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Censos 2021: Oposição quer mais “atratividade”. PS prioriza “bem-estar”

Tiago Mendes Dias
Política \ sexta-feira, julho 30, 2021
© Direitos reservados
Segundo dados preliminares, a população de Guimarães diminuiu 0,8% na última década, e a coligação JpG culpou a falta de habitação e de emprego. Executivo quer crescimento com “boa urbanização”.

Os resultados dos Censos 2021 quanto à população já são públicos e, no caso de Guimarães, revelam uma diminuição de 0,8%: em 2021, o território vimaranense alberga 156.852 pessoas, enquanto em 2011 o número de residentes era 158.088.

Os dados foram tema de discussão na reunião do executivo municipal de quinta-feira, com Bruno Fernandes, da coligação Juntos por Guimarães (JpG), a salientar que a perda de 1.236 habitantes se deve à quebra da natalidade, problema transversal ao país e à Europa, e à falta de atratividade do território em relação a municípios vizinhos, nomeadamente Braga, cuja população é de 193.333 habitantes, após uma subida de 6,5%.

“O país perdeu população, mas nem todos os concelhos perderam população. Houve concelhos capazes de inverter essa tendência. No nosso distrito, vimos concelhos como Braga, Vizela, Esposende crescerem. Noutras zonas, Aveiro, Leiria e Viseu cresceram”, mencionou o vereador e candidato da coligação entre PSD e CDS-PP à presidência da Câmara nas Autárquicas de 26 de setembro.

Para o social-democrata, as diferentes tendências dos municípios explicam-se pela sua capacidade para “fixar população e captar novos residentes”. Essa “atratividade”, frisou, depende da oferta de habitação e da “captação de investimento”, eixos nos quais a Câmara Municipal de Guimarães não tem sido bem sucedida. “Não se cuidou de conseguir habitação a custos controlados e de se conseguir emprego pujante, melhor e mais remunerado, que permitam a jovens casais irem ao mercado arrendar ou comprar casa”, lamentou.

Convicto de que “perder população é mau”, Bruno Fernandes vincou que a perda de população por causa da alegada “perda de atratividade” é “ainda pior”; se não está num “inverno demográfico”, o território vimaranense está pelo menos no “outono”, catalogou. O candidato da JpG às próximas eleições apelou ainda a todos os membros do executivo municipal para se comprometerem com o objetivo de Guimarães “não continuar a perder população” na próxima década.

Já o centrista Monteiro de Castro realçou que Guimarães teve dificuldade em escoar casas ao longo da última década, defendendo que a tendência descrescente só pode ser revertida com “bons investimentos”, que geram “bons empregos e boas remunerações”.

 

Perda “completamente revertível”, diz Bragança

A estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE) para 2020 fixava a população nos 151.621 habitantes, valor que, a confirmar-se em 2021, corresponderia a uma quebra de 4,1%. O presidente da Câmara Municipal mencionou precisamente esses dados para referir que se criou uma “perceção” demasiado “negativa” sobre a demografia do concelho e que a diminuição de 0,8% é “completamente revertível”.

Domingos Bragança realçou aliás que a população vimaranense cresceu ligeiramente “nos últimos dois a três anos” e promete seguir nessa tendência na próxima década, face aos dois mil fogos recém-licenciados. O autarca socialista vincou mesmo que Guimarães é um território “muito atrativo”, tal como o Porto o é, apesar de ter perdido 2,4% da população na última década – caiu para 231.962 habitantes.

Bragança reconheceu que é preciso “corrigir a questão do mercado da habitação”, para facilitar o acesso e viabilizar o aumento populacional, quer na cidade, quer nas vilas, mas sem erros urbanísticos. “As nossas políticas públicas devem incluir a possibilidade de se crescer demograficamente, mas com capacidade de acolher bem, boa urbanização e boa organização do território. O que importa é criar condições para que seja confortável cá viver”, disse.

Em relação à distribuição das perdas e ganhos populacionais pelo território – crescimento nas Taipas, em Pevidém e nas freguesias urbanas em torno do casco histórico, com Azurém à cabeça, para contrariar o decréscimo no restante território -, Bragança frisou que não se pode apostar na habitação em todos os lugares, dando o exemplo de Couros; o antigo bairro dedicado aos curtumes tem-se transformado num polo de educação e cultura, com a habitação a surgir nas freguesias em redor, como Urgezes e Costa – a população cresceu cerca de 5% em ambas.

“Há vilas com dinâmica de habitação, outras com dinâmicas industriais e outras com pendulares de sítio para sítio. É normal que as zonas à volta do centro histórico cresçam”, observou.

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