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Liga dos Últimos

Eduardo Fontão
Opinião \ segunda-feira, janeiro 24, 2022
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Um debate sério sobre as diversas propostas e modelos para inverter a estagnação da economia portuguesa, ainda ninguém viu nos diversos debates já realizados.

Cada vez que é publicado algum estudo comparativo, algum indicador económico ou ranking do qual Portugal faça parte, tenho sempre uma sensação de déjà vu com um episódio da “Liga dos Últimos”. Para quem eventualmente não se recorde, a “Liga dos Últimos” era um magazine desportivo, em que de uma forma bastante cómica, era dado destaque aos jogos de futebol das equipas dos escalões secundários de Portugal.

Confuso com a comparação? Eu passo a explicar: crescimento acumulado do PIB nos últimos 4 anos. Penúltimo lugar na OCDE? Pior que Portugal só a República Checa. Já a Irlanda cresce seis vezes mais do que Portugal.

Qual o país com os salários líquidos mais baixos da Europa Ocidental? Portugal. Último lugar, mais uma vez.

Toda a gente se recorda dos imigrantes romenos que apareciam nos semáforos para limpar os para-brisas. Alguma vez se questionou porque desapareceram de há uns anos para cá? Será porque a Roménia tem neste momento um rendimento médio ajustado ao poder de compra superior ao português? Portanto, a resposta provavelmente será: voltaram para a Roménia onde podem trabalhar e serem melhor remunerados do que cá.

O salário médio em Portugal é o quarto mais baixo da União Europeia. Apenas Grécia, Hungria e Eslováquia ficam atrás de nós. Infelizmente para todos os que vivem neste paraíso à beira-mar plantado, tudo parece alinhar-se para que a profecia do candidato Tiago Mayan, no debate com Marcelo Rebelo de Sousa para as últimas eleições presidenciais, em que lhe disse que ia terminar o mandato como o presidente do país mais pobre da Europa, se torne realidade.

Se na busca de justificações para o estado atual do país, os nossos governantes cessantes são pródigos: ora é a arquitetura do euro que nos prejudica, ou é a posição periférica do país face ao centro da Europa que não nos favorece, já quando chega à parte de encontrar soluções para que o país ultrapasse este ciclo vicioso de pobreza, o mesmo não se poderá dizer.

Quer quem nos governou nos últimos seis anos, quer a generalidade dos restantes candidatos para as eleições legislativas do próximo dia 30 de janeiro, preferem debater a prisão perpétua, num dos países mais pacíficos do Mundo, ou discutir a manutenção da pobreza - o salário mínimo nacional e o Rendimento Social de Inserção (RSI). Um debate sério sobre as diversas propostas e modelos para inverter a estagnação da economia portuguesa, ainda ninguém viu, nos diversos debates já realizados.

Por falar em “Liga dos Últimos”, o concelho de Guimarães, de acordo com os Censos de 2021, foi o município que mais residentes jovens perdeu no quadrilátero urbano que é constituído, para além de Guimarães, pelos municípios de Braga, Famalicão e Barcelos. A redução de 12,80% foi ainda a segunda maior nos 24 municípios com mais de 100.000 habitantes.

Mas neste caso não há qualquer justificação plausível. É totalmente incompreensível que num município com uma oferta alargada de habitação a preços perfeitamente acessíveis para os jovens, em que existem creches e berçários em número suficiente, e onde a oferta de trabalho bem remunerado abunda, nas inúmeras superfícies comerciais do concelho, que os jovens prefiram viver noutros concelhos que não no nosso.

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