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Guimarães está a perder o jogo da alta velocidade

Bruno Fernandes
Opinião \ terça-feira, maio 04, 2021
© Direitos reservados
A pergunta que deixo é: será o metrobus ou mesmo o metro ligeiro que vai levar as mercadorias do Vale do Ave até à linha de alta velocidade?

Na próxima década esperam-se investimentos públicos sem precedentes, ou talvez apenas comparáveis com os dos anos que se seguiram à adesão de Portugal à União Europeia (naquela altura Comunidade Económica Europeia). Espera-se que esses investimentos mudem a face do país. Não pode ser de outra forma, Portugal não pode deixar de aproveitar esta oportunidade para corrigir os problemas que têm feito com que o país se tenha vindo a afastar da média europeia, ao mesmo tempo que vê Estados, que entraram para a União muito mais tarde, ultrapassarem-no.

A distribuição deste enorme envelope de fundos que chegará da Europa não é indiferente, os territórios que se revelarem mais competentes na atração dos investimentos vão conseguir uma vantagem relativamente aos restantes que perdurará ao longo de todo o século XXI. Nesta corrida estão as instituições públicas e as empresas privadas, todavia, é sabido que o Governo alocou grande parte da “bazuca” ao investimento público, portanto, é aqui que tem que ser desenvolvido um esforço mais enérgico de captação de investimento para o concelho.

Vem isto a propósito daquele que é um dos grandes investimentos, apresentado como estruturante pelo Governo: uma nova linha ferroviária, em bitola europeia, de alta velocidade, ligando Lisboa, Porto, Braga, Vigo e daí, através da linha espanhola, à Europa. Não sabemos ainda se esta ligação, já muitas vezes anunciada, vai ser feita. Na verdade, a própria “bazuca” não é ainda uma realidade, apesar de ter sido aprovada pelo Tribunal Constitucional Alemão, não foi ainda ratificada por nove dos 27 Estados-membros. Assumindo que, desta vez, vai mesmo ser feita, então estamos perante um investimento de que Guimarães não pode ficar à margem.

No anúncio que o Governo fez, já ficou expresso que a linha passará em Braga. Estava lá, no mapa apresentado pelo Governo. Mas Braga é muito grande, é um distrito do qual também faz parte Guimarães e, já agora, Famalicão. Quer dizer, quando o Governo diz “Braga”, não temos que assumir que está a falar da cidade, mas sim do distrito. Se pensassem assim e tivessem ambição, aqueles que nos governam tratariam, em tempo, de demonstrar ao Governo por que razão é que a linha de alta velocidade deve ser construída de forma a servir Famalicão e Guimarães.

Argumentos não faltariam. Guimarães e Famalicão estão ambos no top 3 dos municípios mais exportadores do Norte, juntos, os dois concelhos representam cerca de 300 mil habitantes, o Vale do Ave, com toda a sua indústria, tem mais de 420 mil habitantes…

Como é público e notório, o investimento do Governo passou ao lado de Guimarães. A câmara vendo-se ultrapassada, tenta pedinchar do Governo uma ligação ferroviária, um tramo, (já foi metro ligeiro) que ligue Guimarães à capital de distrito.

Uma das vantagens do comboio de alta velocidade é o escoamento de mercadorias com um custo-eficiência muito maior e de uma forma mais sustentável. A pergunta que deixo é: será o metrobus ou mesmo o metro ligeiro que vai levar as mercadorias do Vale do Ave até à linha de alta velocidade?

Penso que a resposta à pergunta anterior é óbvia, por isso, e porque nada está ainda efetivado, Guimarães não pode deixar de lutar pela aproximação desta linha de alta velocidade ao seu centro. A ligação à cidade vizinha de Braga, aliás, a ligação entre as diversas cidades do quadrilátero e os transportes no interior do concelho são também importantes, mas são outras guerras.

O PSD desde sempre defendeu um repensar da linha de forma a servir todas as populações e não apenas algumas. Ainda esta semana na reunião de câmara e pela voz de vereador André Coelho Lima, reiteramos esta posição vincando que esta é uma oportunidade que jamais podemos desvalorizar.

Este tem que ser um desígnio do Município, por isso, o PSD de Guimarães estará, como sempre esteve, ao lado dos interesses de Guimarães. Faremos as convergências que forem necessárias no sentido de defender o melhor interesse do concelho, nesta questão da linha de alta velocidade. Contudo, o PS não pode deixar de assumir as suas responsabilidades num momento em que governa no país e no concelho.

A futura estação do comboio de alta velocidade pode não ficar exatamente onde mais gostaríamos, temos consciência que há outras forças em ação. Aquilo que não pode acontecer é perdermos o “jogo” por falta de comparência.

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