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A equipa B

Raul Rocha
Opinião \ terça-feira, dezembro 27, 2022
© Direitos reservados
A base da B deve ser os sub 19. O Vitória tem de saber resistir aos empresários que querem aqui colocar tudo, uns com valor, outros contrapesos.

Quando em 2012, há dez anos, em plena crise, perto da insolvência vitoriana, o presidente Júlio Mendes aceitou aproveitar um estudo da liga que fazia ascender à II Liga equipas B dos seis clubes mais classificados da I liga, a decisão foi difícil porque custaria centenas de milhares de euros, que não havia.

Mas na época 2012/2013, o plantel principal ia ser muito reduzido e acreditou-se que ter uma 2ª equipa em competição, constituída por ex-juniores, podia suprir necessidades durante a época e abrir novo espaço à formação.

Tudo correspondeu. A equipa B do Vitória até desceu nessa época da II Liga para o Campeonato de Portugal, mas na final do Jamor na conquista da Taça estavam Paulo Oliveira, Tiago Rodrigues, Ricardo Pereira, juniores da época anterior.

AS centenas de milhares de euros foram imediatamente compensadas com as transferências para o FC Porto de Tiago e Ricardo, e nunca mais o Vitória deixou de ter equipa B.

Esta época, 2022/2023, a equipa B arrasta-se pelo último lugar da Zona Norte da Liga 3, acumulando quase só derrotas.

Porém, continua a haver jogadores que se destacam, são promovidos, Moreno tem apresentado e alguns serão, sem dúvida, mais-valias rentabilizadas muito proximamente. Certamente Bamba e Nelson da Luz.

Porque falha em resultados desportivos a equipa B?

Não se trata de menos valia, nem do projeto que dá prioridade à formação que aos resultados. Tudo isto está certo. O problema é que formar uma equipa B com dezenas de jogadores provenientes de diferentes equipas e países, desprezando quase totalmente os sub 19 da época anterior, não é caminho para a construção, dar-lhe um sentido de jogo, mesmo as revelações individuais são ofuscadas pelas derrotas coletivas.

A descoberta de valores deve ser para a B e não para a A. As aquisições para a A devem ser maioritariamente vindas da B, depois da adaptação à cidade, ao clube, depois da comprovação da qualidade.

Não podem porém ser tantos. A base da B deve ser os sub 19. O Vitória tem de saber resistir aos empresários que querem aqui colocar tudo, uns com valor, outros contrapesos.

É certo que o futebol é dominado pelos interesses económicos dos empresários, é muito difícil resistir-lhes. Mas essa capacidade de resistência, autonomia na decisão de contratar, é uma mais-valia dos clubes.

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