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O povo gosta da bola mas não tem dinheiro para a ver

Carlos Rui Abreu
Desporto \ sábado, outubro 28, 2023
© Direitos reservados
Como suporta uma família típica, de quatro pessoas, ir assistir a um jogo em que os bilhetes mais baratos são, muitas vezes, a 15 euros.

A vida está cara. Desde sempre que oiço esta expressão mais ou menos amiúde. É o povo a queixar-se da carestia dos salários, dos aumentos do custo de vida, do esmifrar a conta do banco para que, de lá, ao final do mês ainda possa restar algum dinheiro. Hoje em dia tudo se paga. Sou ainda de um tempo em que as crianças e os jovens iam praticar desporto para um clube e não tinha de pagar mensalidades ou kits com equipamentos e fatos de treino. Ter filhos nos clubes, sejam de que modalidade forem, fica caro, muito caro. Mas os pais lá fazem o esforço para os manterem ativos, para os tirarem do sedentarismo do mundo digital. Vai-se tirando um pouco daqui, outro pouco dali e a coisa lá vai dando.

Vai dando mas não estica. E era aqui que eu queria chegar.

Como pode uma família que tem tantos encargos com os filhos, alimentá-los com o prazer único de ver um jogo de futebol num estádio. Como suporta uma família típica, de quatro pessoas, ir assistir a um jogo em que os bilhetes mais baratos são, muitas vezes, a 15 euros. 60 euros para um espetáculo, mais as deslocações e o lanchinho da praxe, é demasiado elevado para uma necessidade que sai da orla das necessidades básicas. Para este desporto fantástico poder ser mais popular e democrático é imperioso que a Liga e os clubes percebam que só com estádios cheios de arrastam ainda mais adeptos. Que o português comum vive com dificuldade e tem de cortar no que é acessório.

Na temporada passada a União de Leiria, então na Liga 3, implementou um modelo criativo em que conseguiu cativar milhares de pessoas para o até então deserto Estádio Dr. Magalhães Pessoa. Com atividades extra-jogo que eram apelativas, com as portas abertas a todos, e com isso ganhou sócios, vendeu camisolas e cachecóis e, acima de tudo, proporcionou aos cidadãos de Leiria momentos de lazer em família. Com isso semeou nos mais jovens o gosto pelo clube da terra, potenciou a paixão que mais tarde ou mais cedo dará frutos. Captou gente em torno do clube e fez prova de vida.

Modelos como este, ou outros que possam ser ainda mais atrativos e eficazes, fazem falta no nosso futebol que cada vez mais está tricéfalo, em torno dos clubes mais mediáticos.

Esta paixão pelo jogo tem de ser disseminada por todo o território, por todas as divisões, porque não se esqueçam que o povo gosta de ir à bola. Mas o povo não tem dinheiro para ir à bola.

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