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Último moinho de Moreira continua ao serviço da comunidade

Bruno José Ferreira
Sociedade \ terça-feira, maio 18, 2021
© Direitos reservados
A força dos braços dos voluntários reconstruiu o último moinho de Moreira de Cónegos. O espaço continua ao serviço da população no aspeto cultural e social, mas a junta quer continuar a evolução.

Há uma década Moreira de Cónegos revitalizava o seu último moinho. Precisamente no lugar dos moinhos, for força da quantidade existente destas estruturas, foi “o ADN dos legítimos moreirenses” a recuperar aquele que é hoje conhecido como o Moinho de Moreira de Cónegos.

Foi a força de braços, literalmente, que recuperou um espaço que “estava coberto pelo mato, cheio vegetação a ponto de nem se ver”. O interlocutor do Jornal de Guimarães é António Brás, atual presidente da Junta de Freguesia de Moreira de Cónegos e na altura voluntário. O edifício pertence à Junta de Freguesia, o projeto foi, desde sempre, comunitário e existe até um mural dedicado aos voluntários neste espaço.

“O último moleiro não tinha descendentes e, quando faleceu, a junta de freguesia viu a possibilidade de adquirir este espaço aos herdeiros. Foi lançado o desafio de dar as mãos à população e tivemos aqui, durante cinco anos aos sábados, os voluntários que puseram mãos à obra e construíram esta beleza que está cá”, dá conta António Brás.

Uma beleza natural que se transformou e acabou por arrastar para esta zona mais equipamentos, como um parque de lazer, campos de petanca, juntando-se ainda neste local também as Piscinas Municipais de Moreira de Cónegos. Um centro de confluência que se criou com este novo espaço.

 

Essência para manter, o moinho é da população

Para trás ficaram várias intenções, como atrair turistas ao moinho de Moreira de Cónegos à boleia da Capital Europeia da Cultura, sendo o grande propósito da junta de freguesia manter a essência do moinho e o fim para o qual o mesmo foi, desde início, pensado.

“Temos procurado manter a essência do que é o moinho. Claro que a junta de freguesia é apenas a junta de freguesia, a dificuldade é constante e não nos podemos virar especificamente para o moinho. Temos é de manter este espaço no sentido que ele é para o que nasceu: nasceu para servir a comunidade no aspeto cultural e social”, vinca António Brás com afinco.

Esse é o motivo pelo qual o moinho não se torna num espaço de restauração. “Não podemos, não devemos e nunca iremos promover negócios de comida. Temos excelentes restaurantes na vila, pessoas que pagam os seus impostos, não cabendo à junta de freguesia promover a vende de comida. Os únicos momentos em que isso poderá ser feito são os momentos em que as associações da nossa terra, em determinada altura, queiram promover uma ação de angariação de fundos, ou, então, alguém que tenha um projeto social”, assegura.

Ou seja, não sendo num negócio, o Moinho de Moreira de Cónegos está ao serviço do povo. De Moreira e não só. “Temos tido aqui festas de família, festas de batizados. A única condição é não fechar a porta nem vender nada. Como disse, isso leva-nos ao que queremos chegar, que isto seja uma zona de convívio social”, complementa o líder máximo da junta.

Nesta essência cabe também a vertente educativa, com o próprio presidente de junta a levar as escolas até ao moinho. “A última vez que tivemos esta iniciativa, antes da pandemia, vieram 97 alunos. Os miúdos vinham, participavam e fazíamos umas broas no forno e um caldo verde. A nossa intenção é continuar a promover essas atividades pedagógicas. Estamos a criar um programa pedagógico, vamos divulgá-lo dentro de todos os agrupamentos de escolas, de forma a trazer cá os miúdos, visitam o moinho, não pagam nada, comem o caldo verde e levam a sua broa de pão para casa”, refere.

 

Ambição de fazer mais com a ajuda do município

Relembrando que a junta de freguesia se trata de uma estrutura local de menor dimensão, António Brás indica que é preciso contar sempre com a autarquia para dar sequência aos projetos que há em mente. Para além da força do voluntariado, que continua a contar, há mais a fazer.

“Queremos colocar o moinho funcional. A junta de freguesia a ainda não teve o dinheiro para as peças que são necessárias para que o moinho efetivamente funcione e possa moer. Faltam umas peças que a junta não teve ainda capacidade para as recuperar, mas é nossa ideia, podendo pagar, fazer isso”, atira.

Neste momento, está no terreno mais uma obra de beneficiação do espaço envolvente para tornar o Moinho de Moreira de Cónegos mais apelativo ainda. “Vamos fazer um passeio junto ao rio em pedra antiga portuguesa, com luz pública, que irá ligar as duas pontes. No pátio teremos um alpendre superior à largura do recinto para ter mesas e cadeiras. Na estrutura em pedra teremos uma churrasqueira de comunidade para que famílias e amigos possam aqui passar o dia. Só têm de avisar que cá querem vir e o terreno é deles, o moinho e o espaço envolvente", explica.

Em marcha está também a criação e um pequeno lago artificial que terá animais. A força dos braços dos moreirenses continua a não faltar. “Já é o ADN de quem é legítimo de Moreira de Cónegos, ajudam a construir o que temos, por isso é que temos uma igreja da dimensão que nós temos; já pusemos aqui materiais e teremos aqui um lago com animais”, remata António Brás.

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