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Cadeira de rodas para crianças com paralisia nasce na Fibrenamics

Redação
Ciência & Tecnologia \ sábado, julho 08, 2023
© Direitos reservados
Plataforma de investigação sediada no campus de Azurém da Universidade do Minho criou um dispositivo mais leve do que o habitual, utilizando fibras de carbono em vez de materiais metálicos.

Investigadores da associação Fibrenamics, Centro de Transferência de Tecnologia e Inovação (CTI) sediado no campus de Azurém da Universidade do Minho (UMinho), trabalharam por cerca de dois anos em busca de uma cadeira de rodas mais leve, vocacionada para crianças com paralisia cerebral. Anunciado em abril, o protótipo de cerca de 10 quilos está em “fase de seriação” pela empresa parceira, a Multiorthos, para ser colocada no mercado, presumivelmente no segundo semestre de 2023 ou no início de 2024.

A massa das cadeiras tradicionais vai, por norma, até aos 25 quilos, pelo que foi preciso diminuir esse valor para menos de metade. O caminho exigiu então a substituição dos materiais metálicos tradicionais por materiais compósitos; fibras de carbono, no caso, explica o coordenador da Fibrenamics. "Determinados componentes da cadeira normalmente construídos em componentes metálicos desenvolvemos em material compósito, nomeadamente em fibra de carbono, um material bastante mais leve e com níveis de resistência muito interessantes”, detalha Raul Fangueiro.

A redução de peso foi sempre a prioridade do projeto financiado pelo quadro comunitário Portugal2020, tendo em conta as recomendações transmitidas pelos cuidadores. “Muitas vezes, os utentes não têm a possibilidade de carregar a própria cadeira. Portanto, são os cuidadores que o fazem. Portanto, esse foi sem dúvida um dos requisitos iniciais levantados”, acrescenta.

Reticente em classificar a cadeira como a mais leve do mundo, por ser difícil conhecer a massa de todos os dispositivos do género no mundo, Raul Fangueiro enaltece o progresso da ciência e tecnologia rumo a materiais cada vez mais leves sem perda de resistência, com operações que já ocorrem à nanoescala – escala invisível a olho nu, em que um milhão de nanómetros corresponde a um milímetro. “A ciência já conseguiu reduzir a escala dos materiais, de ir à nanoescala e de produzir nanofibras de carbono, mas também o grafeno e os nanotubos de carbono, supermateriais do ponto de vista da resistência”, diz, a título de exemplo.

A criação do novo dispositivo também envolveu estudos de ergonomia para moldar os materiais ao corpo do utilizador e avançar com a “redistribuição do peso da pessoa sobre a cadeira” no sentido de melhorar o conforto, aliviando o stress e eventuais situações de sofrimento. “Tem um efeito físico importante. Quando as questões do conforto não são tidas em conta e há uma pressão excessiva sobre uma zona do corpo, há uma maior propensão para a criação de feridas, de escaras, de úlceras de pressão. E a pessoa irá sofrer por causa disso", especifica Raul Fangueiro.

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