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Guimarães
13 janeiro 2026
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O Castelo mudou-se para Leiria

Luís Lisboa
Opinião \ terça-feira, janeiro 13, 2026
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Esta conquista tem um sabor a identidade e a cultura muito próprios, num caminho de pedras que começou a ser desbastado no Estádio do Dragão.

Há dias que deixam de ser simples datas para passarem a ser memória coletiva, e este sábado, dia dez de janeiro, foi um deles. A história escreveu-se finalmente a preto e branco com a conquista da primeira Taça da Liga do Vitória, o segundo troféu a viajar para o concelho depois da proeza do Moreirense em dois mil e dezassete. Esta conquista tem um sabor a identidade e a cultura muito próprios, num caminho de pedras que começou a ser desbastado no Estádio do Dragão. Naqueles quartos de final, o Vitória entrou a perder contra um orçamento galáctico, mas o trabalho e a discrição bateram a exuberância. Ali, naquela primeira reviravolta, percebeu-se que o David estava pronto para tombar os Golias.

Na etapa seguinte, na Final Four, o Sporting impôs o mesmo teste de nervos. Mais uma vez o Vitória sofreu primeiro e mais uma vez teve de ir buscar forças ao fundo da alma. Foi nesse cenário de sofrimento que brilhou Charles que, coadjuvado por Ndoye, se tornou o herói improvável, provando que o futebol é generoso com quem trabalha em silêncio. Contudo, o destino guardou o teste supremo para a final contra o eterno rival. O Braga voltou a marcar primeiro, como se quisesse testar o limite da resiliência. Foi uma final disputada palmo a palmo, com um estádio que era um vulcão de emoções alimentado pelo fervor das bancadas.

Em campo, apesar do desequilíbrio de orçamentos, a equipa de Luís Pinto não se dobrou. O treinador, que fez de Leiria o seu talismã pessoal, foi lá que começou a carreira e onde, na época passada, foi campeão da segunda liga pelo Tondela, mexeu com inteligência. Com um meio-campo de jovens trutões como Diogo Sousa, Gonçalo Nogueira e Beni, que ajudaram a disfarçar lacunas com talento e frescura, e alavancado por uma cidade, o Vitória assinou a sua terceira reviravolta consecutiva. Vivi este momento ao lado do meu filho que não nasceu cá, mas ver o seu entusiasmo e partilhar com ele os primeiros momentos no Toural foi sagrar Guimarães. Quando o troféu subiu ao céu, não foi apenas uma equipa que ganhou, foi a cidade inteira e todos os que, noutras paragens, vibram com este símbolo.

Depois desta caminhada épica, o Vitória é o novo campeão de inverno. Muitos parabéns ao clube, à estrutura e aos jogadores que souberam sofrer. Mas o maior aplauso vai para a massa adepta. Em Guimarães, o décimo terceiro jogador não só carrega a equipa às costas, como a faz suplantar-se jogo após jogo, transformando qualquer estádio num prolongamento do Castelo. É este espírito de união e camaradagem que move montanhas e faz de Guimarães uma cidade diferente, com uma comunhão e entreajuda que não se encontram em mais lado nenhum.

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