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Famel com mais autonomia e mais velocidade: “todos a querem ver na estrada”

Bruno José Ferreira
Ciência & Tecnologia \ sábado, junho 25, 2022
© Direitos reservados
Com mais de sessenta reservas para o primeiro trimestre de 2023, o protótipo foi aprimorado. Antes de ir para a estrada é preciso mudar mentalidades.

A Famel está, desde o dia 9 de junho, na Plataformas das Artes e da Criatividade. Os protótipos da nova E-XF estão à vista de todos na Pop Up Store, onde pode apreciar o modelo que no primeiro trimestre do próximo ano estará na estrada.

A icónica motorizada, a mais vendida de sempre no país que teve a sua origem em Guimarães, está a ser repensada numa versão elétrica, novamente tendo a cidade berço como pátria. Essencialmente composta por componentes europeus, com metalomecânica toda portuguesa, e peças de países como Itália, Espanha ou Eslovénia, entre outros, a Famel elétrica foi aprimorada.

O Jornal de Guimarães foi à Plataforma das Artes e mesmo um dia cinzento de chuva não tira o brilho aos dois modelos da Famel E-XF disponíveis. Joel Sousa, engenheiro automóvel vimaranense responsável por fazer renascer a marca, olha para o projeto com um misto de sentimentos. O potencial de projeto entrelaça-se com as barreiras que é necessário derrubar.

“Ainda não temos motas, ainda ninguém se sentou e foi dar uma volta para experimentar, e já temos mais de sessenta reservadas”, Joel Sousa

Começamos pelos aspetos positivos. O preço de partida da Famel elétrica continua a cifrar-se nos 5500 euros, mas a mota está mais completa. “Mudámos para duas baterias amovíveis, foi das principais coisas referidas em outubro quando mostrámos o outro protótipo. Fazem com que possamos ir até aos 120 kms de autonomia”.

Aumentou a autonomia e também a velocidade. Agora já é possível passar em vias-rápidas e autoestradas. “Muita gente falou-nos dessa necessidade: Era limitador fazer uma 50cc porque, por exemplo, para ir do centro de Guimarães a Silvares não se poderia ir pela via-rápida”, explica Joel Sousa.

De uma forma geral o feedback que têm recebido é positivo, essencialmente entre os entusiastas da antiga XF-17. “Todos a querem ver na estrada”, atira. O projeto sofreu atrasos, ainda não foi possível colocar as motas a circular, mas nem isso arrefeceu as primeiras reservas.

“Já temos mais de sessenta reservas, o que é um bom indicador. Ainda não temos motas, ainda ninguém se sentou e foi dar uma volta para experimentar, mas temos mais de sessenta reservadas. Ou seja, sem produto, sem teste e sem uma data concreta de entrega – temos o primeiro trimestre como orientação para nos esforçarmos por isso – mesmo assim temos mais de sessenta reservas, e sem grande investimento em marketing à volta disto", sublinha.

“Desinformação” combate-se com o “desmistificar de mitos”

Na última frase estão implícitas as dificuldades em passar o projeto da teoria à prática; do papel para a estrada. Mais do que um produto, a nova Famel tenta implementar um conceito e uma inovação. Há outras motas com preço muito inferior a 5500 euros, mas a longo prazo a poupança será uma realidade, até porque a nível de manutenção a E-XF será limitada a travões e pneus.

“É preciso educar as pessoas para a mobilidade elétrica, de forma a mudar a mentalidade, e estamos a tentar fazer isso. O projeto vai contra tudo, porque implica precisamente uma mudança de mentalidades”, desabafa, apoiado por Paulo Ribeiro - marketer da Famel - que aponta que há ainda “muita desinformação” sobre mobilidade elétrica.

“Temos consciência que vai custar muito a levantar o negócio”, refere, sendo que a desinformação combate-se com informação. Por isso mesmo, Joel Sousa é um dos oradores na palestra que se realiza no dia 1 de julho – 21 horas.

Vai debater-se o “Futuro Elétrico Económico”, e para além de Joel Sousa também Ana Pinto (Administrativa Get Green) e João Gonçalves (Fundador da UVE - Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos) marcarão presença na iniciativa que se vai realizar na Plataforma das Artes.

“Acreditamos que está um equilíbrio bem feito entre design e autonomia. As pessoas identificam-se e estão contentes por ver a marca de volta”, acalenta Joel Sousa.

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