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A festa da Taça é no Jamor

Carlos Rui Abreu
Opinião \ sexta-feira, junho 09, 2023
© Direitos reservados
Só com a final no Jamor e com os grandes a visitarem as pequenas vilas e aldeias de Portugal se cumpre, em pleno, o epíteto que a FPF dá à Taça, a Prova Rainha, e o desígnio da Festa da Taça

Ao longo da nossa vida vamos criando, cultos, momentos simbólicos, locais que por uma razão ou outra nos tocam. No que diz respeito ao futebol, a criação desses cultos, desses momentos de transcendência é essencial para se construir um legado de tradição. Cresci a ver na final da Taça de Portugal um desses jogos especiais, um daqueles que carrega consigo toda uma envolvência cénica e mística que mais nenhum jogo em Portugal contém. Nunca como adepto assisti a uma final da Taça de Portugal mas, enquanto jornalista, já a acompanhei um bom punhado de vezes.

E é, de facto, um jogo especial. Independentemente dos clubes que a disputam cria-se em torno daquele estádio uma atmosfera que mais nenhum jogo em Portugal consegue ter. Estive no estádio nas duas finais do Estádio Cidade de Coimbra, em 2020 e 2021, e aquilo não soube a taça. É certo que no primeiro caso o estádio estava vazio, e no segundo com lotação limitada a metade, mas independentemente desse condicionalismo foram finais sem sabor.

Por uma ou outra razão há, historicamente, quem se oponha à realização da final no Estádio Nacional. E os argumentos são basicamente dois: o estádio não tem as condições que o futebol moderno exige e, quando são duas equipas do norte, os adeptos têm que fazer uma longa deslocação.

Vamos por partes: De facto o estádio carece de uma intervenção séria (há anos que isso se debate) mas, sinceramente, o jogo vale bem o esforço de o ver ao sol ou à chuva. Mesmo para a imprensa as condições são más, não há uma casa-de-banho específica, há adeptos a circularem na nossa zona de trabalho, enfim. Se a UEFA tivesse de o vistoriar para um jogo internacional tenho a sensação de que chumbaria. Mas, mesmo assim, os adeptos ficam naquele local imbuídos de um outro espírito que não potencia desacatos e violência como noutros palcos e jogos da temporada. Acho que há ali uma aura diferente.

A distância não é argumento. Aquele ritual de alugar autocarros, de juntar família e amigos, de fazer o merendeiro para o piquenique na mata faz parte da final da Taça, tal como os quilómetros a percorrer para quem é do norte. Preferiria um adepto do Porto, do Braga, do Vitória ou do Boavista que a final fosse em Aveiro, só por ser mais perto? Abdicaria um adepto de um clube do norte do jogo no Jamor só porque é longe? Tenho muitas dúvidas.

A festa da Taça de Portugal tem de ser no Jamor da mesma forma que defendo que os clubes pequenos têm de receber sempre os grandes nos seus estádios. Seja com condições ou sem elas, os grandes do futebol português têm de jogar nos campos de todos os outros.

 

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