Lar Rainha D. Leonor é desafio mais imediato da Misericórdia
A requalificação do Lar Rainha D. Leonor, em Urgezes, é o desafio mais imediato da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, assumiu a provedora, Cristina Cepa, durante a segunda edição do Jantar Solidário da instituição, realizada no MitPenha.
"Temos obras iniciadas no lar Rainha D. Leonor, em Urgezes, que precisamos de concluir. Não falamos apenas de paredes, de espaços ou de estruturas. Falamos de melhores condições para acolher, para cuidar, para proteger. Falamos de dignidade, de conforto e de qualidade de vida. No fim, não são os edifícios que dão sentido à nossa missão. São as vidas que, através deles, conseguimos tocar", disse.
A responsável lembrou o cumprimento do objetivo definido no primeiro jantar solidário – a aquisição de uma viatura elétrica para aumentar a “capacidade de resposta” – e antecipou desafios “muito exigentes” para o futuro, num tempo em que os sentimentos “de desmotivação, de cansaço e até de descrença quanto ao futuro” se apoderam da população.
"As misericórdias e as instituições sociais enfrentam dificuldades financeiras crescentes: o aumento dos custos de financiamento, a evolução das remunerações, a dificuldade em recrutar e reter profissionais com as competências técnicas e humanas necessárias para os nossos idosos, a necessidade de retificar instalações, o crescimento de situações de pobreza que permanecem escondidas são desafios reais que exigem respostas concretas", acrescentou.
Cristina Cepa lembrou que as várias Misericórdias espalhadas pelo país não recebem qualquer parcela das receitas dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O financiamento provém dos acordos de cooperação celebrados com a Segurança Social, das “comparticipações dos utentes e das famílias” e de “mecanismos específicos de apoio a que as misericórdias também se podem candidatar”. “Não devemos confundir esses mecanismos com a distribuição das receitas dos jogos. A sustentabilidade das nossas instituições exige transparência, responsabilidade e uma compreensão clara dos recursos disponíveis", salientou.
A responsável mostra-se ainda preocupada com o que chama de “lei dos cuidados inversos”, a propósito do “risco daqueles que mais precisam de cuidados encontrarem maiores obstáculos no acesso aos mesmos”.
Secretária de Estado quer aumentar comparticipação para ERPI até 50%
Entre os restantes intervenientes da noite, a secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, assumiu o objetivo de aumentar até 50% a comparticipação da Segurança Social para as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) até ao final da legislatura, previsto para 2029.
"As ERPI estavam comparticipadas em 36% [em 2024]. Passaram para 43% em dois anos. Assumimos o compromisso de trabalhar para os 50% no final da legislatura. Aumentámos também a consignação do IRS, que é uma fonte de receita do setor social, de 0,5 para 1%. É este caminho que vamos continuar. O Governo está próximo das instituições e está ao vosso lado", disse.
O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel de Lemos, lembrou que as Misericórdias são instituições que sobreviveram a “guerras, epidemias, golpes de estado, revoluções”, sempre “a ajudar os que precisam”, e que constituem auxílio aos estados no cuidado com as populações.
O anterior provedor da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães e agora vereador da Câmara Municipal de Guimarães para a ação social vincou, por seu turno, que estas instituições assumem “um papel fundamental na proteção dos mais vulneráveis, no apoio aos doentes, no acolhimento dos idosos e no apoio a todos aqueles que, em diferentes momentos da vida”.
"De norte a sul do país, as misericórdias são pilares fundamentais na nossa rede de solidariedade social. Conhecem as comunidades, acompanham as famílias, identificam necessidades e oferecem respostas que chegam onde nenhuma outra instituição consegue chegar com a mesma proximidade", vincou Eduardo Leite.