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Adeptos, desporto, juventude, política

Raul Rocha
Opinião \ sábado, fevereiro 24, 2024
© Direitos reservados
O desporto dever ser expressão competitiva, do “saber ganhar e perder”, e não cultura do radicalismo, violência, ódio

No debate para as eleições de 10 de março, o desporto e a juventude têm estado ausentes. Surpreendente. Provavelmente menos que o outro grande ausente – a justiça -.

Mas é o desporto que me cabe abordar nesta reflexão. Tem existido em Portugal, em todos os governos, uma Secretaria da Juventude e Desporto, já foi dirigida por um vimaranense Emídio Guerreiro, por um socialista de Fafe, Laurentino Dias, atualmente por um socialista de Gaia, João Paulo Correia. Num país com os cargos políticos quase todos “lisboetas”, o desporto é exceção.

As políticas desportivas não valeram, até agora, um minuto de debate eleitoral. Será porque são totalmente consensuais?

Admito que sim, todos defendem a expansão da prática desportiva e cultura física a todas as gerações, embora ela se concentre na juventude, todos defendem o ecletismo, embora o número de praticantes se concentre excessivamente no futebol, todos defendem uma maior qualificação de quadros superiores seja na educação física, na especialização de diferentes modalidades, seja na gestão desportiva, e Guimarães é um concelho exemplo do emprego qualificado no desporto, todos defendem a construção de mais equipamentos e instalações embora todos os anos se inaugurem pavilhões, piscinas, relvados sintéticos numa rede que, provavelmente, já é subutilizada.

 Há leis de bases do desporto e das sociedades desportivas que merecem balanço e atualização. O caminho que o futebol negócio tomou, global da Europa à América e à Ásia não permite a regulação dos Estados, embora desejável.

O lado mais preocupante é, porém, a segurança. Serei “velho do Restelo”, mas tenho saudades, como adepto, quando ia assistir a jogos com mistura de adeptos nas bancadas.

A criação, com sustentação na lei do Estado, do que se designa por “claques” criou uma elevada insegurança que retirou dos Estádios o pacífico adepto do jogo e estimulou as manifestações ruidosas, agressivas, violentas.

O que sucede hoje não é desporto, expressão competitiva do “saber ganhar e perder”, é sim cultura do radicalismo, violência, ódio. Tem de ser travado. Não basta prender os “macacos” do “Dragão”, os “mustafás” de Alcochete, aqueles que também em Guimarães “assaltaram” um treino, o primeiro de Rui Vitória, e agrediram.

Esta cultura, criada no desporto, está a transferir-se para outras áreas da sociedade e a contaminar a democracia na nossa convivência coletiva. Os “Venturas” do nosso tempo começaram nos debates do futebol.  

O desporto tem de ser competição dos relvados, dos pavilhões, das piscinas, não das bancadas  

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