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E o Condado voltou...

Paulo Mateus
Opinião \ terça-feira, março 26, 2024
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O Condado, [foi uma decisão feliz resistir à tentação de mudar o nome], faz desde 1969 parte da vida quotidiana dos vimaranenses. Raros são os que não têm histórias para contar deste mítico espaço.

Sou um apaixonado por autores clássicos. Os ensinamentos destes autores proporcionam uma compreensão mais profunda da condição humana e inspiram uma reflexão sobre a sociedade actual, os seus valores ou a falta deles. Esta introdução surge, porque reli esta semana o livro “Sobre a Vida Feliz & Tranquilidade da Alma” de Séneca e ao ler um trecho, lembrei-me do restaurante de que vos quero falar hoje.

Escrevia Séneca, no capítulo Sobre a Tranquilidade da Alma, “Devo confessar tenho predilecção extrema pela simplicidade. Em relação à comida, não busco pratos que exijam uma equipa de servos para serem preparados, para serem admirados, nem aqueles que são encomendados e servidos por várias mãos. Prefiro algo prático e fácil de encontrar, sem grande requinte ou custo exorbitante, sem ser oneroso para a minha fortuna ou corpo.”

E da Roma antiga de Séneca, a minha mente viaja até bem mais perto. Esta leitura, abriu-me a curiosidade de ir conhecer um espaço, que faz parte da história gastronómica de Guimarães e que recentemente reabriu com o nome de sempre: Condado. O Condado, [foi uma decisão feliz resistir à tentação de mudar o nome], faz desde 1969, parte da vida quotidiana dos Vimaranenses, raros são os que não têm histórias para contar vividas neste mítico espaço, umas políticas, outras desportivas ou outras meras histórias de momentos de puro convívio entre amigos.

E lá fui eu conhecer este “novo” Condado.

O Condado está de cara lavada, com uma decoração moderna, despretensiosa e aconchegante, mesmo as marcantes correntes douradas, não chocam e dão um toque irreverente. De notar a tela, que está estrategicamente colocada no tecto e que faz a ligação entre o antigo e “novo” Condado.

Veio o Menu e a Carta dos Vinhos, por defeito profissional, olhei logo para a carta dos vinhos e vi logo que estava num restaurante com uma excelente carta, diferenciada, permitindo provar vinhos de várias regiões vinícolas. Mas, estava curioso para provar a comida. Outra feliz escolha dos empresários, foi manter o serviço de snack e restaurante, que o anterior Condado oferecia, mas agora com uma carta mais elaborada, permitindo mais escolhas. O Condado apresenta uma comida honesta, saborosa, que alia na perfeição, uma apresentação cuidada, ao sabor tradicional de cada prato e a um serviço, sem falhas, todos os pergaminhos que fazem o caminho para o sucesso.

Para começar a descoberta, que nos prometia envolvências mágicas, pedi umas ostras, confesso que me surpreenderam, pela sua frescura e aquele característico sabor a mar, seguiu-se um irrepreensível Bacalhau à Brás, que não envergonharia o seu criador, o taberneiro Lisboeta do Bairro Alto, de nome Braz e para fechar o repasto, uma Panna Cotta, uma sobremesa italiana que se derrete na boca e que estava no seu ponto perfeito. Os meus olhos ficaram numa Francesinha.

A arte da cozinha, é a arte de colocar os alimentos a conversar entre si, lê-se na apresentação do Condado, eu acrescentaria, a arte da cozinha, é a capacidade de nos fazer sonhar através dos sabores, fechamos os olhos e viajamos.

Estava tudo delicioso, a minha volta está garantida.

Parabéns ao Joaquim Martins e Flávio Meireles. O vosso Condado vai conquistar o coração dos vimaranenses. O meu já conquistou.

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