Torneio de Retórica está de volta com quase 50 debates até junho
Após dezenas e dezenas de debates nas quatro edições anteriores, sobre temas como a proibição ou não do uso de redes sociais a menores de 16 anos, a taxação de lucros de grandes empresas ou a pedonalização do centro histórico de Guimarães, o Torneio de Retórica segue para a quinta edição, entre janeiro e junho de 2026, com a habitual cifra de 1.500 alunos do 11.º ano das quatro escolas secundárias do concelho de Guimarães: Martins Sarmento, que venceu a edição anterior, Francisco de Holanda, Santos Simões e Caldas das Taipas.
Sob um cartaz que ostenta as imagens de Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping, controversos líderes políticos da Rússia, Estados Unidos e China, o presidente da Associação de Socorros Mútua Artística Vimaranense (ASMAV) e professor de filosofia da Escola Secundária Francisco de Holanda, Francisco Teixeira, perspetivou a realização de quase 50 debates até junho, primeiro no seio de cada escola, entre trios de várias turmas, e, mais à frente, entre as escolas. O feedback que obteve dos alunos, após cumprido o período de férias de Natal, é de “motivação e entusiasmo”.
“Foi surpreendente encontrar os alunos com enorme motivação e entusiasmo esta manhã. O entusiasmo nestes tempos de trevas que vivemos é um sinal de esperança. É um sinal de esperança que as escolas, em particular, os professores e as associações de estudantes se tenham envolvido com o torneio na sua divulgação e na sua flexibilização. Sem esta ajuda forte dos diretores, é muito difícil isto poder acontecer diretamente”, adiantou, na apresentação decorrida na sede da ASMAV, esta segunda-feira.
Francisco Teixeira agradeceu também aos professores de filosofia que têm impulsionado a participação no Torneio de Retórica, nomeadamente Rosa Proença (Santos Simões), Carlos Justo (Caldas das Taipas) e ainda Cristina Soares e Eurico Silva (Martins Sarmento), e também à Câmara Municipal. “O torneio far-se-ia sem o apoio da Câmara, mas o apoio da Câmara é muito importante do ponto de vista institucional”, realçou.
Em representação da autarquia, a vereadora com os pelouros da educação e da cultura, Isabel Ferreira, vincou que o Torneio de Retórica é “mais um palco” para os alunos crescerem, ganhando “competências de cidadania e de democracia”. “Costumo dizer que a melhor forma de mostrar indignação é a participação. Essa participação empenhada na construção de um debate público, num grupo de amigos, na associação de estudantes é extremamente importante”, referiu.
A responsável salientou também que a reflexão e o estudo sobre os temas propostos ajuda a questionar as normas e a desenvolver o pensamento crítico. “A verdadeira riqueza está na diversidade de pensamento, de se construir uma unidade a partir do diálogo”, concluiu.
Uma experiência para aprofundar pesquisa e melhorar oratória
Entre os estudantes representantes das quatro escolas na conferência de imprensa, os elogios ao Torneio de Retórica foram unânimes. Nas várias intervenções, salientaram o facto de ajudar a formar opinião, olhando para os dois lados de uma questão, de incentivar pesquisas mais aprofundadas e de contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico.
“O torneio de Retórica dá palco aos jovens. É algo que nem sempre acontece nas escolas. Muitas vezes, somos limitados àquilo que está no livro. O Torneio de Retórica não se trata só de debater, mas ajuda-nos muito na pesquisa. E na oratória. Em muitos trabalhos, a oratória não existe”, referiu Tomás Carvalho, estudante da Escola Secundária Martins Sarmento, que integrou o trio vencedor da edição anterior.
Experiência de “superação e evolução” para alunos que não se imaginavam antes a ter palco para expressar opiniões, o Torneio de Retórica dá “voz aos jovens”, impele-os a irem além de opiniões baseadas em meros comentários, estimula a cooperação. Incentivou até a criação de um clube de debates na Escola Secundária de Caldas das Taipas.