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Sócios do Vitória aprovam acordo com V Sports após maratona noite fora

Redação
Desporto \ sábado, outubro 31, 2026
© Direitos reservados
Empresa que detém Aston Villa está autorizada a restabelecer participação de 46% na SAD vitoriana, após 60% dos sócios votarem a favor e 40 contra numa assembleia geral que durou mais de sete horas.

Os associados do Vitória Sport Clube, reunidos em assembleia geral extraordinária no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, que começou na noite de sexta-feira e terminou na madrugada de sábado, aprovaram a proposta de transmissão à V Sports de ações detidas pelo Vitória Sport Clube, representativas de 17% do capital social da Vitória Sport Clube – Futebol, SAD, tendo em vista o restabelecimento da participação de 46% aprovada em Assembleia Geral de março de 2023.

Após 19 intervenções de associados, a votação, realizada por voto secreto, iniciou-se por volta da 1h10 e contou com a participação de 1.195 associados. Mais de uma hora depois, soube-se o resultado: 717 votos a favor, 468 votos contra, seis votos em branco e quatro votos nulos.

O outro ponto da ordem de trabalhos, referente à autorização da direção do clube a deliberar sobre a proposta de alteração do pacto social da Vitória Sport Clube – Futebol SAD, foi aprovado com 684 votos a favor, 497 votos contra, 11 votos em branco e três nulos.

A reunião magna iniciou os trabalhos às 21h, pela altura da segunda chamada, encerrando os trabalhos às 4h22. O diretor de operações para o futebol do Aston Villa, Roberto Olabe, marcou presença. O espanhol é um dos nomes que se prepara para assumir um lugar no conselho de administração em representação da V Sports, além do canadiano Bashir Lebada. Os outros três lugares continuarão a ser indicados pelo Vitória SC.

 

O que muda com a aprovação?

Na sequência da decisão tomada, a empresa detentora do Aston Villa, clube da Premier League inglesa, vai aplicar 3,8 milhões de euros na aquisição dos 17%: entrega dois milhões ao clube e aplica 1,8 milhões diretamente no capital social da SAD.

O “sim” repõe ainda o cenário aprovado na assembleia geral extraordinária de 03 de março, quando a maioria dos cerca de 1.400 associados presentes votou favoravelmente à venda de 46% das ações à V Sports, mediante o pagamento de 5,5 ME e um donativo adicional de dois ME para aplicar em infraestruturas.

O egípcio Nassef Sawiris e o norte-americano Wesley Edens, bilionários proprietários da V Sports, assumiram lugares no conselho de administração da SAD vitoriana em 23 de maio de 2023 e deixaram os cargos 37 dias depois, em 29 de junho.

O fundo diminuiu então a participação na SAD para 29% para se cumprirem então “todas as determinações da UEFA” quanto à “independência de ambas as sociedades desportivas” e retirou o donativo de dois ME para infraestruturas, que agora devolve, com a reposição da participação de 46%.

Durante as três sessões de esclarecimento aos sócios, promovidas ao longo de outubro, no auditório do Estádio D. Afonso Henriques, a equipa jurídica da SAD vimaranense esclareceu que os 17% recém-adquiridos pela V Sports serão geridos por um ‘blind trust’.

Essa figura jurídica permite que uma entidade independente gira essa percentagem da SAD e exerça o direito de voto sem receber instruções do proprietário, para evitar possíveis conflitos de interesse entre o Vitória, acionista maioritário, com 50,84% do capital, e a V Sports, garantido o cumprimento da regra de multipropriedade da UEFA.

O presidente do clube e da SAD, Rui Rodrigues, adiantou também que o clube vai manter três lugares no conselho de administração e a V Sports recuperar os dois que chegou a ocupar, tendo revelado os nomes dos futuros administradores.

A empresa detida por Nassef Sawiris, Wes Edens e agora pelo fundo de investimento norte-americano Atairos estará representada pelo espanhol Roberto Olabe, diretor desportivo do Aston Villa, após ter exercido esse cargo na Real Sociedad, e pelo canadiano Bashir Lebada, presidente da equipa feminina do clube de Birmingham.

O acordo entre o clube minhoto e a V Sports prevê ainda o compromisso de se desenvolver, em 60 dias úteis, “um plano de reestruturação de parte da dívida" da SAD, entre os 20 ME e 30 ME, após os vimaranenses terem concluído a época 2025/26 com um passivo total superior a 85 ME, um passivo líquido acima dos 57 ME e capitais próprios de 37 ME negativos.

A parceria contempla ainda a possibilidade de o Vitória de Guimarães receber até seis jogadores do Aston Villa em cada época, dois para a equipa principal, dois para a equipa B, que milita na Liga 3, e dois na equipa sub-19.

A parceria também inclui a regra de que “decisões estratégicas” têm de merecer a aprovação de, no mínimo, 60% do capital social, o que exige concordância entre Vitória e V Sports.

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