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Jota Silva

Pedro Carvalho
Opinião \ quinta-feira, março 28, 2024
© Direitos reservados
Naquele momento, não era só o Jota Silva que pisava o relvado do D. Afonso Henriques, eramos todos nós que o fazíamos e que orgulhosamente representávamos Portugal e por este lutaríamos até ao fim.

Já muito se escreveu e disse sobre o sonho realizado por Jota Silva, que para gáudio dos vitorianos e portugueses em geral, no pretérito dia 21 de março, pôde pisar o relvado do Estádio D. Afonso Henriques, com a camisola da seleção nacional. Eu serei apenas mais um a partilhar o que senti e o que entendo que representou essa estreia.

São poucos os que conquistaram o privilégio de representar a seleção portuguesa e, ainda menos, os que o puderam estrear-se, com a camisola pátria, em Casa. O D. Afonso Henriques é inquestionavelmente a Casa do Jota Silva. E inquestionavelmente o Jota Silva fez por merecer a sua convocatória e a sua estreia.

O Jota Silva não é um jogador tecnicamente dotado, mas, com humildade e trabalho, tornou-se um excelente jogador, com boa leitura tática, forte e rápido, com um querer e capacidade de luta invulgar, que faz com que nunca desista e dê tudo até não poder mais. Foi progredindo progressivamente ao longo da sua curta carreira profissional, porque nunca deu nada por garantido e porque sempre soube ouvir os que o rodeiam e ainda porque percebeu desde cedo que só pelo trabalho podia evoluir. 

Atravessa atualmente um excelente momento de forma, a que não é alheio o bom trabalho de Álvaro Pacheco e o dos seus colegas de equipa. Jota não joga sozinho e muito menos brilha sem os seus colegas de equipa. É assim no Vitória, foi assim na estreia por Portugal.

Jota Silva não deverá ser um dos escolhidos para o Europeu, porque para a sua posição existem vários jogadores qualitativamente superlativos. Mas poderá no futuro ser uma alternativa válida, devendo para isso continuar a trabalhar para evoluir, aprimorando a finalização e melhorando o drible.

Quando Jota Silva se estreou, creio que não deve ter existido nenhum Vitoriano que não tenha exultado. O simbolismo e importância da sua estreia extravasou aquele concreto jogo. Não era apenas um momento de consagração para o atleta. Creio que cada Vitoriano naquele momento sentiu que estava a também a pisar aquele relvado e que Jota entrava não só com as Quinas, mas também de Rei ao peito. Existiu e existe uma identificação de todos com Jota, pelo seu percurso, humildade e capacidade de trabalho e pela forma como orgulhosamente exibe o nosso símbolo. A maioria dos Vitorianos também são assim, não nasceram em berço de ouro, não nasceram sobredotados ou supertalentosos, e apenas pelo trabalho lograram singrar na vida, construir uma carreira e um lar. Aliás, até o Afonso Henriques não nasceu Rei, e só pela coragem, espírito lutador e de superação conquistou o direto de o ser e de fundar o reino de Portugal. Nada lhe foi concedido, tudo foi conquistado.

O Vitória é um Clube de conquistadores. Essa é a sua essência, a sua natureza. Todos Vitorianos querem títulos e todos exigem atitude, capacidade de luta e coragem. Quando um atleta enverga a camisola do Vitória, quando transporta o Rei ao peito, tem que ser capaz de lutar, de dar tudo, de trabalhar do principio ao fim. Pode não ganhar, mas tem que fazer tudo para não perder. E se perder tem que o fazer de cabeça bem levantada, consciente que deu tudo e tudo fez para não ser assim. Jota Silva é assim, encarna este espírito conquistador que nos carateriza. Por esse motivo, naquele momento, não era só o Jota Silva que pisava o relvado do D. Afonso Henriques, eramos todos nós que o fazíamos e que orgulhosamente representávamos Portugal e por este lutaríamos até ao fim.

Já antes vários jogadores vitorianos chegaram à seleção nacional. Mas as circunstâncias atuais, o momento que o Clube atravessa, e as caraterísticas e percurso do Jota, tornaram este momento singular. Não único, mas singular.   

Estou certo que o Jota Silva não se vai deslumbrar, antes vai continuar a trabalhar, evoluir e, em conjunto com a equipa, vai lutar, lutar até ao fim do campeonato e até ao Jamor. É preciso, contudo, que o seu profissionalismo e a sua capacidade de luta e trabalho contagie os demais, desde atletas, até à equipa técnica e dirigentes. Todos devem interiorizar o espírito do Clube, ser humildes, saber ouvir os demais e todos, mas todos, têm que trabalhar, trabalhar e lutar. Só assim respeitam o Clube que representam, só assim respeitam o Vitória.

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