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O Desporto e a Atividade Física no Jogo de hoje (conclusão)

Francisco Oliveira
Opinião \ sábado, julho 22, 2023
© Direitos reservados
Quando o desporto de alta competição está numa deriva mercantilizante, de forma especial entre nós o futebol, impõe-se que este jogo de hoje promova uma ecologia integral.

Porém, quer na prática do desporto, quer na atividade física, o jogo hodierno exige saber dar espaço à recuperação neste tempo apressado e de tempo esgotado em que vivemos: tudo são correrias e ninguém tem tempo para nada e para alguém. Seja no trabalho, nos tempos lúdicos e de lazer, e de outros momentos da existência e das exigências contemporâneas, é preciso que o desporto e a atividade física favoreçam o encontro e a saúde (no sentido mais lato da palavra). Estas são exigências e necessidades, materiais e espirituais, que favoreçam um nível de vida de acordo com as exigências da nossa contemporaneidade, onde saúde é o bem-estar psicofísico, socio-mental e funcional do organismo humano. Corpo são e mente sã não se realiza sem os outros, nem sem o próprio. O encontro consigo e com os outros, e para o crente o Outro, e com a natureza (nós somos natureza) no desporto e na atividade física faz com que o jogo de hoje seja mais que o alcançar objetivos métricos e/ou competitivos, mas deve ser um verdadeiro promotor de saúde física, mental e social do humano como um todo em relação saudável com tudo e todos/todas.

Uma das formas de recuperação, para além das que o organismo por si realiza, é o repouso. Quer o repouso ativo, ou seja, as atividades físicas cujas solicitações se dirigem a outros centros nervosos, musculares e funcionais, quer o repouso passivo, isto é, o sono, a relaxação autogénea, a ginástica no local de trabalho ou de habitação, exercícios diversos (por exemplo, ioga, etc). Tudo isto para recuperar da fadiga e do stresse contemporâneo, que até no lazer é uma realidade hodierna, impulsionando e acelerando o recondicionamento biológico após o esforço, crescendo assim o rendimento, e no conjunto, a própria longevidade. A recuperação é um fenómeno natural, espontâneo do organismo, que se encontra sob a dependência direta do sistema nervoso central e do sistema endócrino-vegetativo. Podemos falar de recuperação em termos gerais, contudo ela tem sempre um caráter individual estrito, ou seja, dependente das particularidades e do estado presente de cada indivíduo, da sua capacidade específica realizada, da motivação afetiva para o esforço, dos fatores geográficos do meio e do microclima da vida, da higiene e do biorritmo, etc. E, por outro lado, em tempos da Inteligência Artificial ainda mais, não podemos olvidar a automatização, a tecnicidade da vida contemporânea, etc, e do stresse a que a humanidade hodierna se sujeita, quer no trabalho, quer (por mais incrível que pareça) no lazer e no desporto/atividade física.

São muitos e diversos os meios de e para a recuperação individual e coletiva pelo e no desporto e pela e na atividade física: a hidroterapia, a termoterapia, a massagem ou automassagem, a quinesioterapia, a oxigenação, a eroionização negativa do ar que respiramos, a cura da altitude, os meios de meditação como o Ioga, ou da medicina tradicional oriental como a acupunctura e acupressura, etc. Mas também meios psíquicos como a sugestão e a autossugestão, o treino psicossomático de Schultz, etc. O sono é o mais eficaz na recuperação neuropsíquica. Ou mesmo meios dietéticos, pois o excesso de alimentos, seja qualitativo, seja quantitativo, constitui uma fonte de cansaço e de modo nenhum o contrário, para além do risco do aparecimento de algumas doenças digestivas em tais condições uma vez que o estado hiperexcitabilidade do sistema nervoso central e a insuficiência de sucos digestivos não favorecem uma boa digestão e, portanto, uma boa combinação.

E, por outro lado, na fixação da ementa que se consome logo após o esforço, deve-se ter em conta o tipo de esforço realizado, quer laboral, quer desportivo/atividade física. Em todas as situações, deve-se adaptar a alimentação ao momento e ao lugar em que nos encontramos, e sempre ter o cuidado de a garantir para as 24 horas, quer para a recuperação como também para a manutenção do esforço. Não se pode desprezar os meios farmacológicos, porém sou da opinião muito pessoal de que só se deve recorrer aos mesmos em último recurso. Quando seja estritamente necessário e sempre por via médica. E sempre com caráter substitutivo, de combate a certos fenómenos negativos e sem negligenciar a biodisponibilidade. E todos os meios (por exemplo, meios de diagnóstico) que a medicina moderna tem ao seu dispor e ao serviço das pessoas. E sempre um passeio/caminhada na floresta ou junto ao mar, quer pelo ar, quer pelo movimento que implica na relação com o que somos – natureza e sua biodiversidade.

No jogo de hoje, está em jogo a convivência humana e ecológica, construindo um todo que favoreça a vida saudável e pacifica pelo desporto e pela atividade física. Quando o desporto de alta competição está numa deriva mercantilizante, de forma especial entre nós o futebol (ou o basquetebol nos Estados Unidos da América, e já há muitos anos), impõe-se que este jogo de hoje, quer no desporto, quer na atividade física, promova uma ecologia integral, capacitando a mulher e o homem, na sua diversidade e na sua individualidade, a viver em comunidade. Não uma mera comunidade formal de Cartão de Cidadão, de direitos e de deveres. mas de fazedor do comum que faz acontecer o encontro com todos/todas e tudo o que o rodeia e com ele interage. Contudo, em tempos do mercantilismo do jogo (de todo o tipo de jogo) e sua concomitante especulação financeira, urge recuperar os valores que desde o início destas crónicas fui apresentando. Parafraseando Jesus, O Cristo, foi o jogo que foi feito para a humanidade e não a humanidade para o jogo.

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