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20,376 km/h

L'Étape du Tour

Ilda Pereira
Opinião \ segunda-feira, julho 24, 2023
© Direitos reservados
Terminar teve tanto de alívio como de orgulho: imaginam o que se sente ao cruzar a linha de chegada após ultrapassar paisagens excecionais do coração dos Alpes, lar dos picos mais altos da Europa?

Dia 09 de julho, após ter vencido a L’Étape Portugal, participei como embaixadora e campeã nacional na L’Etape du Tour de France, pedalando na mesma rota e nas mesmas condições que os profissionais realizaram no dia 15 de julho.

Percorri uma das etapas de montanha do Tour de France: as mesmas cidades de palco, as mesmas rotas, as mesmas subidas míticas, mas também, e acima de tudo, as mesmas condições de corrida do Tour. Fruto de um trabalho significativo desenvolvido em parceria com a polícia, organizações locais e autoridades locais, L'Étape du Tour de France é o único evento ciclodesportivo a oferecer percursos totalmente fechados ao trânsito. Com partida em Annemasse e chegada em Morzine, a L’Étape du Tour contou com 157 quilómetros e mais de 4.100 metros de acumulado positivo.

O facto de integrar um pelotão de 16 mil inscritos, fazendo da L'Étape du Tour o evento ciclodesportivo de referência na Europa, colocou-me um nervosinho extra para a competição. Às 6h00 da manhã, quando entrei na minha box - Box 0, com mais 999 atletas - estava bastante ansiosa, pois não sabia bem como arrancar com tal pelotão - ainda por cima, poucos metros à frente da partida estavam duas rotundas, sendo que tivemos que contornar para sair à esquerda na segunda (que loucura).

Para mim, esta prova era um objetivo da época! Entrei para competir e segui forte, integrando o grupo das favoritas num ambicioso top 5, e ultrapassando a bom ritmo as três primeiras subidas do dia; a primeira de 3.ª Categoria e as outras de 1.ª Categoria - Col de Saxel com 4,3 quilómetros a 4.6%, Col de Cou com 7 quilómetros a 7.4% e Col du Feu com 5.9 quilómetros a 7.8%, respetivamente.

Porém, após a descida de passagem por Le Lavouet, por volta do quilómetro 65, furei. Um arame afiado deitou por terra este desafio desportivo! Perdi imenso tempo! Foram milhares os atletas que passaram enquanto me esforcei para descolar o pneu do aro! Foi preciso uma força hercúlea! Depois, após trocar a câmara de ar, não conseguia recolocar o pneu. Um dos desmontas partiu-se e a tarefa ficou ainda mais comprometida!

Quando pude, por fim, retomar, já só me restava aproveitar a “aventura turística” dos 90km que ainda tinha pela frente: algumas das partes mais bonitas da França, os vales alpinos, paisagens deslumbrantes nas mesmas condições de corrida do Tour de França… ou seja, tinha ainda pela frente a esmagadora subida de 1.ª Categoria do Col de la Ramaz (13,9 quilómetros a 7,1%), que culmina a 1.619 metros acima do nível do mar aos 106 quilómetros percorridos; depois, agradavelmente, para as minhas preferências, uma descida técnica até ao terrível vale de Samoëns, ao pé do Col de Joux Plane, uma das subidas sagradas do Tour de France, que a corrida escalou 13 vezes desde 1978.

Com um comprimento de 11,6 quilómetros e uma inclinação média de 8,5%, é uma subida Hors Catégorie (HC) . Até então, percorri mais de 130 quilómetros e, com os cerca de 40 minutos perdidos devido ao furo, estava perto das sete horas de esforço quando cheguei ao cume (1.691 metros). As temperaturas a rondar os 40° fizeram desta subida um verdadeiro inferno! Os meus pés ardiam dentro dos Shimano S-Phyre! Precisava de água tanto para me hidratar como para arrefecer todo o corpo, literalmente, da cabeça aos pés!

Terminar teve tanto de alívio como de orgulho: imaginam o que se sente ao cruzar a linha de chegada após ultrapassar paisagens excecionais do coração dos Alpes, lar dos picos mais altos da Europa?

Valeu o apoio dos milhares de entusiastas do Tour que se aglomeraram ao longo daqueles superexigentes quilómetros de ascensão! Estava ansiosa por cruzar a linha de meta e desfrutei dos 12 quilómetros finais na descida para Morzine, que já sediou 16 etapas do Tour de France desde 1976. Terminar teve tanto de alívio como de orgulho: vocês imaginam o que se sente ao cruzar a linha de chegada depois de ultrapassar paisagens excecionais do coração dos Alpes, lar dos picos mais altos da Europa?

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