PS pede intervenção de Ricardo Araújo para solucionar impasse em Fermentões
O impasse que persiste em Fermentões, sem tomada de posse do executivo da Junta de Freguesia, nem a realização regular das sessões da Assembleia de Freguesia (AF) para a tomada de decisões sobre matérias de interesse público naquele território vimaranense, motivou um dos debates na reunião de Câmara desta segunda-feira.
No período antes da ordem do dia, o vereador do PS, Ricardo Costa, lembrou que Fermentões é a única freguesia sem órgãos em pleno funcionamento, entre aquelas onde a força política vencedora não alcançou a maioria absoluta para formar executivo sem necessidade de recorrer a acordos. No entender do socialista, a freguesia nas imediações da cidade poderia seguir o exemplo de Brito, vila onde o executivo liderado pelo novo presidente de Junta, José Dias, tomou posse em 11 de fevereiro de 2026, após quatro meses de impasse, na sequência de uma intervenção do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo.
“Foi público que, na questão de Brito, houve uma intervenção, e o assunto resolveu-se. As partes entenderam-se. A Junta de Freguesia de Fermentões ainda não está em pleno direito de funções, devido ao resultado que saiu das últimas eleições. Estou convicto de que não tratará os vimaranenses de Fermentões e os vimaranenses de Brito de forma diferente", disse, a propósito de uma freguesia em que o partido vencedor, o PS, elegeu quatro mandatos para a AF, a coligação Juntos por Guimarães, segunda força mais votada, elegeu outros quatro mandatos, e o Chega, terceira força mais votada, elegeu um.
Convencido de que “não pode haver vimaranenses de primeira e vimaranenses de segunda”, Ricardo Costa apelou ao presidente de Câmara que intervenha “no sentido de viabilizar um executivo do partido que saiu vencedor, o PS”, para que “os órgãos da Junta de Freguesia e da Assembleia de Freguesia possam funcionar de pleno direito para dar estabilidade ao executivo e os habitantes de Fermentões não saiam prejudicados”.
"O meu alerta é apenas para que não se trate com parcialidade as freguesias. É público que o presidente da Junta de Brito fez uma declaração agradecendo a intervenção do senhor presidente de Câmara como fundamental para se chegar a um consenso. Da mesma forma que houve este elogio público, gostávamos que fizesse tudo ao seu alcance para solucionar a questão de Fermentões", realçou.
“Presidente de Câmara está disponível, mas a decisão cabe aos eleitos”
Em resposta ao vereador socialista, o autarca eleito pela coligação Juntos por Guimarães disse pugnar “pelo excelente funcionamento e pela estabilidade desses órgãos nas 55 freguesias” e ter a mesma disponibilidade para contribuir para um consenso em Fermentões e em Brito, mas lembrou que a Câmara Municipal “não tem poder de decisão”. Quem o tem são os deputados eleitos para a AF.
“O presidente de Câmara está disponível para contribuir para as soluções, mas a decisão cabe aos eleitos locais, em função do que cada um considera ser o interesse público para a sua freguesia. Não é caso único no país. Ao presidente de Câmara, convém que os órgãos possam funcionar com normalidade, mas, em democracia, há sempre soluções”, salientou.
Ricardo Araújo negou qualquer “tratamento diferenciado” entre as duas freguesias e lembrou que o resultado de uma intervenção do presidente de Câmara numa freguesia pode ser diferente do resultado noutra. “Nem sempre quando jogamos da mesma maneira conseguimos ter um resultado vencedor. Há a questão da avaliação local que os eleitos fazem, com legitimidade e propriedade. O que funcionou num local não quer dizer que funcione num outro local”, sugeriu.