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Vitória, que futuro?

Pedro Carvalho
Opinião \ segunda-feira, janeiro 02, 2023
© Direitos reservados
A não ser que se inverta este status quo, o futuro do Vitória está a ser comprometido. Impõe-se que esta Direção ouça as críticas, reflita, identifique todos os seus erros, analise as demissões...

2022 já se findou, o centenário já foi festejado (com pompa e circunstância), agora estamos em 2023, a Liga Portuguesa está de volta, e as dúvidas e incertezas em torno do nosso Vitória avolumam-se. Não por este resultado no dealbar de 2022 com o Vizela, mas pelo trajeto antecedente e pelo projeto subjacente que é errático, sem qualquer rumo aparente, vivendo da inspiração ou desinspiração do momento.

Não vislumbro uma estratégia para o Clube, e não apenas para o futebol profissional. As decisões da Direção têm sido casuísticas, despedem-se ou contratam-se profissionais ao sabor de humores, sem critério aparente, mantém-se o discurso vitimizador, venderam-se ativos importantes por valores inferiores aquele que os mesmos teriam caso o Vitória não se apresentasse numa posição deliberadamente fragilizada, e perspetivam-se novas vendas que, a serem realizadas nos mesmos termos, estarão a hipotecar o futuro do Clube, em termos desportivos e financeiros, mas a mais que inversamente estão a ser feitas aquisições de jogadores por valores elevados e com salários que, no passado, foram considerados proibitivos. Aliás, no decurso do mandato da atual Direção, foram realizadas algumas das aquisições mais caras de sempre do Vitória, como ocorreu com o André Silva, cujo “passe” foi adquirido por um valor próximo aos 4 milhões e com salário anual de cerca de meio milhão de euros só no primeiro ano, valor muito superior ao definido como teto salarial, em contraciclo com o que vinha sendo defendido para o saneamento das contas do Clube. Não se percebe assim a coerência dessa política, nem porque, por exemplo, não optamos então por renovar com Estupiñán, ou que não tivesse sido feito um esforço sério nesse sentido. Estupiñán já marcou esta época 10 golos na difícil Championship.

Entretanto foram feitas diversas contratações sem critério, não só para os quadros do Clube, como, no que ao futebol diz respeito, para a primeira equipa e equipa B, a qual, esta última, está a ter um percurso desportivo dececionante. Acresce que apesar da prometida aposta na formação, foi feito um desinvestimento inaceitável na mesma, a qual vinha apresentando um trabalho qualitativamente reconhecido por todos e que gerava e potenciava atletas de qualidade nos diversos escalões que, para além de assegurarem desportivamente um futuro auspicioso, representavam a renovação de ativos que qualquer clube carece para poder ser competitivo e ter, ou procurar ter, estabilidade financeira. Por sua vez, as modalidades amadoras, foram deixadas à sua sorte promovendo uma autonomia de financiamento que não é exequível e põe em causa o futuro das mesmas.

Os resultados desportivos da equipa A, manifestamente melhores que os desempenhos, foram camuflando uma parte substancial dos problemas. Mas, a não ser que se inverta este status quo, o futuro do Vitória está a ser comprometido. Impõe-se que esta Direção ouça as críticas, reflita, identifique todos os seus erros, analise as demissões e, com realismo, adote um rumo, com um projeto bem definido, com objetivos claros e uma estratégia para os alcançar, ciente dos recursos existentes.

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