Sócios do Vitória aprovam acordo com V Sports após maratona noite fora
Os associados do Vitória Sport Clube, reunidos em assembleia geral extraordinária no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, que começou na noite de sexta-feira e terminou na madrugada de sábado, aprovaram a proposta de transmissão à V Sports de ações detidas pelo Vitória Sport Clube, representativas de 17% do capital social da Vitória Sport Clube – Futebol, SAD, tendo em vista o restabelecimento da participação de 46% aprovada em Assembleia Geral de março de 2023.
Após 19 intervenções de associados, a votação, realizada por voto secreto, iniciou-se por volta da 1h10 e contou com a participação de 1.195 associados. Mais de uma hora depois, soube-se o resultado: 717 votos a favor, 468 votos contra, seis votos em branco e quatro votos nulos.
O outro ponto da ordem de trabalhos, referente à autorização da direção do clube a deliberar sobre a proposta de alteração do pacto social da Vitória Sport Clube – Futebol SAD, foi aprovado com 684 votos a favor, 497 votos contra, 11 votos em branco e três nulos.
A reunião magna iniciou os trabalhos às 21h, pela altura da segunda chamada, encerrando os trabalhos às 4h22. O diretor de operações para o futebol do Aston Villa, Roberto Olabe, marcou presença. O espanhol é um dos nomes que se prepara para assumir um lugar no conselho de administração em representação da V Sports, além do canadiano Bashir Lebada. Os outros três lugares continuarão a ser indicados pelo Vitória SC.
O que muda com a aprovação?
Na sequência da decisão tomada, a empresa detentora do Aston Villa, clube da Premier League inglesa, vai aplicar 3,8 milhões de euros na aquisição dos 17%: entrega dois milhões ao clube e aplica 1,8 milhões diretamente no capital social da SAD.
O “sim” repõe ainda o cenário aprovado na assembleia geral extraordinária de 03 de março, quando a maioria dos cerca de 1.400 associados presentes votou favoravelmente à venda de 46% das ações à V Sports, mediante o pagamento de 5,5 ME e um donativo adicional de dois ME para aplicar em infraestruturas.
O egípcio Nassef Sawiris e o norte-americano Wesley Edens, bilionários proprietários da V Sports, assumiram lugares no conselho de administração da SAD vitoriana em 23 de maio de 2023 e deixaram os cargos 37 dias depois, em 29 de junho.
O fundo diminuiu então a participação na SAD para 29% para se cumprirem então “todas as determinações da UEFA” quanto à “independência de ambas as sociedades desportivas” e retirou o donativo de dois ME para infraestruturas, que agora devolve, com a reposição da participação de 46%.
Durante as três sessões de esclarecimento aos sócios, promovidas ao longo de outubro, no auditório do Estádio D. Afonso Henriques, a equipa jurídica da SAD vimaranense esclareceu que os 17% recém-adquiridos pela V Sports serão geridos por um ‘blind trust’.
Essa figura jurídica permite que uma entidade independente gira essa percentagem da SAD e exerça o direito de voto sem receber instruções do proprietário, para evitar possíveis conflitos de interesse entre o Vitória, acionista maioritário, com 50,84% do capital, e a V Sports, garantido o cumprimento da regra de multipropriedade da UEFA.
O presidente do clube e da SAD, Rui Rodrigues, adiantou também que o clube vai manter três lugares no conselho de administração e a V Sports recuperar os dois que chegou a ocupar, tendo revelado os nomes dos futuros administradores.
A empresa detida por Nassef Sawiris, Wes Edens e agora pelo fundo de investimento norte-americano Atairos estará representada pelo espanhol Roberto Olabe, diretor desportivo do Aston Villa, após ter exercido esse cargo na Real Sociedad, e pelo canadiano Bashir Lebada, presidente da equipa feminina do clube de Birmingham.
O acordo entre o clube minhoto e a V Sports prevê ainda o compromisso de se desenvolver, em 60 dias úteis, “um plano de reestruturação de parte da dívida" da SAD, entre os 20 ME e 30 ME, após os vimaranenses terem concluído a época 2025/26 com um passivo total superior a 85 ME, um passivo líquido acima dos 57 ME e capitais próprios de 37 ME negativos.
A parceria contempla ainda a possibilidade de o Vitória de Guimarães receber até seis jogadores do Aston Villa em cada época, dois para a equipa principal, dois para a equipa B, que milita na Liga 3, e dois na equipa sub-19.
A parceria também inclui a regra de que “decisões estratégicas” têm de merecer a aprovação de, no mínimo, 60% do capital social, o que exige concordância entre Vitória e V Sports.