a Câmara Municipal ainda está a contratar o estudo prévio, que “vai detalhar mais precisamente o trajeto”, e os técnicos existem para solucionar constrangimentos.

Ricardo Araújo vincou ainda que a futura requalificação da Estrada Nacional 101 (EN 101) visa a abertura de “um corredor de transporte público” para garantir mobilidade “de qualidade e fiável”, após Ricardo Costa ter dito que um financiamento de 80 milhões de euros daria para requalificar a EN 101, mitigar os problemas da circular urbana e melhorar a mobilidade do sul do concelho.

"Temos de comparar maçãs com maçãs e peras com peras. Se se tenta somar maçãs e peras, é difícil saber o que temos no fim. Não quero só pôr alcatrão na 101. Quero alargar a 101 onde for possível alargar para ter um corredor de transporte público. Para outros, que é aquilo que o PS fez durante 30 anos, requalificar é atirar alcatrão para a estrada”, salienta.

A propósito da ferrovia a ligar Guimarães e Braga, o presidente da Câmara disse que nunca foi contra a solução e acusou um dos Governos de António Costa de “aniquilar essa possibilidade” quando se discutiu o Plano Nacional Ferroviário – o documento estratégico foi apresentado em 17 de novembro de 2022 –, para o qual afirma ter dado “um contributo escrito. “Se houvesse essa solução, eu dizia que sim. Mas ser presidente de Câmara implica definir opções e prioridades. A minha prioridade neste momento é trabalhar pela linha de metrobus. Importa deixar bem claro que o principal responsável por aniquilar a linha ferroviária entre Braga e Guimarães foi o Governo de António Costa”, salienta.

Ricardo Araújo lembrou ainda uma intervenção de Frederico Francisco - que Ricardo Costa citou para defender o comboio -, realizada em 27 de janeiro de 2023, na qual o antigo secretário de Estado admitiu que a ligação em ferrovia pesada exigiria um túnel de nove quilómetros sob a Falperra, infraestrutura que elevaria a obra para um valor próximo dos mil milhões de euros, algo que considerou “muito difícil de justificar”, face à “dimensão dos centros urbanos” e ao “volume de procura esperado”.

O autarca criticou também a localização da futura estação de alta velocidade, em Semelhe, freguesia no noroeste do concelho de Braga. “Defendemos que deveria ficar no triângulo Famalicão, Braga e Guimarães. Isso compromete definitivamente os interesses estratégicos de Guimarães. Servia melhor os interesses da região, o maior foco de empresas, o maior foco de população. O maior responsável é o Governo do PS e aqueles do PS que, em Guimarães, estiveram sempre calados”, salientou.

 

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