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O impulso dos EVACIGANA fecha o 2022 das CLAV. Internacionalizar é hipótese

Tiago Mendes Dias
Cultura \ segunda-feira, janeiro 02, 2023
© Direitos reservados
O rock do quarteto formado nas Caldas da Rainha encerrou mais um ano de sessões intimistas em Vermil. Ponderada candidatura ao Europa Criativa para receber artistas estrangeiros em residência.

Duas guitarras, um baixo, uma bateria e uma voz com o apoio de outras: este é o alinhamento dos EVACIGANA, banda que regressou a Vermil num fim de ano chuvoso para concluir mais um ano das CLAV Live Sessions, o quarto. Das performances de João Moreira (voz principal e guitarra), Rúben Lopes (guitarra e voz de apoio), Filipe Nunes (baixo e voz de apoio) e Alexandre Bandola (bateria), brotaram cinco temas, alguns deles novos, num limbo intimista entre um concerto ao vivo e uma gravação em estúdio.

Numa das divisões da antiga EB1 de Vermil, o equipamento sonoro e as três câmaras de vídeo estavam a postos para uma atuação vista em conjunto, mas ouvida em separado pela plateia de nove espetadores: Catarina Machado, Cláudia Gomes, Daniel Baptista, José Freitas, Marta Azevedo, Eliana Costa, Alexandra Soliz, Tiago Lemos, de Vermil, e Tiago Lemos, de Famalicão, pegaram nos auscultadores e viveram aquela meia hora de música, igual para todos, como se habitassem universos auditivos separados. A sala acolhe um máximo de 15 espetadores, note-se.

O público estava mesmo em frente, mas a “experiência” de uma CLAV Live Session difere do habitual concerto. “Ao vivo, o som sai de certa forma, há uma energia, não está ali tudo concentrado na cabeça. Aqui é uma coisa mais pormenorizada, mais etérea. Há uma maneira diferente de ouvir a música”, confessa João Moreira, numa conversa pós-concerto com o Jornal de Guimarães.

Aquela noite de quinta-feira foi o terceiro ato da relação estabelecida entre a banda e o Centro e Laboratório Artístico de Vermil (CLAV) ao longo do ano recém-terminado: o quarteto formado nas Caldas da Rainha, em 2018, concorreu à open call da residência artística Cacarejo N’Aldeia, lançado pelo CLAV, e foi selecionado. “O prémio era vir uma semana e gravar um álbum ou o que quiséssemos. Como já estávamos a compor as músicas para o álbum novo, viemos cá três dias em abril e depois dois dias em junho”, conta Filipe Nunes.

Autores de um rock com inspirações díspares, desde Mars Volta e At the Drive-In, projetos dos anos 90 e 2000 com elementos em comum, a Deftones, passando por Radiohead, os EVACIGANA vão lançar um novo disco no primeiro trimestre de 2023, parte dele com génese em Vermil. Três das canções apresentadas na CLAV Live Session – “Fiasco”, “Nuvem” e “Anáguas” – foram mesmo ali criadas. A fuga à rotina foi o técnico daqueles dias de residência no oeste de Guimarães.

“Proporcionou-nos um retiro. Foi a primeira vez que trabalhámos todos juntos. Não estás a fechar as composições a pensar que, a seguir, tens de ir passear o teu cão ou mandar um e-mail do trabalho. Estás aqui hoje e amanhã estás aqui outra vez. Isso limpa-te a cabeça, permite-te estar focado”, confessa Rúben Lopes, um dos fundadores da banda que viria a mostrar-se pela primeira vez em 2018, no Impulso, festival realizado no âmbito da Escola Superior de Artes e Design (ESAD), nas Caldas.

À espera de “chegarem a mais público e tocarem o mais possível em 2023”, os EVACIGANA – assim batizados quando tropeçaram numa audição de Have a Cigar, dos Pink Floyd – veem as CLAV Live Sessions como uma “oportunidade” para qualquer músico português que se queira projetar. “Sentes que as portas se estão a abrir e as pessoas estão a gostar do que estamos a fazer”, sintetiza o guitarrista.

 

 

“Se tivéssemos capacidade financeira, fazíamos uma CLAV por semana”

Entre a sala de concertos e a sala de gravação e mistura, revestida por vários equipamentos de som, é preciso atravessar quase toda a área interior da antiga escola, com uma sala comum e uma cozinha. No seu local de trabalho, o diretor artístico olha com agrado para o 2022 das CLAV Live Sessions, distribuído por uma primeira temporada de aposta no “feminino” – Surma, por exemplo, esteve ali a 10 de fevereiro – e uma segunda que misturou “nomes emergentes” – Siricaia e EVACIGANA – e “projetos sólidos” na música nacional – Minta, “numa versão mais intimista, sozinha” e o vimaranense Captain Boy, com três álbuns já lançados. “Foi uma temporada positiva”, atesta Alberto Fernandes.

Capazes de atrair público não só de Guimarães, mas também de Famalicão, Braga e até do Porto, as sessões já têm “projeção nacional”, através da comunicação social e das redes sociais, nomeadamente o canal do Youtube, principal aposta para difundir um projeto iniciado em 2019 – a primeira CLAV Live Session aconteceu a 16 de abril, com Homem em Catarse.

Aquele espaço na União de Freguesias de Airão Santa Maria, Airão São João e Vermil recebe “imensas solicitações” de músicos que o veem como “passagem quase obrigatória” para se mostrarem, facto que exige “repensar a estrutura de forma séria”, admite o responsável.

As CLAV Live Sessions precisam de ganhar “mais capacidade de visualização através do Youtube”, mas também de serem mais ao longo do ano. “Se tivéssemos capacidade financeira, fazíamos uma por semana”, explica Alberto Fernandes.

A equipa técnica de pré e pós-produção das sessões ao vivo já ultrapassa os 90 mil euros por ano, razão pela qual a CAISA, cooperativa social direcionada para a Comissão Social Interfreguesias do Oeste, que tutela o CLAV, está a ponderar uma candidatura ao Europa Criativa, programa comunitário de apoio ao setor cultural.

Além do financiamento, o projeto quer encontrar parceiros noutros países e captar artistas estrangeiros para residências em Vermil. “Seria um projeto de acolhimento ao nível de residência e programação artística. Temos de encontrar parceiros para que este trabalho possa ser divulgado noutros países e trabalhos feitos noutros países possam ser divulgados aqui. por nós”, esclarece o responsável.

Também gestor financeiro do projeto, Alberto Fernandes admite que o “reforço financeiro” por parte da Câmara Municipal de Guimarães, das juntas de freguesia em que a CAISA atua e até de outros municípios parceiros da CAISA podem ajudar o projeto a chegar a “outro porto” no que à escala diz respeito.

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