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Guimarães, um apeadeiro na linha com o seu nome

Sara Martins Silva
Opinião \ sexta-feira, junho 10, 2022
© Direitos reservados
Exigir um reforço das ligações férreas de e para a cidade é uma medida que não exige captação de futuros financiamentos, nem deveria precisar da análise de um académico, de tão óbvia que é.

A Câmara Municipal de Guimarães (CMG) apresentou publicamente o “Desenvolvimento do Estudo de Sistema de Transporte Público em Via Dedicada”. Apesar do nome pomposo, trata-se de um estudo (mais um) sobre a mobilidade no concelho, com especial enfoque na cidade (como habitual) que tem “como objetivo central auxiliar o executivo da Câmara na definição da estratégia municipal para a promoção do transporte público, e descarbonização do sector e posicionar-se na captação de futuros financiamentos”.

Retirada de uma notícia no site da Câmara, esta explicação do objetivo do estudo é, em si, demasiado vaporosa, não se percebendo muito bem as verdadeiras intenções e o que dali irá resultar. Continuamos no campo das hipóteses, como é uma hipótese com 50 anos a linha de comboio Guimarães-Braga.

Em termos de mobilidade, Guimarães nunca teve uma estratégia municipal integrada, tomemos o exemplo da autoestrada Guimarães – Braga e o posicionamento do município contra a abertura de um pórtico que servisse a zona norte do concelho, obrigando o trânsito todo a confluir para a cidade. Não foi uma decisão inteligente nem benéfica para o concelho na altura, como não é a atual opção pela via do Avepark, outro exemplo do péssimo planeamento feito pela CMG.

É certo que as expetativas dos vimaranenses não são muito elevadas, habituados que estão a sofrer nas filas intermináveis em todas as vias de acesso e saída da cidade, e algumas das propostas apresentadas neste estudo são demasiado improváveis, pelo investimento e tempo necessários. Há, no entanto, neste documento uma sugestão que gostaria de ressalvar e que se prende com um melhor aproveitamento da linha férrea através do reforço do serviço. A verdade é que, em termos ferroviários, Guimarães tem a importância de um apeadeiro quando comparada com outras cidades de dimensões semelhantes ou até menores.

A Linha de Guimarães é servida diariamente por 16 comboios urbanos para o Porto e 1 intercidades. Para terem pontos de referência e comparação, Braga tem 25 urbanos diários para o Porto, e 27 para Famalicão. A capital de distrito é ainda servida por 4 Alfas Pendulares e 2 Intercidades. Aveiro tem 29 ligações urbanas ao Porto, e Ovar 55, entre urbanos, regionais e inter-regionais.

Exigir um reforço das ligações férreas de e para a cidade é uma medida que não exige captação de futuros financiamentos, nem deveria precisar da análise de um académico, de tão óbvia que é. Estamos no campo do exercício da política e da estratégia quanto ao posicionamento da cidade no panorama nacional e internacional.

Esta é uma exigência que, a haver vontade por parte do executivo camarário seria facilmente acolhida, já que partilham a mesma cor política que o governo. No entanto, esta conjugação político partidária em vez de dar mais comboios, na verdade tirou o único Alfa que servia Guimarães.

Falta de vontade da CMG, falta de prestigio e pressão política a nível nacional, submissão aos interesses partidários, falta de visão e estratégia, não sabemos qual, ou quais, as razões para não haver, por parte dos políticos vimaranenses, uma posição forte e determinada quanto à necessidade de reforçar os serviços da linha de Guimarães. O que sabemos é que se esta que é uma solução simples e que não está dependente de “futuros financiamentos” não é tentada, as requalificações da 101 ou da 206 continuarão uma miragem muito distante.

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